Centeno: “Hoje o que o Estado gasta é cobrado hoje, não amanhã”

  • ECO
  • 24 Abril 2019

Ministro das Finanças assegura que Portugal tem hoje a “menor carga fiscal presente e futura desde 1995” e que possibilidade de baixar impostos em 2021 não é promessa eleitoral.

O ministro das Finanças acusou esta quarta-feira os governos das últimas duas décadas de terem transferido para os anos seguintes o equivalente a 5% do PIB em impostos diferidos. Em entrevista à RTP3, Mário Centeno garantiu ainda que os 200 milhões de euros previsto no Programa de Estabilidade 2019-2023 para reduzir os IRS em 2021 “não é uma medida eleitoralista”.

De acordo com Mário Centeno, “entre 1995 e 2015, os governos deixaram, em média, 5% do PIB para cobrar nos anos seguintes”, o que feitas as contas representa “uma dívida acumulada próxima dos 80%”. “Hoje temos o menor valor desta carga fiscal presente e futura desde 1995”, garantiu o ministro das Finanças.

Considerando que o Programa de Estabilidade foi “desenhado para mostrar a todos, em Portugal em particular, e também aos parceiros europeus o estado ímpar em que as finanças públicas estão”, Mário Centeno desvalorizou a abertura dada pelo documento de vir a reduzir os impostos a partir de 2021. O Programa de Estabilidade prevê que a descida de impostos custe cerca de 200 milhões de euros dentro de dois anos, mas o ministro das Finanças garante que a medida “não é uma promessa eleitoral”, mas “apenas uma medida que sinaliza a capacidade que o próximo Governo tem de o fazer”.

Questionado sobre a capacidade de Portugal fazer frente a crises futuras, Mário Centeno não tem dúvidas em responder “sim, Portugal hoje está muito melhor”. O ministro justifica esta posição alegando que em 2007-2008 “os mercados de financiamento à economia portuguesa fecharam-se, entre outra coisas, porque havia deficiências no funcionamento na área do euro que hoje já não existem”. Além disso, “é evidente que a situação orçamental portuguesa hoje é muito diferente”.

Para Mário Centeno, “não há nenhum país da Europa que goze da estabilidade que Portugal mostra lá fora. Nenhum.”

Centeno como cabeça de lista do PS?

É a pergunta de um milhão de dólares relativa a Mário Centeno. Vai ou não manter-se no Executivo se o PS ganhar as eleições? Mais uma vez, o ministro das Finanças empurra para o fim do verão uma resposta: ” Em setembro saberemos exatamente a resposta a todas essas perguntas”.

Esta quarta-feira, o jornal Público dava como certa a escolha de Mário Centeno para número um na lista do PS pelo círculo eleitoral de Faro e apesar da notícia ter sido desmentida pelo Ministério das Finanças, o ministro responde: “a notícia não tem nenhum fundamento hoje”.

 

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