Norges Bank reduz aposta em Portugal. Saiba onde investe os 1,3 mil milhões de euros

Apesar da redução no montante, o maior fundo soberano do mundo continua a investir em Portugal. Nas ações, há 21 escolhas e a preferida manteve a posição. Na dívida, o Montepio é a novidade.

O maior fundo soberano no mundo, o Norges Bank, reduziu a exposição a Portugal, mas mantém mais de 1,5 mil milhões de dólares (equivalente a cerca de 1,3 mil milhões de euros) aplicados no país. O montante divide-se por 28 investimentos em ações e obrigações portuguesas, incluindo 17 das 18 cotadas do PSI-20.

No campo acionista, o fundo detinha 972 milhões de dólares (854 milhões de euros) em ações portuguesas, revela o relatório anual publicado esta quarta-feira. Tal como no ano passado, a empresa preferida mantém-se a EDP, da qual detém 245 milhões de euros, correspondentes a 2,19% do capital da elétrica, apesar da redução da participação face ao ano passado.

Na energia, acrescem 18,9 milhões de euros da EDP Renováveis, 152 milhões da Galp (1,33% da empresa) e 22,3 milhões da REN. Entre os restantes pesos-pesados do índice português, o Norges Bank detém também 17,6% do capital do BCP (61,2 milhões de euros) e 1,28% da Jerónimo Martins (83,7 milhões de euros).

A única cotada do PSI-20 que ficou de fora do radar do fundo foi a Novabase. Mas no grupo das escolhidas há também empresas que não negoceiam no índice de referência nacional. É o caso das telecoms Sonaecom — da qual o Norges Bank detém 3,6 milhões de euros (0,47%) — e Impresa — em que investiu 656,9 mil euros (2,86%). Também o das industrias, como a Sonae Indústria — onde tem mais de um milhão de euros (1,64%) — e a Teixeira Duarte — na qual tem investidos 177,9 mil euros (0,31%).

Histórico de posições do Norges Bank em ações portuguesas

Fonte: Relatório anual do Norges Bank 2018

Fundo reduz posição na dívida pública, mas entra no Montepio

Já no que diz respeito às obrigações, houve uma ligeira diminuição da posição na dívida pública portuguesa num ano favorável para o país: em que saiu do lixo pelas quatro principais agências de rating, viu os juros a caírem significativamente e reembolsou a totalidade do empréstimo ao Fundo Monetário Internacional. No final do ano passado, o Norges Bank detinha 363 milhões de euros em obrigações do Tesouro português, face aos 405 milhões no ano anterior.

O fundo passou, em 2018, a deter pela primeira vez dívida da Caixa Económica Montepio Geral (CMEG), revela também o relatório. Foram 20,3 milhões de euros e não é conhecida a data em que foi feita a aquisição. No entanto, terá sido ao longo do ano em que o banco falhou a colocação de obrigações no mercado (com o objetivo de reforçar os rácios de capital).

Entre os restantes bancos, o fundo era ainda detentor de dívida da Caixa Geral de Depósitos (15,5 milhões de euros) e do Santander Totta (15,4 milhões de euros). As empresas públicas CP – Comboios de Portugal, IP – Infraestruturas de Portugal e Parpública também estão na lista.

No ano passado, o maior fundo soberano do mundo perdeu quase 50 mil milhões de euros, tendo sido fortemente penalizado pela perda de valor dos investimentos feitos em ações. A turbulência que se fez sentido nos mercados acionistas ditou uma quebra acentuada no valor destes ativos de maior risco e foi um dos principais fatores que contribuiu para a rentabilidade negativa de 6,1%. Ou seja, o Norges Bank valia, no final de 2018, 850 mil milhões de euros.

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