Crédito automóvel trava em janeiro para mínimos de dois anos

Os bancos e as financeiras concederam 222 milhões de euros em empréstimos para a compra de carro em janeiro. É o valor homólogo mais baixo desde 2017.

O arranque de 2019 é marcado por uma quebra na concessão de crédito para a aquisição de automóvel. Em janeiro, os bancos e as financeiras concederam 222 milhões de euros em empréstimos para esse fim. Trata-se do valor homólogo mais baixo desde o arranque de 2017.

Dados divulgados pelo Banco de Portugal, nesta sexta-feira, mostram que os 222.116 milhares de euros em empréstimos para a compra de carro disponibilizados no primeiro mês deste ano representam uma quebra, tanto em termos mensais como homólogos.

Ficam 48 milhões de euros aquém (-18%) dos 270.588 milhares de euros concedidos em dezembro, sendo ainda o valor mais baixo desde setembro de 2017. De salientar que janeiro, tradicionalmente é um mês de quebra deste tipo de financiamento.

Contudo, em termos homólogos, observou-se neste primeiro mês de 2019 uma inversão de tendência após pelo menos cinco anos marcados por crescimentos consecutivos da concessão de crédito automóvel. Face a janeiro de 2018, a quebra é de 2,9%, ou o equivalente a 6,6 milhões de euros.

Crédito automóvel recua em janeiro

Fonte: Banco de Portugal

A maior quebra homóloga nos níveis de concessão verificou-se na venda de carros novos com reserva de propriedade. O recuo foi na ordem dos 13,5%, passando de cerca de 46 milhões de euros, para quase 40 milhões. Já a venda de novos através de locação financeira ou ALD baixou 1,9%, para 25,8 milhões de euros.

Nos veículos usados, os créditos com reserva de propriedade mantiveram-se quase estáveis nos 148,8 milhões de euros. Apenas os créditos de usados em locação financeira ou ALD aumentaram entre janeiro de 2018 e janeiro deste ano. O crescimento foi de 2,3%, para 7,8 milhões de euros.

Outras finalidades não acompanham travagem do automóvel

A quebra verificada na concessão de financiamento automóvel foi a principal responsável para que a concessão de crédito ao consumo se tenha mantido quase inalterada no primeiro mês deste ano face ao período homólogo. Nas restantes finalidades, manteve-se a evolução crescente.

A categoria de outros créditos pessoais sem finalidade específica e lar — onde encaixam habitualmente os financiamentos para a compra de férias ou eletrodomésticos — registou em janeiro um aumento da concessão de 0,9%, para 240,5 milhões de euros, numa base homóloga.

Na finalidade de crédito pessoal para educação, saúde, energias renováveis e locação financeira de equipamentos ocorreu um aumento de 43,5%, em termos homólogos, para 7,3 milhões de euros.

No que respeita ao crédito concedido através dos cartões de crédito, linhas de crédito, contas correntes bancárias e facilidades de descoberto, verificou-se um crescimento homólogo de 4,7%, para 96,3 milhões de euros em janeiro deste ano.

Face a esse cenário, a nova concessão de crédito ao consumo manteve-se praticamente estável em janeiro deste ano comparativamente com o mesmo mês do ano passado, nos 566,3 milhões de euros. Face a dezembro, verificou-se uma quebra de 9%.

(Notícia atualizada às 15h49 com mais informação)

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