Rui Rio rejeita solução para os professores que “origine desequilíbrios orçamentais futuros”

Rui Rio rejeita que o PSD tenha recuado na questão dos professores por causa da ameaça de demissão do primeiro-ministro. Oposição vai mesmo votar contra o diploma dos 9A4M2D.

O presidente do PSD rejeita qualquer solução para os professores que origine “desequilíbrios orçamentais futuros”. Por isso, vai votar na sexta-feira contra o diploma que foi aprovado na especialidade. No entanto, Rui Rio rejeita que o PSD tenha recuado por causa da ameaça de demissão de António Costa: “A crise política é feita pelo primeiro-ministro. Não é feita por nós. Nós não temos crise política nenhuma”, frisou o líder da oposição, numa entrevista à TVI.

“O povo português entendeu o que lhes venderam. Acho uma coisa grave os jornalistas parlamentares não entenderem o processo legislativo”, acusou Rui Rio. O social-democrata referia-se à proposta do PSD para a inclusão de uma norma travão, que acabou por ser chumbada, e à aprovação do princípio do reconhecimento integral do tempo de serviço dos professores. Ora, como o diploma não inclui essa norma, Rui Rio garantiu que o PSD chumbará o diploma na votação final global.

Rui Rio recusou ainda que os deputados do PSD, em qualquer altura, tenham sugerido que iam votar a favor do diploma. “Eu disse sempre a mesma coisa. Informei direitinho o que queria, porque o que os deputados do PSD levaram [para a especialidade] foi uma proposta que eu pedi, justamente, para meter essa salvaguarda [da norma travão]. Estavam em sintonia com o que o partido queria”, defendeu o líder do PSD.

Sobre o facto de ter demorado dois dias a reagir à suposta crise política, Rui Rio afirmou que “demora sempre dois dias” porque “não é corredor de velocidade em competições mediáticas”. Confirmando que reuniu com personalidades do PSD no último sábado, disse ter-se tratado de uma reunião para discutir a ameaça de demissão do primeiro-ministro e não o sentido de voto do PSD na votação final global do diploma dos professores. “O diploma não tem discussão para mim, desde sempre. Nós reconhecemos os nove anos aos professores, mas tem de haver uma lei travão”, reiterou.

Contas de Mário Centeno são “fraude”

Rui Rio afirmou, ainda, que os 800 milhões de euros que o Governo diz que a recuperação integral do tempo de serviço dos professores pode custar são uma “fraude”. “800 milhões significa o que nunca aconteceria: tudo a todos, e já. Isso é o que queria fazer o BE e o PCP e nós votámos contra”, garantiu Rui Rio.

Referindo-se àquilo a que chamou de “manha do ministro das Finanças”, o líder da oposição indicou que “mesmo que fossem 800 milhões, líquido para o Estado seriam 480 [milhões], porque pagam IRS e Caixa Geral de Aposentações”. Ainda assim, Rui Rio disse ser “impossível” fazer as contas sem uma proposta fechada, porque “as combinações são quase infinitas à mesa das negociações”. Rui Rio propôs ainda uma solução em que o tempo é devolvido “uma parte em dinheiro, uma parte em redução de horário e uma parte na [antecipação da idade da] reforma”.

Há “desigualdade completa” nas carreiras especiais da Função Pública

O presidente do PSD fez referência, por fim, à “desigualdade completa” nas carreiras especiais da Função Pública, que têm “de ser revistas”.

“Temos de as rever de cima a baixo, porque há uma desigualdade completa. Um professor no fim da carreira — e poucos lá chegam — ganha 3.300 euros brutos por mês. Um juiz, quando começa a trabalhar com 20 e tal anos como juiz estagiário, ganha 3.324 euros”, afirmou Rui Rio.

Ou seja, concluiu, “um juiz com sete anos de serviço ganha o mesmo do que um professor no fim de carreira ou do que um general”. Por isso, para o PSD, “as carreiras têm de ser revistas, mas com equidade”. “Da forma como está não é justo. Se comparar com os enfermeiros, se calhar podemos considerar que os enfermeiros são mal pagos”, considerou Rui Rio.

(Notícia atualizada pela última vez às 21h30)

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