Acionistas do grupo DIA apoiam estratégia de multimilionário russo para salvar empresa

  • Lusa
  • 20 Março 2019

O projeto do investidor russo Mikhail Fridman prevê uma recapitalização de 500 milhões de euros da cadeia de supermercados espanhola.

A assembleia-geral de acionistas dos supermercados DIA, dona do português Minipreço, decidiu esta quarta-feira em Madrid aceitar a estratégia do multimilionário russo Mikhail Fridman para tentar salvar a empresa da falência.

Fridman, que através da LetterOne assegura uma participação de 29% no grupo DIA, tinha na reunião mais de metade das ações representadas, o que lhe garantiu o sucesso nas votações feitas por maioria absoluta do capital presente. O projeto do investidor russo prevê uma recapitalização de 500 milhões de euros da cadeia de supermercados, condicionada ao êxito da OPA (de 0,67 euros por ação) que lançou e a um acordo com a banca credora para alargar os prazos de vencimento da dívida do grupo.

O atual conselho de administração do DIA não conseguiu, assim, levar para a frente a sua proposta de realizar uma “operação-harmónio”, que se traduzia numa redução de capital inicial para, posteriormente, proceder ao aumento de capital de 600 milhões de euros. A proposta perdedora era apoiada, entre outros, pelo investidor português Luís Amaral, que controla a polaca Eurocash e que detém a posição no grupo Dia através da empresa Western Gate, com 2%.

O grupo DIA, que celebra o seu 40.º aniversário este ano, tem atualmente uma rede de mais de 6.100 lojas e mais de 43.000 trabalhadores espalhados por Espanha, Portugal (Minipreço), Brasil e Argentina. As vendas do grupo têm vindo a cair nos últimos três anos — passou de 9.000 milhões de euros em 2015 para 7.288 milhões em 2018, 18% a menos –, devido, entre outros fatores, ao aumento da concorrência em Espanha, onde passou da segunda para a terceira posição em termos de quota de mercado.

O seu lucro também registou uma tendência de queda nos últimos anos até registar 352 milhões de euros de perdas no ano passado. Cada ação da empresa era comprada há um ano a 3,5 euros, quase seis vezes mais do que o preço atual (0,62 euros). A cotação evoluiu para baixo durante a maior parte de 2018, mas o “colapso” ocorreu em outubro último (num só dia perdeu 42%), quando foi anunciado o agravamento das previsões para o ano passado e adotados uma série de ajustes para o exercício de 2017.

O colapso sofrido fez com que a empresa fosse excluída do mercado bolsista de Madrid Ibex 35 no final de dezembro de 2018. Em Portugal a empresa tinha no final do ano passado 223 estabelecimentos próprios e 309 franchisados com as marcas Minipreço, Mais Perto e Clarel.

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