Pereira Coutinho lança OPA sobre a SAG. Vende SIVA à Porsche por 1 euro

O empresário Pereira Coutinho lançou uma OPA para tirar a SAG de bolsa. A SIVA, o negócio dos automóveis da empresa, vai ser vendida aos alemães da Porsche pelo valor simbólico de 1 euro.

A contrapartida oferecida por João Pereira Coutinho será paga em numerário, correspondendo a 0,0615 euros por cada ação. Os títulos da SAG fecharam esta terça-feira a valer 0,057 euros. A condição de sucesso da oferta pública de aquisição (OPA) é a compra de 90% do capital da empresa que até agora tinha como negócio principal a importação e comercialização de automóveis.

Os intermediários financeiros encarregados da assistência à oferta são o Banco Comercial Português e o Caixa – Banco de Investimento.

Ao empresário João Pereira Coutinho já lhe é imputada uma posição de 88,8610% na SAG.

Pereira Coutinho detém diretamente uma participação de 0,0023% no capital da SAG e são-lhe ainda imputados 76,7% dos direitos detidos pela sociedade IAMC – Investment And Assets Management Consulting e mais 10,2% controlados pela SGC Investimentos, sendo que esta última empresa é detida em 100% pela IAMC. A empresa Principal, detida pelo empresário, é dona ainda de 0,7069% da SAG.

E porquê esta OPA?

Em comunicado enviado à CMVM, Pereira Coutinho afirma que “o objetivo é assegurar às subsidiárias da sociedade visada a continuidade da sua atividade por outra via e permitir aos acionistas venderem as suas participações na sociedade visada dado que esta deixará de operar no negócio do ramo automóvel — isto é, na principal atividade que desenvolveu desde a sua constituição”.

A conjuntura atual do setor automóvel e as dificuldades em encontrar financiamento levaram desde há cerca de um ano a negociações com potenciais investidores e stakeholders da SAG, “tendentes a encontrar uma solução financeira para as empresas que permita garantir a continuação da atividade das subsidiárias operacionais e, mais importante, a manutenção dos mais de 650 postos de trabalho diretos”.

SIVA vendida por 1 euro à Porsche

Tendo em vista a descontinuação do negócio do ramo automóvel por parte da SAG, a empresa assume que é “essencial que ceda a sua participação direta e indireta na sociedade SIVA – Sociedade de Importação de Veículos Automóveis e no grupo de sociedades com esta relacionada, pelo valor simbólico de 1 euro”.

Num outro comunicado enviado à CMVM, a SAG Gest revela que chegou a um acordo com a Porsche, o BCP, o BPI, a Caixa Geral de Depósitos e o Novo Banco “com vista a assegurar a sustentabilidade e continuidade do negócio automóvel da SAG, atualmente desenvolvido pela SIVA”.

Como parte deste acordo a SAG aceitou vender a SIVA à Porsche, sendo que SAG e a SIVA vão ambas para um processo especial de revitalização (PER). A empresa esclarece ainda que “o Volkswagen Finance Belgium, a Audi Aktiengesellschaft, a Skoda Auto e a Volkswagen Acktiengesellschaft acordaram também disponibilizar apoio financeiro” às empresas em dificuldades.

A conclusão deste acordo está dependente do sucesso da OPA anunciada esta terça-feira ao mercado. A empresa calcula que esta transação esteja concluída o mais tardar até 30 de setembro.

SAG e SIVA vão para PER

Na comunicação à CMVM, o grupo informa que a SAG e a SIVA já requereram, em separado, a abertura de processos especiais de revitalização junto do Tribunal Judicial de Comarca de Lisboa Norte, Juízo de Comércio de Vila Franca de Xira, com vista à recuperação do negócio.

No âmbito do PER da SAG, os créditos subordinados da SIVA e de outras sociedades do grupo sobre a SAG, no montante total 253 milhões de euros “serão integralmente extintos por remissão”. Os créditos dos bancos sobre a SAG serão parcialmente extintos, também por remissão, no valor 16 milhões de euros.

No acordo extrajudicial de recuperação da SIVA, os bancos comprometeram-se a assegurar até 31 de dezembro de 2019 “garantias bancárias para garantir a importação de viaturas e peças” pela concessionária. Os créditos dos bancos sobre a SIVA serão parcialmente extintos, por remissão, no valor mínimo de 100 milhões de euros.

O que restará da SAG?

Após a venda da SIVA e o PER de ambas as sociedades, a SAG passará a deter:

  • Participações representativas de 40% capital da Autolombos;
  • Ações representativas de 100% do capital social da SIVA Defleet – Comércio de Automóveis;
  • E a totalidade das unidades de participação do IMOCAR – Fundo de Investimento Imobiliário
    Fechado, um fundo imobiliário fechado gerido pela NORFIN – Sociedade Gestora de Fundos de Investimento Imobiliários, S.A.

(Notícia atualizada às 00h47 do dia 1 de maio)

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