Robôs vão roubar trabalhos? Tem havido “alguma precipitação nas previsões”, diz Vieira da Silva

Os avanços tecnológicos vão mudar o mercado de trabalho, mas a par da destruição de algumas profissões, também surgirão oportunidades. Vieira da Silva diz que tem havido "precipitação" no alarme.

Ainda que reconheça que as tecnologias já estão a provocar mudanças no mercado do trabalho, o ministro do Trabalho e da Segurança Social faz questão de sublinhar que tem havido “alguma precipitação” nas previsões que antecipam a eliminação do emprego. Esta segunda-feira, na apresentação do relatório “Trabalhar para o futuro do trabalho”, Vieira da Silva defendeu ainda que a aprendizagem ao longo da vida é a “maior revolução do ponto de vista das políticas públicas” provocada por esses avanços tecnológicos.

No estudo em causa, a Organização Internacional do Trabalho (OIT) identifica dez medidas que devem ser tomadas pelos Governos para proteger os trabalhadores face à robotização, aos novos desafios demográficos e às alterações climáticas. Nessa lista, surge em primeiro lugar a necessidade de reconhecer o direito à aprendizagem ao longo da vida para melhorar as competências dos trabalhadores e permitir o desenvolvimento de novas competências.

Esta segunda-feira, Vieira da Silva escolheu esse ponto como prioridade para a sociedade lusa, tendo em conta “o défice de qualificações em comparação com os países” com os quais Portugal concorre. “A aprendizagem ao longo da vida só se constrói, se a educação for concebida, desde o início, como uma banda larga e não no sentido de ultra especialização“, assinalou o ministro.

Deste modo, o governante reforçou que as escolas e as universidades não podem ser apenas espaços para “completar” a etapa formativa inicial, mas lugares aos quais se regressa para facilitar estas transições provocadas pelos avanços tecnológicos. “Que as nossas escolas e universidades não sejam apenas o espaço onde se completa uma formação universal, mas um espaço onde se regressa para facilitar estas transições”, disse.

Vieira da Silva deixou ainda um nota sobre a necessidade de reforçar a proteção social, nomeadamente ao nível das “formas de trabalho atípicas”, como o trabalho independente. A propósito, o político sublinhou que no início do ano a Segurança Social sofreu uma mudança considerável nesse regime que resultou, precisamente, no reforço da proteção desses trabalhadores.

O ministro salientou, além disso, a necessidade de mitigar as desigualdades entre géneros, considerando que há uma potencial “reserva de recursos humanos” na população feminina que “pode ser mobilizada para responder aos desafios demográficos”.

Sobre o mercado de trabalho lusitano, o ministro acrescentou: “Em Portugal, se comparamos o emprego de 2008 e o emprego de 2018, verificamos que o emprego global é ainda inferior ao de 2008, mas o trabalho de conta de outrem já é mais alto. A profecia da eliminação do trabalho por conta outrem é um bocadinho exagerada“. Vieira da Silva enfatizou que tanto o trabalho independente como o por conta de outrem estão sujeito a destruição e criação, daí que note “alguma precipitação” nas previsões que antecipam a eliminação do emprego.

“Não imaginamos um futuro sem trabalho nem sem tecnologia”, corroborou esta ideia Rebeca Grynspan, membro da Comissão Global sobre o Futuro do Trabalho. A responsável considerou, do mesmo modo, “alarmistas” os dados que deixam antever o desaparecimento do emprego e rematou: “A nossa preocupação não é com o trabalho, é com o acesso às oportunidades. Há um skills mismatch”. Grynspan referia-se à desadequação das competências dos atuais trabalhadores relativamente às reais necessidades dos trabalhadores.

Também a propósito da aprendizagem ao longo da vida, Rebeca Grynspan disse: “O direito à aprendizagem contínua durante toda a vida não é nada mais que o alargamento ao direito à educação e permite aos trabalhadores reintegrarem-se neste mundo em mudança”.

A responsável concluiu: “A primeira revolução industrial duplicou a nossa esperança de vida. Porque é que tem de ser diferente desta vez? Esta revolução industrial promete um sem fim de coisas boas. O potencial da tecnologia é infinito, mas não podemos concretiza-lo sem a vontade firme de todos. A revolução tecnológica não depende da máquina, depende de nós, da nossa ambição”.

No relatório em causa, a OIT identifica a inteligência artificial, a automação e a robótica como principais causas da eliminação de postos de trabalho para humanos, mas sublinha que essas mesmas “forças” vão criar novas oportunidades.

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