Correos investem em Portugal. Querem entregar 35 milhões de encomendas em cinco anos

A empresa pública espanhola Correos, que está prestes a iniciar operações em Portugal, quer entregar 35 milhões de encomendas de ou para Espanha em cinco anos. Empresa promete investir mais.

À esquerda, Nuno Rangel (Rangel Expresso). À direita, Juan Quintana (Correos).D.R.

Só falta a aprovação final do regulador da concorrência para que o grupo Correos inicie operações em Portugal, passando a concorrer com os CTT no negócio da entrega de encomendas. A empresa pública espanhola de correio comprou 51% da Rangel Expresso por mais de 11,2 milhões de euros, para criar uma rede ibérica que dê resposta ao fluxo crescente de encomendas entre os países vizinhos, devido ao comércio eletrónico.

A nova empresa, Correos Express Portugal, vai empregar cerca de 160 colaboradores e usar as 12 instalações da Rangel Expresso tem no território nacional. A rede conta ainda com as outras 55 instalações que a Correos tem em Espanha. O objetivo com este negócio passa por entregar um total de 35 milhões de encomendas de ou para Espanha ao longo dos próximos cinco anos e um crescimento das vendas do grupo de 2,5 vezes.

Nos primeiros três anos vamos investir cerca de quatro milhões de euros, essencialmente em tecnologia.

Juan Manuel Serrano Quintana

Presidente executivo do grupo Correos

“Nos primeiros três anos vamos investir cerca de quatro milhões de euros, essencialmente em tecnologia”, disse Nuno Rangel, presidente executivo do grupo Rangel, numa conferência de imprensa esta quarta-feira, em Lisboa. Entre as prioridades está a automatização das instalações. Questionado pelo ECO sobre prazos para início oficial desta parceria, Nuno Rangel disse esperar que a aprovação da Autoridade da Concorrência (AdC) chegue até ao final de abril. Esta nova parceria promete duplicar a quota de mercado da Rangel Expresso dos atuais 6% para 12% até 2023, espera a companhia.

“Estamos a dar um passo importante e em tempo recorde. Tivemos muito pouco tempo”, afirmou Juan Manuel Serrano Quintana, presidente executivo da Correos. Sobre eventuais reforços no capital da Rangel Expresso após a compra dos 51%, o gestor espanhol disse apenas que, para já, não existem planos para “alcançar os 100%” de posição na empresa portuguesa. Como fator diferenciador da concorrência, a Correos Express Portugal promete rapidez: “Queremos ser a melhor empresa de entrega de encomendas em Portugal”, atirou.

O comércio eletrónico tem vindo a ganhar expressão no país, mas a tendência portuguesa é diferente da espanhola. Nuno Rangel explicou que, enquanto só 37% dos consumidores espanhóis compram fora do mercado doméstico, mais de 85% dos portugueses só fazem compras online lá fora. Espanha é, por isso, um mercado apetecível para o grupo Rangel: “O que nos agradou foi que a Correos quis um sócio”, disse. E numa mensagem indireta para a concorrência, reforçou: “A partir de agora, passamos a estar de igual para igual”.

(Notícia atualizada às 11h12 com mais informações)

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