São as futuras cotadas da Europa. E passaram por Lisboa

São tecnológicas e piscam o olho à bolsa. O programa TechShare trouxe a Portugal 135 de oito países diferentes, que já resultou em quatro IPO. Há nove portugueses entre as potenciais cotadas.

A bolsa é uma realidade longínqua para a maioria das empresas e, nalguns casos, uma espécie de “bicho papão”. É este o mito com que a Euronext quer acabar através do programa TechShare, direcionado para tecnológicas europeias. O último encontro da edição deste ano aconteceu em Lisboa e, apesar de esse não ser o grande objetivo, até há a quem seduza a ideia de ter o capital representado por ações que sobem e descem na bolsa.

“A bolsa não está próxima, mas também não queria uma experiência de capital de risco, portanto a Euronext contactou-nos na Web Summit e convidou-nos para participar”, explicou Eduardo Dias, co-fundador e CEO da Viva Superstars. Esta é uma nove empresas portuguesas que participaram na edição de 2018 – 2019 do TechShare. Ao todo, são 135 de oito países diferentes: Portugal, Bélgica, França e Holanda (cujas bolsas são geridas pela Euronext), bem como Alemanha, Espanha, Itália e Suíça (TechHubs).

O desagrado de João Mota com o capital de risco prende-se com o papel do investidor. “Não queremos quem interfira na gestão. O mercado [acionista] é interessante porque o investidor também não quer interferir na gestão”, explicou o empresário, cuja atividade se baseia na interatividade digital dos consumidores com conteúdos televisivos. O forte é o desporto, mas também há outros conteúdos de entretenimento. A meta é a internacionalização e duplicar o volume de negócio este ano, face ao anterior, para 800 mil euros.

A posição sobre o capital de risco não é, no entanto, consensual. Francisco Rodrigues, CEO da startup de desenvolvimento e consultadoria no campo da fotónica integrada, a PICadvanced, conta que ainda está a escolher entre venture capital ou dispersão em bolsa, depois de terem chegado a um patamar de autossustentação. A maior parte do negócio é nos EUA, mas precisam de financiamento para a produção de novos componentes e aumentar o volume de negócios. “Viemos ver, aprender e ter as perspetivas abertas”, afirmou Francisco Rodrigues.

Os planos da tecnológica vinícola Wine With Spirit já têm forma mais definida e é a única empresa que arrisca um horizonte temporal para a abertura do capital: dois a cinco anos. Até lá, vai continuar no private equity.

“Começámos por ser uma empresa exportadora porque Portugal é um mercado muito conservador”, afirmou Clara Niza, acionista e CFO. Após terem chegado ao mercado português em 2014 e presentes agora em 10 países, a winetech quer expandir para os países do Benelux — Bélgica, Países Baixos e Luxemburgo — e no Reino Unido e procuram atualmente financiamento entre 1,5 e 2 milhões de euros.

No caso da Void, a entrada em bolsa “não faz sentido”, como explicaram os advisors ao business developer da empresa, João Mota. “Temos participações em quatro startups, em troca de equity, e o nosso objetivo é continuar a desenvolver o ecossistema”, disse o responsável da empresa cujo volume de negócios atingiu um milhão de euros em 2018. Mas mesmo sem intenção de lançar alguma vez uma oferta pública inicial (IPO, na sigla em inglês), as empresas são bem-vindas.

O CEO da Euronext Paris e head of listing do grupo, Anthony Attia, explicou que há muito trabalho a fazer antes de um IPO e a maior parte dos participantes ainda não está pronto para esse passo. “O TechShare não serve para convencer ninguém a abrir o capital, mas sim para que tenham sucesso caso o decidam fazer”, afirmou, acrescendo que, apesar disso, houve quatro empresas (todas estrangeiras) que fizeram IPO depois o curso.

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