Mário Nogueira baixa expectativas: “Hoje há menos 50 mil professores do que em 2008”

Professores manifestam-se esta tarde em Lisboa. Governo pode ter de novo professores na rua um dia antes das eleições legislativas, marcadas para 6 de outubro.

O secretário-geral da Fenprof, Mário Nogueira, lembrou este sábado que “hoje há menos 50 mil professores do que em 2008”, desvalorizando assim as comparações entre a manifestação que acontece este sábado em Lisboa e a que aconteceu em 2008, quando Maria de Lurdes Rodrigues era ministra da Educação, também de um Governo PS, um protesto que pela dimensão que teve serve como referência para o de hoje.

Mário Nogueira deixava esta nota em declarações à Sic Notícias no início da concentração dos professores, que se vão concentrar no Terreiro do Paço, que está a ser vista como um teste à força desta classe profissional.

O próximo passo é estar presente no Parlamento a 16 de abril quando forem discutidas as apreciações parlamentares de PSD, Bloco de Esquerda e PCP sobre a contagem do tempo de serviço na carreira dos professores.

Se os professores não conseguirem o que querem através do Parlamento, então marcarão uma manifestação para 5 de outubro, o dia do professor e véspera das eleições legislativas, marcadas para 6 de outubro.

O Governo aprovou a contagem de dois anos, nove meses e 18 dias de tempo de serviço na carreira dos professores. Mas os docentes querem que lhes seja contado todo o tempo em que a carreira esteve congelada e que corresponde a um total de nove anos, quatro meses e dois dias.

Em declarações à Sic Notícias, Mário Nogueira afirmou que a manifestação deste sábado serve como um “grande protesto, um voto de repúdio” pela solução que o Governo aprovou.

Os professores têm agora a expectativa que no dia de 16 de abril o Parlamento aprove uma solução que nasça dos partidos. O que os professores querem “não é aumentar salários, criar uma nova carreira. É que seja pago o tempo de trabalho cumprido”. O Governo “não tinha o direito de roubar” este tempo aos professores, disse.

O que os professores querem não é aumentar salários, [não é] criar uma nova carreira. É que seja pago o tempo de trabalho cumprido.

Mário Nogueira

Questionado sobre a comparação desta manifestação com a de 2008 quando os docentes contestavam alterações na avaliação, Nogueira defendeu que é preciso ter em conta que “hoje há menos 50 mil professores do que em 2008”. Na altura “tínhamos perto de 160 mil professores”.

“Aquela manifestação é irrepetível porque já não temos aqueles professores”, argumentou. No entanto, disse que a manifestação desta tarde será “uma manifestação proporcionalmente” forte.

Nogueira diz que as próximas formas de luta vão depender do resultado do debate no Parlamento a 16 de abril. Os professores estarão na Assembleia nesse dia e em cima da mesa está, caso o resultado não seja o que pretendem, começar greves às avaliações no início de junho e ir para a rua a 5 de outubro.

O Bloco de Esquerda e o PCP apresentaram propostas que preveem o faseamento por vários do pagamento do tempo que falta. Na proposta do Bloco a contagem termina em 2023, no último ano da próxima legislatura, enquanto na proposta comunista vai além disso – até 2025.

(Notícia atualizada)

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