CEO veem a falta de mão de obra como a maior ameaça aos negócios em Portugal

70 empresários e gestores portugueses ouvidos pela PwC identificam as maiores ameaças à atividade das empresas. Além da falta de mão de obra, os gestores estão preocupados com os ciberataques.

A captação e retenção de talento é a principal preocupação dos empresários e gestores portugueses em relação aos negócios que gerem. A falta de competências essenciais afeta o processo de inovação, tende a aumentar os custos com o pessoal e pode pôr em causa a qualidade ou experiência do cliente, segundo concluiu o CEO Survey 2019 da consultora PwC.

“Verifica-se que, no que concerne às potenciais ameaças relativas ao crescimento do negócio, tanto os CEO portugueses como os globais indicam as mesmas três principais preocupações: em primeiro lugar a disponibilidade de competências essenciais, seguida das ciberameaças e das alterações tecnológicas”, aponta o relatório que será apresentado esta quinta-feira, com a presença de Pedro Castro e Almeida, Isabel Vaz, Domingos Soares de Oliveira e Luís Marques Mendes.

Dois terços dos CEO em Portugal apontaram para a disponibilidade de competências essenciais como a principal ameaça aos negócios. Entre os CEO que disseram estar “extremamente preocupados” com a situação, mais de metade apontou para a impossibilidade de inovar, enquanto 48% afirmou que os custos com o pessoal estão a aumentar mais do que era esperado.

A PwC sublinha ainda que a questão da inovação não se prende unicamente com a disponibilidade de competências e toda a conjuntura do país (económica, política e social) tem impacto na capacidade coletiva de inovar. “Portugal ainda tem um longo caminho a percorrer, quando comparado com outros países europeus. Fatores como a adoção de ideias disruptivas pelas empresas, o investimento insuficiente em investigação e desenvolvimento (ainda inferior aos valores anteriores a 2008), ou mesmo as atitudes face ao risco empresarial, mantêm Portugal na cauda da Europa”, concluiu a PwC no relatório que resulta de inquéritos a 1.378 CEO em mais de 90 países, dos quais 70 portugueses.

Talento substituiu a tecnologia no topo das ameaças

Fonte: PwC CEO Survey 2019

Portugueses entre os mais pessimistas sobre a inteligência artificial

Apesar de ter caído de primeiro para terceiro lugar, as alterações tecnológicas continuam a ser uma ameaça à atividade empresarial, na perspetiva dos CEO portugueses. “As tecnologias, como a inteligência artificial (IA), automação ou machine learning estão a redefinir o mercado laboral. As empresas terão de reestruturar os seus modelos de negócios, para se manterem competitivas, e esta tendência vai exigir uma maior capacidade de adaptação e transformação da força de trabalho”, afirmou a partner da PwC, Bethy Larsen, no relatório.

A maioria dos CEO (85%) inquiridos considera que a IA terá um grande impacto nas organizações e na sociedade, sendo que consideram “crucial” colmatar problemas de lacunas de informação e de talentos para explorar esta tecnologia.

Face ao debate sobre a eventual substituição de mão-de-obra humana por robôs nas empresas, a PwC cita um estudo recente da Gartner que concluiu que, a longo prazo, a inteligência artificial irá criar mais empregos do que aqueles que irá destruir. Estima-se a criação de 2,3 milhões de postos de trabalho, a partir de 2020, acima dos 1,8 milhões que deverão ser substituídos. Os empresários portugueses não estão, no entanto, convencidos.

Ao contrário da tendência da Europa Ocidental, a maioria dos CEO portugueses (56%) acredita que a IA irá substituir mais empregos do que aqueles que irá criar. Positiva ou negativamente, a maior parte dos empresários espera que esta tecnologia tenha um impacto superior ao da revolução da internet.

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