Pedro Nuno Santos chama petrolíferas à discussão sobre a greve dos camionistas

O ministro das Infraestruturas e Habitação esteve na origem do acordo que travou a greve dos motoristas de transporte de matérias perigosas e defende que as petrolíferas devem ser chamadas ao debate.

O Ministro das Infraestruturas e Habitação, Pedro Nuno Santos, defendeu esta segunda-feira que as petrolíferas devem ser chamadas à discussão em torno da greve dos motoristas de matérias perigosas que na última semana parou o país.

“Há uma terceira parte que não tem estado no debate que são as petrolíferas, as gasolineiras (…) que têm um poder muito grande no mercado e que têm conseguido passar ao lado deste debate”, afirmou Pedro Nuno Santos, em entrevista à TVI, recordando que “as empresas de transporte de mercadorias não têm grande margem de rentabilidade”.

O ministro, que esteve na origem do acordo que travou a greve, recusou as críticas de que o Governo não agiu atempadamente, antes preferindo falar do “sucesso em conseguir parar a greve em tão pouco tempo”. Pedro Nuno Santos reconhece que o Executivo “fez uma coisa pouco ortodoxa” ao aprovar “uma requisição civil com pouco mais de 24 horas após o início da greve”, mas diz que agiu de acordo com as informações que lhe chegavam.

“A decisão que nós tínhamos que tomar era prender individualmente quem não estava a cumprir os serviços mínimos”, afirmou o ministro das Infraestruturas, reconhecendo que “isso não resolvia nada”. Para Pedro Nuno Santos o facto de os sindicatos não terem acatado os serviços mínimos “é uma questão que nos deve preocupar”.

O ministro considera que o facto de “entre 600 a 800 [pessoas] terem provocado um prejuízo desproporcional a 10 milhões de portugueses” deve “servir de reflexão”.

 

Não há nenhuma razão para que as nossas forças de segurança não tenham competências e estejam prontas a servir o país em situação limite.

Pedro Nuno Santos, Ministro das Infraestruturas e Habitação

Pedro Nuno Santos, fala da necessidade de abordar o problema com estratégias de curto, médio e longo prazo, seja pela diminuição da dependência energética do petróleo, “o abastecimento das nossas infraestruturas críticas” ou o desenvolvimento de competências nas forças armadas para que os militares se possam substituir a profissionais em situações de rutura, pelo que deve existir “uma reserva de competências para que em qualquer momento possam ser acionadas para nos proteger a todos”.

“Não há nenhuma razão para que as nossas forças de segurança não tenham competências e estejam prontas a servir o país em situação limite”, diz, defendendo que a possibilidade de utilização dos militares no transporte de combustíveis na última semana deve ser alargada a outras áreas de atividade, nomeadamente com competências que permitam por a funcionar uma central elétrica, por exemplo.

Por outro lado, defende que devem ser criadas condições que garantam o abastecimento das infraestruturas críticas: “É incompreensível que o nosso maior aeroporto não tenha uma ligação direta a um pipeline como tem o aeroporto Sá Carneiro. Isso não acontece no Humberto Delgado e isso é motivo de preocupação”, refere Pedro Nuno Santos, sublinhando que apesar de este ser um debate com pelo menos uma década “importa que daqui a 10 anos não estejamos no mesmo ponto”.

Por fim, sublinhou ainda a necessidade o país “acelerar uma transição energética, que obviamente demorará” para diminuir a dependência face ao petróleo.

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