Portugal já desistiu da alta-velocidade, mas Bruxelas não

Uma das prioridades do próximo quadro comunitário deve ser a aposta no setor dos transportes, defende a Comissão Europeia. A ferrovia surge no topo seja transfronteiriça ou nas áreas metropolitanas.

Esperamos pelo momento em que Lisboa e Madrid estejam ligados por um comboio de alta velocidade. Está planeado há décadas“, desabafa o diretor da DG Regio. Rudolf Niessler, num encontro com jornalistas, esta terça-feira, sobre as orientações para o investimento e a política de Coesão em Portugal no período 2021-2027, sublinhou a necessidade de Portugal apostar mais na ferrovia, seja nas ligações transfronteiriças, seja nas áreas metropolitanas.

E se para Bruxelas o TGV “é um ponto que deve surgir”, nas palavras de Niessler, para Portugal, nas palavras de António Costa, o assunto é “tabu”. O primeiro-ministro disse, em entrevista ao jornal espanhol ABC, em fevereiro de 2018, que “a alta velocidade é um tema tabu na política portuguesa e vai sê-lo por muito tempo”. E acrescentou que “um dia” terá de se olhar para este tipo de rede ferroviária, que está a crescer na maior parte da Península Ibérica e na qual Portugal “estará de fora”.

Ora para que Portugal não fique de fora, a recomendação da Comissão Europeia é de que Portugal invista mais no setor dos transportes. “Portugal deve investir na ferrovia a dois níveis: as ligações transfronteiriças e nas áreas metropolitanas“, diz o diretor da DG Regio. Para Rudolf Niessler Portugal também deve apostar nas ligações a Espanha através do norte de Portugal. A nível das áreas urbanas é preciso reduzir a dependência do carro e “embora não haja uma solução simples”, a “beleza está na diversidade de soluções”, através da utilização de outros meios de transporte.

Portugal deve investir na ferrovia a dois níveis: as ligações transfronteiriças e nas áreas metropolitanas.

Rudof Niessler

Diretor da DG Regio

O “modelo tem mudar” porque Portugal “tem das taxas mais elevadas de utilização de carros na Europa: 80% de todos os quilómetros viajados são feitos de carro”, sublinha Niessler recordando uma estatística recente do Eurostat. “Portugal está muito além dos valores dos outros países. Isto deve mudar por isso sugerimos que a prioridade deve ser investir nos transportes.”

Mas há mais onde Portugal deve investir os cerca de 24 mil milhões de euros que Bruxelas lhe propõe atribuir para o pós-Portugal 2020 — um valor que ainda não sofreu alterações, apesar das críticas nacionais ao corte que a Comissão está a propor. Qualificações é um dos temas que surge no topo da agenda, até porque o país não pode ser competitivo se a mão-de-obra não for de alta qualidade. “Portugal tem um problema de adequação entre aquilo que o mercado necessita e as qualificações existentes”, sublinha Andriana Sukova, diretora-geral adjunta da DG Emprego. A responsável elogia os progressos feitos por Portugal nos últimos anos e sublinha que a necessidade de investir nas qualificações é transversal a todos os Estados membros. Mas se em Portugal “os números globais estão bem”, quando “vistos à lupa” há coisas que têm de ser melhoradas.

A Comissão defende a definição de objetivos para que depois se possam misturar fundos e modelos para as soluções encontradas. Mas há um ponto que está assente: a Comissão continua a insistir numa redução da taxa de cofinanciamento porque a Europa está a crescer e as taxas agora em vigor foram definidas num momento de crise. “Todos os países da Europa estão a crescer. A Europa regista o mais elevado nível de emprego de sempre e a taxa de desemprego também é a mais baixa de sempre (6,5%). Se isto não é um bom momento, não sei o que será“, ironizou Andriana Sukova.

A responsável reconhece que o tema continua a ser discutido, mas defende que a redução da taxa de cofinanciamento aumenta a “propriedade do Governo”. Um Governo que deve ainda tomar “a decisão difícil de onde não insistir”, alerta Niessler porque as necessidades são muitas e “os fundos só por si não chegam” e há que apostar onde eles possam fazer a diferença.

A Comissão pede ainda “uma concentração de fundos em alguns objetivos para se obter o melhor resultado possível desse investimento”, disse Rudolf Niessler sublinhando o crescimento inteligente como a prioridade da Política de Coesão e a área da inclusão social para o Fundo Social Europeu.

