Lucros da Associação Mutualista afundam 99%. Ganha 1,6 milhões de euros

Pelo segundo ano consecutivo, mutualista volta a apresentar lucros graças aos ativos por impostos diferidos. Resultado é positivo, mas afundou.

A Associação Mutualista Montepio Geral (AMMG) viu o lucro afundar 99% no ano passado, para apenas 1,63 milhões de euros, uma variação que é sobretudo explicada pelos créditos fiscais de mais de 800 milhões de euros que inflacionaram o resultado da instituição liderada por Tomás Correia em 2017. Mas, mais uma vez, são estes ativos por impostos diferidos que evitam que a mutualista apresente resultados negativos.

Este resultado diz respeito às contas individuais a que o ECO teve acesso e que a AMMG se prepara para levar à assembleia geral de associados agendada para o final deste mês, estando em linha com o programa de ação e orçamento para 2019 apresentado no final do ano passado.

Em 2017, a mutualista reportou um lucro de 587,5 milhões de euros numa base individual, isto depois de ter registado ativos por impostos diferidos (DTA, na sigla em inglês) no montante de 808,6 milhões de euros que foram gerados pelos prejuízos fiscais e provisões para produtos mutualistas. Estes DTA representam o direito a um valor económico de uma potencial dedução fiscal futura e ficam registados no balanço do ano como ativos — embora a instituição só possa usufruir desta benesse fiscal na conta de resultados no futuro se, e quando, apresentar lucros tributáveis.

Agora, no relatório e contas de 2018, a AMMG voltou a registar mais DTA, mas numa dimensão significativamente menor, de apenas 8,4 milhões de euros, decorrendo das provisões matemáticas (espécie de “almofada” financeira que acautela as responsabilidades futuras relativas aos produtos da associação) que foram constituídas e dos prejuízos fiscais reportáveis.

Sem esta “benesse fiscal”, a mutualista teria registado prejuízos de mais de seis milhões de euros no ano passado.

De acordo com o programa de ação e orçamento para 2019, estava previsto um lucro de 1,7 milhões, sustentado sobretudo na expectativa de reversão de 42 milhões de euros da imparidade constituída em 2015 e 2017, no montante de 498 milhões de euros, para o Banco Montepio, devido à melhoria do desempenho do banco, o que iria ter um impacto nos resultados da mutualista. Ainda assim, essa expectativa não se concretizou, com a AMMG a manter o valor da participação no banco em 1.878 milhões de euros, deixando inalterada a imparidade de quase 500 milhões, conforme diz no relatório e contas individual. O banco liderado por Dulce Mota deverá apresentar resultados brevemente.

De resto, esta avaliação de 1.878 milhões de euros do banco nas contas da mutualista tem levantado várias reservas da parte dos auditores. A KPMG, responsável pela auditoria às contas da AMMG, deixou esse alerta no ano passado. Do relatório e contas deste ano que chegou às mãos dos conselheiros gerais ainda não constava o parecer dos auditores, nem do conselho fiscal.

A AMMG espera vir a aumentar os lucros este ano, tendo inscrito um resultado positivo de 44 milhões de euros no plano de ação e orçamento para 2019.

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