Fundo norueguês do petróleo vai desinvestir nas petrolíferas

O governo norueguês aprovou um plano para a alienação de empresas do setor da energia que se dediquem em exclusivo à exploração e produção de petróleo e gás. Lista não inclui a Galp Energia.

A Noruega deu um passo em frente com vista a reduzir a exposição do seu fundo soberano, Norges Bank, ao negócio do petróleo. O governo norueguês aprovou um plano que prevê a alienação de participações detidas pelo fundo soberano em empresas que se dediquem em exclusivo à produção de petróleo ou de gás. De fora dessa exclusão estão as companhias integradas. Ou seja, que para além da exploração e produção, se dediquem também às fases seguintes do negócio como a refinação. Este é o caso da Galp Energia.

“O objetivo é reduzir a vulnerabilidade da nossa riqueza comum a um declínio permanente do preço do petróleo“, afirmou Siv Jensen, ministro das finanças norueguês, num comunicado citado pela Bloomberg. “Assim é mais correto vender companhias que explorem e produzam petróleo e gás, em vez de vender um setor de energia que é amplamente vasto”, disse ainda para justificar a seleção de ativos a alienar dentro do setor das energéticas e a sua retirada do universo de investimento do fundo soberano.

Em causa estão posições detidas pelo Norges Bank em 134 empresas, que estão avaliadas em 70 mil milhões de coroas norueguesas (cerca de 7,1 mil milhões de euros). Os alvos das alienações são, segundo o governo norueguês, as empresas classificadas como de exploração e produção que integram o subsetor 0533 do índice FTSE Russell.

Os planos do executivo norueguês passam por uma alienação faseada dessas posições, não estando incluída uma redução de participação na energética estatal Equinor. Entre as empresas que serão excluídas incluem-se a Cairn Energy, onde o fundo detém uma posição de 1,92% que estava avaliada em 22 milhões de dólares no final de 2018. Das suas contas também deixarão de fazer parte uma posição de 2,1%, avaliada em 67 milhões de dólares, na Tullow Oil, bem como uma participação de 1,8% na Premier Oil, que vale 12 milhões de dólares.

As ações do setor da energia representam 5,9% das participações acionistas detidas pelo Norges Bank no final do ano passado, avaliadas em 37 mil milhões de dólares. Mas grande parte desse valor está aplicado em empresas integradas e não em companhias de menor dimensão e dedicadas em exclusivo à exploração e produção.

A Galp Energia faz parte desse maior conjunto de empresas, onde no final do ano passado o fundo norueguês detinha uma posição de 1,33% avaliada em 152 milhões de euros.

Na base da decisão de exclusão dessa categoria de empresas do universo de investimento do Norges Bank não está, segundo o executivo, qualquer visão específica sobre a evolução do preço do petróleo, bem como relativamente à futura rentabilidade e sustentabilidade do setor petrolífero. É salientado ainda que o petróleo vai ser uma importante e das maiores indústrias na Noruega durante muitos dos próximos anos.

A decisão de reduzir a exposição do maior fundo soberano do mundo aos negócios de exploração e produção de petróleo surge numa altura em que a Noruega tem tentado apresentar uma imagem de responsabilidade ambiental ao mesmo tempo em que bombeia a petróleo e gás a um ritmo acelerado.

Aliás, o fundo avaliado em um bilião de dólares foi alimentado ao longo das últimas duas décadas pelas receitas do petróleo e do gás.

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