Centeno sobre a Zona Euro: “Enquadramento económico tornou-se mais incerto e dominado por riscos descendentes”

Indicador da OCDE para Portugal cai há seis meses. Governo alemão corta previsão de crescimento para este ano. Presidente do Eurogrupo quer políticas inclusivas perante travagem na Zona Euro.

Mário Centeno defende que políticas inclusivas na Zona Euro são ainda mais importantes numa altura em que o bloco do euro enfrenta um abrandamento económico. O presidente do Eurogrupo admite que o enquadramento económico tornou-se “mais incerto e dominado por riscos descendentes”.

O líder dos ministros das Finanças do espaço da moeda única falava num debate com parceiros europeus sobre a situação macroeconómica, que antecede as reuniões do Eurogrupo (esta segunda-feira) e do Ecofin (marcada para terça-feira).

“Depois de um desempenho excecional em 2017, o ritmo de crescimento caiu”, diz Centeno, acrescentando que, “apesar disso, o desempenho do mercado de trabalho foi bom. Continuaram a criar-se novos empregos e o desemprego na Zona Euro está agora perto dos níveis pré-crise”.

No entanto, o presidente do Eurogrupo antevê tempos mais desafiantes. “O enquadramento económico tornou-se mais incerto e dominado por riscos descendentes”, diz Centeno, defendendo que políticas inclusivas são “ainda mais importantes atualmente porque é expectável que o ritmo de crescimento seja ainda mais moderado”.

O enquadramento económico tornou-se mais incerto e dominado por riscos descendentes.

Mário Centeno

Presidente do Eurogrupo

A ideia de um abrandamento económico na Zona Euro tem vindo a ganhar força à medida que as instituições cortam as previsões de crescimento. O Banco Central Europeu reviu em baixa a previsão de crescimento para o euro de 1,7% para 1,1% este ano. Antes, a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) tinha também revisto em baixa as projeções de 1,9% para 1%, com a Comissão Europeia a passar de 1,9% para 1,3%. Em abril será a vez do Fundo Monetário Internacional (FMI) atualizar as previsões.

Segundo Centeno, os riscos “resultam essencialmente de fatores externos, como as tensões comerciais e tendências protecionistas. Mas há fatores internos relacionados com incerteza orçamental em alguns países que não podem ser ignorados também”. O também ministro português das Finanças tem pedido, enquanto presidente do Eurogrupo, que se pare de falar de crise para classificar a desaceleração.

O abrandamento económico no euro deverá afetar o crescimento económico em Portugal. O Ministério das Finanças tem de enviar em abril para a Comissão Europeia a atualização do Programa de Estabilidade e Mário Centeno já assumiu que o corte na previsão para Portugal pode ir até às “duas décimas”. Neste cenário, o Governo passa a prever um crescimento económico de 2%, em vez dos 2,2% que projetava em outubro passado. No entanto, esta revisão em baixa das previsões pode não ser suficiente, segundo os economistas contactados pelo ECO. Além disso, tanto o FMI como o Banco de Portugal já têm previsões de 1,8% há algum tempo.

O cenário de travagem é também notório no indicador avançado compósito criado pela OCDE, divulgado esta segunda-feira, e que voltou a cair em janeiro deste ano, pelo sexto mês seguido.

O diário alemão Handelsblatt avança esta segunda-feira que o Governo da maior economia do euro se prepara para cortar de novo a previsão de crescimento económico para este ano de 1% para 0,8%. Esta revisão é a segunda em menos de dois meses. A Reuters escreve que o anterior corte partiu de uma projeção de crescimento do PIB de 1,8%, o que significa que se trata de um corte para quase metade na previsão de crescimento.

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