Depois do travão, economia dá sinais de recuperação no arranque do ano

Várias instituições têm revisto em baixa a previsão de crescimento para este ano. Indicadores para a economia portuguesa dão sinais mistos.

A economia portuguesa terá recuperado em janeiro, com o indicador de atividade económica calculado pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) a crescer 2,4% no primeiro mês do ano, evidenciando uma aceleração face a dezembro de 2018. Esta retoma coloca o indicador no patamar de maio do ano passado.

O INE divulgou esta terça-feira a síntese económica de conjuntura, uma publicação que reúne um conjunto de indicadores sobre a economia portuguesa e que permite ao instituto calcular um novo indicador a partir da informação já publicada. O indicador de atividade económica ajuda a perceber a tendência de evolução do PIB, mas não dá a variação do PIB.

“O indicador de atividade económica aumentou em janeiro, após ter estabilizado em novembro e dezembro”, diz o INE. Esta tendência é conhecida ao mesmo tempo que várias organizações cortam nas projeções de crescimento para Portugal e a um mês de o Governo atualizar previsões.

O ministro das Finanças, Mário Centeno, admitiu que o corte nas previsões pode chegar a “duas décimas”, o que a confirmar-se coloca a previsão do Executivo em 2%, contra os 2,2% projetados em outubro. Centeno resiste a um corte maior por identificar “sinais mistos” na economia.

O governante reconhece que as exportações estão a desacelerar, mas admite que existem outros indicadores a apontar em sentido contrário, referindo-se à cobrança fiscal e à receita com contribuições para a Segurança Social, bem como à evolução dos indicadores coincidentes do Banco de Portugal, que também apresentaram melhorias recentes.

Apesar disso, a tendência geral é de corte nas previsões para Portugal e para a Zona Euro, para onde Portugal dirige mais de três quartos das suas trocas comercias. Em setembro do ano passado, o Conselho das Finanças Públicas projetava um crescimento de 1,9% este ano ano, mas agora antecipa uma subida do PIB de apenas 1,6%.

O Banco Central Europeu (BCE) aponta para um crescimento de 1,1% na Zona Euro, contra uma previsão anterior de 1,7%.

Para fevereiro, os indicadores qualitativos apurados pelo INE traçam um cenário de recuperação. “O indicador de clima económico, já disponível para fevereiro, aumentou, interrompendo o movimento descendente observado nos três meses precedentes”.

O INE produz ainda outro indicador mais relacionado com o consumo das famílias. “O indicador quantitativo do consumo privado desacelerou ligeiramente em janeiro, após ter acelerado no mês anterior, em resultado do contributo positivo menos intenso da componente de consumo corrente, tendo a componente de consumo duradouro apresentado um contributo positivo mais intenso”, diz o INE. O consumo privado pesa cerca de dois terços na formação do PIB.

 

 

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