São profissões invulgares, escassas e improváveis. Pagam até 3 mil euros

Têm tanto de improvável como de bem pagas. O ECO foi à procura das profissões mais invulgares e descobriu que os salários de algumas podem atingir os três mil euros por mês.

Ainda que não estejamos a falar de mediadores entre máquinas e humanos ou de advogados especializados nos direitos dos robôs, há profissões que já existem há vários anos e que não deixam, contudo, de poder ser consideradas uma espécie de profissões do futuro. Isto porque a procura é muito superior à oferta e, por isso mesmo, os salários vão escalando, às vezes para mais do triplo da remuneração média mensal em Portugal.

Estas profissões têm, no entanto, tanto de escassas ou de bem pagas, como de improváveis. Não requerem qualquer tipo de formação superior, muitas delas apenas de um curso técnico e, em alguns casos, é a própria empresa a facultar essa formação ao colaborador.

Com o apoio das consultoras de recrutamento Michael Page e Manpower, o ECO fez um levantamento de dez profissões que preenchem estes requisitos: um tanto de invulgares, outro de escassas e de bem remuneradas. Para identificar este conjunto de profissões, foi tomada como referência a remuneração média mensal base nacional, que é, atualmente, de 943 euros em valores brutos.

Dos estivadores aos modeladores de cerâmica sanitária, passando pelos cortadores de carne ou pelos técnicos de manutenção de pesados, conheça a lista completa:

Talvez algumas destas profissões não lhe sejam totalmente conhecidas, o que é suportado, em parte, pela escassez de profissionais. No caso dos modeladores de cerâmica sanitária é evidente: “estamos a falar de uma profissão com grande procura e pouca oferta”, afirma Mara Martinho, consultora da Michael Page Retail. Para ter uma ideia, em Portugal, há pouco mais de duas dezenas de modeladores de cerâmica sanitária.

A falta de oferta no mercado de trabalho destes profissionais faz com que, quanto atingem um perfil mais sénior, os modeladores cheguem mesmo a receber três mil euros mensais. Mas na área dos moldes há mais funções que são difíceis de recrutar, como os retificadores e os operadores de bancada, por exemplo.

Já os cortadores de carne, por sua vez, podem chegar a receber 1.100 euros. O que acontece, normalmente, é que estes profissionais — que não têm qualquer tipo de formação superior e, na maior parte das vezes, são formados internamente, dada a sua escassez — começam por receber entre 700 e 800 euros de remuneração bruta mensal.

De acordo com a Michael Page, mais tarde, “com o acréscimo de funções ao nível da gestão de equipa, análise de indicadores de performance, controlo de HACCP [análise de perigos e controlo de pontos críticos] e realização de inventários”, estes profissionais — já como responsáveis por este tipo de secção — podem chegar a auferir entre os 1.000 e 1.100 euros.

Quase 30% das empresas reforçam o pacote salarial

“Existem algumas profissões cujas vagas, pelo contexto atual da escassez de talento, se tornam desafiantes para o mercado. Isso acontece porque são profissões que carecem de constantes atualizações técnicas. São alvo de atualizações, não só nos conhecimentos, mas também nos próprios materiais e ferramentas utilizadas”, explica Vítor Antunes, managing director da Manpower.

Vítor Antunes salienta, ainda, que este tipo de profissionais deve ter algumas características particulares, nomeadamente “um elevado quociente de aprendizagem e uma curiosidade natural que os mova, no sentido de quererem renovar os seus conhecimentos”.

Mas, perante a dificuldade em conseguir formar, atrair e reter estes profissionais, as organizações vêm-se obrigadas a adaptar-se à (pouca) oferta no mercado. Cerca de 54% das empresas investem no reforço das competências dos colaboradores, 30% opta por formas de contratação direta e 29% reforça os pacotes salariais disponíveis no mercado de trabalho. “É uma excelente notícia do ponto de vista da nossa economia, bem como da atratividade destas funções”, afirma Vítor Antunes.

E, como se a dificuldade não fosse já bastante, estes profissionais são também cobiçados pelos empregadores lá de fora. “Muitas vezes, a concorrência por estes perfis não é apenas nacional. Existem empresas sediadas no estrangeiro que estão a recrutar estes perfis ativamente no mercado nacional, porque de facto somos um povo altamente talentoso e dotado das competências comportamentais mais valorizadas pelas organizações”, refere o managing director da Manpower.

Existem empresas sediadas no estrangeiro que estão a recrutar estes perfis ativamente no mercado nacional, porque de facto somos um povo altamente talentoso e dotado das competências comportamentais mais valorizadas pelas organizações.

