As principais reações à maioria negativa nas redes sociais

Figuras da política e da economia recorreram às redes sociais para comentar a decisão do Parlamento de aprovar o reconhecimento da totalidade do tempo de carreira congelado aos professores.

O Parlamento aprovou na especialidade a garantia de que os professores vão recuperar todo o tempo de serviço que esteve congelado, uma decisão em contraciclo com a vontade do PS e em choque frontal com o Governo. A notícia não tardou a gerar buzz nas redes sociais, com algumas figuras nacionais da política e da economia a recorrerem ao Twitter, Facebook e até Instagram para partilharem pontos de vista.

Uma das publicações a destacar é a do primeiro-ministro, que publicou no Instagram imagens da reunião de urgência convocada para esta manhã de quinta-feira. “Na sequência das decisões tomadas ontem pela Comissão Parlamentar de Educação e Ciência, convoquei para esta manhã uma reunião extraordinária do núcleo de coordenação política do Governo, com a presença do ministro da Educação”, escreveu António Costa no Instagram.

A bloquista Catarina Martins recorreu ao Twitter para fazer uma série de publicações sobre o tema. Nelas, a coordenadora nacional do partido garante estar a assistir a “tentativas de criar um ambiente de crise política” que “é totalmente artificial”. “A solução encontrada para os professores […] não representa qualquer acréscimo de despesa no ano em curso e respeita a autonomia negocial do próximo Governo”, aponta.

Na ala da direita, o CDS veio garantir que não ficou definida a forma de pagamento da totalidade do tempo de serviço congelado. “Não é verdade que o CDS tenha hoje [quinta-feira] aprovado o pagamento de tempo integral dos professores. Essa proposta foi chumbada com o nosso voto. Aprovou-se apenas o princípio de que os professores terão direito à contagem integral do tempo congelado mediante negociação com o Governo”, lê-se na mensagem publicada na conta oficial dos centristas no Twitter.

A resposta à esquerda não tardou, pela voz do dirigente bloquista, José Gusmão: “O CDS vem por este meio esclarecer que o seu voto de hoje [quinta-feira] tem como único objetivo enganar os professores. Obrigado pela atenção”, considerou o também número dois do Bloco de Esquerda às eleições europeias.

O deputado social-democrata Duarte Marques também reiterou, no Twitter, que só foi aprovada a recuperação de todo o tempo e não a forma como deverá ser feito esse pagamento. “Um esclarecimento: ontem [quinta-feira] não foi aprovada a forma de pagamento de todo o tempo de serviço dos professores. Apenas se aprovou a contagem de todo o tempo e o pagamento dos dois anos já anunciados pelo Governo.”

Do lado do PS, uma das reações que surgiram foi a do deputado Hugo Costa. Apontando para uma fotografia que está a ser viral, na qual estão membros de todas as bancas à exceção da bancada socialista, Hugo Costa refere que “existem fotos que se comentam a elas próprias”. “De um lado, a irresponsabilidade de quem realizou cortes. De outro lado, a demagogia de quem só quer o lado positivo da governação. E acreditem que não está em causa a legítima aspiração de uma classe profissional. Apenas o oportunismo eleitoral.”

Carlos Guimarães Pinto, presidente da Iniciativa Liberal, alinhou com a ideia de que “esta dramatização é cómica” e garantiu que, a verificar-se a demissão do Governo por causa desta decisão do Parlamento, a mesma será “inconsequente”. “Há eleições legislativas daqui a cinco meses e o Parlamento encerra daqui a dois”, lembrou. “Ainda mais cómica na medida em que a proposta aprovada só terá efeitos na próxima legislatura em qualquer caso”, acrescentou.

O economista Pedro Adão e Silva também comentou no Twitter a decisão tomada pelos deputados na especialidade. “Podemos, portanto, concluir que PSD e CDS não têm nenhuma intenção de Governar em 2020 (e nos anos subsequentes)”, afirmou.

João Taborda da Gama, ex-secretário de Estado da Administração Local do segundo Governo de Pedro Passos Coelho disse, no Twitter, que “isto dos professores é um PEC IV tipo deixem-nos trabalhar. Ou vice-versa”.

Nota ainda para a publicação de António Nogueira Leite, ex-administrador da CGD e antigo secretário de Estado do Tesouro e das Finanças do Governo de António Guterres, que notou a falta de reação à polémica por parte da Presidência da República: “E o Marcelo, pá? Não diz nada?”, comentou.

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