TAP Manutenção aposta no Oriente para crescer 20% este ano. Já pediu certificação à China

Ramo de manutenção da TAP vira foco para Oriente, depois de análise ao mercado ter identificado potencial por explorar. Empresa já iniciou processo de certificação com autoridade chinesa da aviação.

A prestação de serviços de manutenção a terceiros da TAP foi o segmento de negócio da transportadora aérea que mais cresceu em 2018, tendo conseguido um aumento nas receitas de 55,4% ao longo do ano, de 145,5 milhões para 226,2 milhões de euros, segundo os números que a companhia divulgou em março. Mas apesar deste forte crescimento, esta atividade da TAP, que não deve ser confundida com a operação de manutenção no Brasil, não quer ficar por aqui. Em 2019 a previsão é crescer mais 20%, com as atenções centradas a Oriente.

Suportada nas receitas da manutenção de motores de clientes internacionais, entre eles “algumas das maiores empresas aéreas europeias”, a operação da Manutenção & Engenharia Portugal (M&E Portugal) para terceiros “continuou a sua trajetória de crescimento (+55% face a 2017)” no ano passado, aponta o relatório de gestão e contas da empresa de 2018. E para este ano as perspetivas continuam positivas.

Em termos globais, a TAP prevê que o corrente ano seja mais um exercício de crescimento da M&E Portugal, que em cima dos 55% de crescimento registados em 2018, deverá acrescentar uma nova subida de 20% em 2019. Assim, e partindo dos 226,2 milhões com que fechou 2019, o salto de 20% estimado para este ano representará qualquer coisa como mais 46 milhões de euros de receitas. E até pode ser mais.

“As perspetivas para 2019” da TAP M&E Portugal, “são de consolidação face ao relevante crescimento em 2018″, apesar de, detalha o mesmo relatório, “se apontar para a continuação de um crescimento significativo no negócio de motores, cerca de 20% face a 2018″.

Um salto que só não é maior por falta de espaço, assegura a transportadora aérea. Segundo a empresa, o potencial de crescimento da M&E Portugal será amputado este ano “pela redução de atividade de manutenção de aeronaves para terceiros por ausência de slots, devido ao crescimento da frota da TAP”. Mais um facto a jogar a favor do fecho de uma das pistas do aeroporto Humberto Delgado, no entender da companhia aérea.

Fidelizar na Europa, conquistar a Oriente

A sustentar o crescimento da TAP M&E Portugal estará, por um lado, a consolidação das operações junto dos clientes europeus que a transportadora tem vindo a conquistar nos últimos anos e, por outro lado, a aposta num mercado com um enorme potencial que a companhia aérea quer começar a explorar quanto antes, o Oriente.

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“O foco prossegue na fidelização dos atuais clientes, bem como no alargamento da base dos mesmos, principalmente no que respeita ao negócio de motores e para o qual o foco se vira para Oriente, onde a análise do mercado e as respetivas oportunidades apresentam um bom potencial“, assume a empresa.

Para tal, a TAP já deu início ao processo de certificação junto da autoridade chinesa para a aviação civil (CAAC, ou Civil Aviation Administration of China), país onde por estes dias se encontra o Presidente da República. “Nesta vertente, iniciou-se o processo de certificação da atividade de motores com a CAAC, a autoridade chinesa para a aviação civil”, revela o relatório de gestão da companhia aérea.

Quanto à fidelização de clientes, destacam-se os contratos de gestão de frota que a M&E Portugal mantém com a Força Aérea Francesa e com a portuguesa SATA, principais sustentáculos da atividade de manutenção de componentes para terceiros e do volume de negócios da manutenção de motores.

A M&E Portugal está, assim, a ganhar cada vez mais peso dentro do grupo, devendo reforçar ainda mais a sua importância ao longo deste ano. Se em 2017 este ramo equivalia a 4,9% do total das vendas da TAP — 145,5 milhões em 2,98 mil milhões –, no ano passado já tinha um peso de 7% — 226,2 milhões em 3,25 mil milhões. Para ajudar o grupo, e fruto da reestruturação com que a transportadora aérea avançou no Brasil, também o negócio de Manutenção neste país, que é independente da manutenção em Portugal, deverá deixar de pesar tanto nas contas do grupo, com a TAP a antecipar um lucro residual deste ramo em 2019.

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