Vítor Antunes

Managing director da Manpower

De acordo com os estudos “Talent Shortage Survey” e “ManpowerGroup Employment Outlook Survey”, elaborados pela Manpower Group Portugal, 33% das organizações a nível mundial optam por explorar novas fontes de recrutamento, nas quais se insere Portugal.

Uma carta aos nossos leitores

Vivemos tempos indescritíveis, sem paralelo, e isso é, em si mesmo, uma expressão do que se exige hoje aos jornalistas que têm um papel essencial a informar os leitores. Se os médicos são a primeira frente de batalha, os que recebem aqueles que são contaminados por este vírus, os jornalistas, o jornalismo é o outro lado, o que tem de contribuir para que menos pessoas precisem desses médicos. É esse um dos papéis que nos é exigido, sem quarentenas, mas à distância, com o mesmo rigor de sempre.

Aqui, no ECO, estamos a trabalhar 24 horas vezes 24 horas para garantir que os nossos leitores têm acesso a informação credível, rigorosa, tempestiva, útil à decisão. Para garantir que os milhares de novos leitores que, nas duas últimas semanas, visitaram o ECO escolham por cá ficar. Estamos em regime de teletrabalho, claro, mas com muita comunicação, talvez mais do que nunca nestes pouco mais de três anos de história.

  • Acompanhamos a cobertura da atualidade, porque tudo é economia.
  • Escrevemos Reportagens e Especiais sobre os planos económicos e as consequências desta crise para empresas e trabalhadores.
  • Abrimos um consultório de perguntas e respostas sobre as mudanças na lei, em parceria com escritórios de advogados. Contamos histórias sobre as empresas que estão a mudar de negócio para ajudar o país
  • Escrutinamos o que o Governo está a fazer, exigimos respostas, saímos da cadeira (onde quer que ele esteja) ou usamos os ecrãs das plataformas que nos permitem questionar à distância.

O que queremos fazer? O que dissemos que faríamos no nosso manifesto editorial

  • O ECO é um jornal económico online para os empresários e gestores, para investidores, para os trabalhadores que defendem as empresas como centros de criação de riqueza, para os estudantes que estão a chegar ao mercado de trabalho, para os novos líderes.

No momento em que uma pandemia se transforma numa crise económica sem precedentes, provavelmente desde a segunda guerra mundial, a função do ECO e dos seus jornalistas é ainda mais crítica. E num mundo de redes sociais e de cadeias de mensagens falsas – não são fake news, porque não são news --, a responsabilidade dos jornalistas é imensa. Não a recusaremos.

No entanto, o jornalismo não é imune à crise económica em que, na verdade, o setor já estava. A comunicação social já vive há anos afetada por várias crises – pela mudança de hábitos de consumo, pela transformação digital, também por erros próprios que importa não esconder. Agora, somar-se-ão outros fatores de pressão que põem em causa a capacidade do jornalismo de fazer o seu papel. Os leitores parecem ter redescoberto que as notícias existem nos jornais, as redes sociais são outra coisa, têm outra função, não (nos) substituem. Mas os meios vão conseguir estar à altura dessa redescoberta?

É por isso que precisamos de si, caro leitor. Que nos visite. Que partilhe as nossas notícias, que comente, que sugira, que critique quando for caso disso. O ECO tem (ainda) um modelo de acesso livre, não gratuito porque o jornalismo custa dinheiro, investimento, e alguém o paga. No nosso caso, são desde logo os acionistas que, desde o primeiro dia, acreditaram no projeto que lhes foi apresentado. E acreditaram e acreditam na função do jornalismo independente. E os parceiros anunciantes que também acreditam no ECO, na sua credibilidade. As equipas do ECO, a editorial, a comercial, os novos negócios, a de desenvolvimento digital e multimédia estão a fazer a sua parte. Mas vamos precisar também de si, caro leitor, para garantir que o ECO é económica e financeiramente sustentável e independente, condições para continuar a fazer jornalismo de qualidade.

Em breve, passaremos ao modelo ‘freemium’, isto é, com notícias de acesso livre e outras exclusivas para assinantes. Comprometemo-nos a partilhar, logo que possível, os termos e as condições desta evolução, da carta de compromisso que lhe vamos apresentar. Esta é uma carta de apresentação, o convite para ser assinante do ECO vai seguir nas próximas semanas. Precisamos de si.

António Costa

Publisher do ECO

Comentários ({{ total }})

São profissões invulgares, escassas e improváveis. Pagam até 3 mil euros

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião