José Veiga foi testa de ferro da filha do presidente do Congo na compra de apartamento na Trump Tower, diz ONG

ONG Global Witness diz que tem provas que José Veiga mentiu e que foi mesmo testa de ferro para comprar apartamento na Trump Tower com dinheiro desviado dos cofres públicos do Congo.

A organização não-governamental Global Witness acusou esta quarta-feira o empresário português José Veiga de ter servido de testa-de-ferro da filha do presidente da República do Congo, Claudia Sassou-Nguesso, na compra de um apartamento na Trump International Tower em Nova Iorque, no valor de 7,1 milhões de dólares, fundos que a ONG suspeita que tenham sido desviados do tesouro congolês.

Em 2017, o semanário Expresso já tinha dado conta da operação e do envolvimento de José Veiga, que na altura respondeu ao semanário garantindo que o apartamento tinha sido comprado por uma empresa de que era acionista, com os meios da própria empresa e que o negócio era “totalmente alheio a terceiros, nomeadamente à família do presidente do Congo”.

No entanto, a Global Witness garante que teve acesso a documentos que provam que José Veiga mentiu na resposta que deu ao jornal português e que terá mesmo servido de intermediário para a operação de compra do apartamento na Trump Tower em Nova Iorque.

“Uma nova investigação da Global Witness revela que uma empresa que pertence a Claudia Sassou-Nguesso, membro do parlamento congolês, porta-voz e filha do presidente do Congo Denis Sassou-Nguesso, providenciou os fundos para a compra do apartamento usando milhões de dólares de dinheiro público congolês. Os salários dos funcionários públicos no Congo muito dificilmente poderiam financiar este tipo de propriedade de luxo. Há fortes indícios de que os fundos foram desviados do tesouro congolês. [José] Veiga foi apenas testa de ferro para Claudia Sassou-Guesso neste negócio”, diz a organização.

A organização recuperou as explicações de José Veiga para lembrar que o empresário português deu o usufruto do apartamento à filha e à neta do presidente do Congo, país no qual tem negócios que estão a ser investigados pelas autoridades portuguesas no âmbito da operação Rota do Atlântico.

Os 7,1 milhões de dólares usados na compra do apartamento, que terão saído dos cofres públicos da República do Congo, foram canalizados através de offshores, numa operação que contou com o apoio da empresa construída pelo atual presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Os fundos foram ainda usados para pagar as elevadas despesas de condomínio.

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