Uma carta aos nossos leitores

Vivemos tempos indescritíveis, sem paralelo, e isso é, em si mesmo, uma expressão do que se exige hoje aos jornalistas que têm um papel essencial a informar os leitores. Se os médicos são a primeira frente de batalha, os que recebem aqueles que são contaminados por este vírus, os jornalistas, o jornalismo é o outro lado, o que tem de contribuir para que menos pessoas precisem desses médicos. É esse um dos papéis que nos é exigido, sem quarentenas, mas à distância, com o mesmo rigor de sempre.

Aqui, no ECO, estamos a trabalhar 24 horas vezes 24 horas para garantir que os nossos leitores têm acesso a informação credível, rigorosa, tempestiva, útil à decisão. Para garantir que os milhares de novos leitores que, nas duas últimas semanas, visitaram o ECO escolham por cá ficar. Estamos em regime de teletrabalho, claro, mas com muita comunicação, talvez mais do que nunca nestes pouco mais de três anos de história.

  • Acompanhamos a cobertura da atualidade, porque tudo é economia.
  • Escrevemos Reportagens e Especiais sobre os planos económicos e as consequências desta crise para empresas e trabalhadores.
  • Abrimos um consultório de perguntas e respostas sobre as mudanças na lei, em parceria com escritórios de advogados. Contamos histórias sobre as empresas que estão a mudar de negócio para ajudar o país
  • Escrutinamos o que o Governo está a fazer, exigimos respostas, saímos da cadeira (onde quer que ele esteja) ou usamos os ecrãs das plataformas que nos permitem questionar à distância.

O que queremos fazer? O que dissemos que faríamos no nosso manifesto editorial

  • O ECO é um jornal económico online para os empresários e gestores, para investidores, para os trabalhadores que defendem as empresas como centros de criação de riqueza, para os estudantes que estão a chegar ao mercado de trabalho, para os novos líderes.

No momento em que uma pandemia se transforma numa crise económica sem precedentes, provavelmente desde a segunda guerra mundial, a função do ECO e dos seus jornalistas é ainda mais crítica. E num mundo de redes sociais e de cadeias de mensagens falsas – não são fake news, porque não são news --, a responsabilidade dos jornalistas é imensa. Não a recusaremos.

No entanto, o jornalismo não é imune à crise económica em que, na verdade, o setor já estava. A comunicação social já vive há anos afetada por várias crises – pela mudança de hábitos de consumo, pela transformação digital, também por erros próprios que importa não esconder. Agora, somar-se-ão outros fatores de pressão que põem em causa a capacidade do jornalismo de fazer o seu papel. Os leitores parecem ter redescoberto que as notícias existem nos jornais, as redes sociais são outra coisa, têm outra função, não (nos) substituem. Mas os meios vão conseguir estar à altura dessa redescoberta?

É por isso que precisamos de si, caro leitor. Que nos visite. Que partilhe as nossas notícias, que comente, que sugira, que critique quando for caso disso. O ECO tem (ainda) um modelo de acesso livre, não gratuito porque o jornalismo custa dinheiro, investimento, e alguém o paga. No nosso caso, são desde logo os acionistas que, desde o primeiro dia, acreditaram no projeto que lhes foi apresentado. E acreditaram e acreditam na função do jornalismo independente. E os parceiros anunciantes que também acreditam no ECO, na sua credibilidade. As equipas do ECO, a editorial, a comercial, os novos negócios, a de desenvolvimento digital e multimédia estão a fazer a sua parte. Mas vamos precisar também de si, caro leitor, para garantir que o ECO é económica e financeiramente sustentável e independente, condições para continuar a fazer jornalismo de qualidade.

Em breve, passaremos ao modelo ‘freemium’, isto é, com notícias de acesso livre e outras exclusivas para assinantes. Comprometemo-nos a partilhar, logo que possível, os termos e as condições desta evolução, da carta de compromisso que lhe vamos apresentar. Esta é uma carta de apresentação, o convite para ser assinante do ECO vai seguir nas próximas semanas. Precisamos de si.

António Costa

Publisher do ECO

Comentários ({{ total }})

Portugal já desistiu da alta-velocidade, mas Bruxelas não

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião