Marcelo pede “respostas urgentes” a desigualdades e revolução digital do emprego

Marcelo Rebelo de Sousa dedicou a sua intervenção aos jovens e aos novos desafios que se colocam, nomeadamente as desigualdades, o envelhecimento demográfico e o transformação digital do emprego.

O Presidente da República dedicou a sua intervenção na sessão comemorativa dos 45 anos do 25 de abril aos jovens. Aos jovens de 74, que lutaram “pela liberdade e democracia” e aos jovens de 2019, que enfrentam agora desafios diferentes, mas “urgentes” para os quais exigem “respostas inequívocas”: O envelhecimento demográfico, as desigualdades “que persistem”, as alterações climáticas e a revolução tecnológica que está já a ter efeitos no mercado de trabalho.

Em ano de eleições, Marcelo Rebelo de Sousa não fez qualquer referência direta a esses atos eleitorais, deixando ainda assim um recado forte aos políticos: É preciso fazer “escolhas, tomar passos e conseguir marcos muitos concretos e visíveis na educação, na saúde e na solidariedade social”.

Marcelo Rebelo de Sousa participou, esta quinta-feira, na sessão comemorativa dos 45 anos do 25 de abril.ANTÓNIO COTRIM/LUSA

“O desafio dos jovens de 74 era muito nacional e muito concentrado em três objetivos: a paz em África, a democracia e o desenvolvimento vistos a prazo mais curto. Mas o desafio dos jovens de 2019 é muito mais global, complexo, exigente, na diversidade dos fatores de que depende e do prazo alargado que envolve”, disse o Presidente da República, esta manhã.

Sobre esses desafios que se colocam aos jovens de hoje, o chefe de Estado identificou quatro áreas prioritárias: o envelhecimento demográfico, as desigualdades, a digitalização e os seus efeitos no emprego e no trabalho e, por fim, as alterações climáticas.

E a resposta a estas matérias tem de ser conseguida, adiantou Marcelo Rebelo de Sousa, com a “economia a crescer”, “a dependência financeira a diminuir” e com “mais justiça no repartir”. “Tudo sem excluir ninguém”, acrescentou.

Tudo somado, o Presidente da República diz reconhecer que os jovens têm em mãos um “programa aparentemente impossível”, mas mostrou-se otimista, porque a “História faz-se de sonhos impossíveis”, afirmou. “Portugal é uma Pátria que nasceu impossível, mas uma impossibilidade com quase 900 anos. Porque haveriam de ser as gerações de hoje as primeiras a renunciar ao impossível?”, atirou Marcelo Rebelo de Sousa, referindo que hoje tem de haver “mais ambição”.

No seu discurso, o Presidente da República fez ainda questão de notar que, 45 anos depois, “os jovens de 74” continuam a “preferir a democracia mesmo que imperfeita”. A propósito, o chefe de Estado frisou: “Não vemos estes 45 anos como obra perfeita, acabada e que nos deixa realizados. Desejamos mais e melhor. Mas reconhecemos que valeu a pena o 25 de abril”.

(Notícia atualizada)

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