Benefícios fiscais concedidos pelo Estado custaram 13,1 mil milhões em 2018

  • Lusa e ECO
  • 17 Maio 2019

De acordo com um relatório publicado esta sexta-feira pelo Governo, os benefícios fiscais concedidos pelo Estado ascenderam 13,1 mil milhões de euros em 2018.

A despesa fiscal com o IRS ascendeu a 1.225 milhões de euros em 2018, um aumento de 72,1% face a 2015, sendo parte desta subida devida ao aumento de beneficiário do regime do Residente Não Habitual. O valor global de benefícios fiscais concedidos pelo Estado em 2018 totalizou 13.117 milhões de euros o que equivale a 6,6% do PIB e representa uma subida de 2.393 milhões de euros face a 2015, segundo o Relatório da Despesa Fiscal de 2018, divulgado esta sexta-feira no Portal do Governo.

O documento mostra também que o IVA é o imposto em que valor dos benefícios fiscais concedidos aos contribuintes é mais elevado, mas também mostra que foi no IRS que se observou o maior crescimento relativamente aos anos anteriores.

No caso do IVA, a despesa fiscal – entre taxas preferências e isenções tributárias – ascendeu a 7.925,2 milhões de euros, valor inferior em 0,7% face aos 7.984,2 milhões de euros contabilizados em 2017, mas que supera em mais de 1,7 mil milhões de euros o valor de 2015.

No IRS, o conjunto das deduções, taxas preferenciais e isenções existentes resultaram numa despesa fiscal que em 2018 ascendeu a 1.225 mil milhões de euros, mais 13,4% do que no ano anterior e de mais 72,1% (513 milhões de euros) do que em 2015.

Este acréscimo, de cerca de 513 milhões de euros no período considerado [2015-2018] deve-se fundamentalmente à despesa fiscal resultante de aplicação de taxas preferenciais, que se estima em aproximadamente 703 milhões de euros [em 2018], bem como do aumento significativo do número de contribuintes abrangidos pelo regime de tributação dos residentes não habituais”, refere o documento.

O regime do Residente Não Habitual (RNH) em vigor prevê a aplicação de uma taxa de IRS de 20% aos rendimentos de trabalho contemplados numa lista de profissões de elevado valor acrescentado e a isenção de IRS aos reformados com pensões pagas por um país estrangeiro.

Este regime foi criado em 2009, sendo a sua filosofia idêntica à de outros regimes similares existentes noutros países da União Europeia.

Ainda no âmbito do IRS, a despesa fiscal por via das deduções à coleta subiu de 332 milhões de euros em 2015 para 407 milhões de euros no ano passado, referindo o relatório que o aumento “advém, essencialmente do crescimento do número de pessoas que detém um grau de deficiência igual ou superior a 60%” e do aumento do número de faturas com o NIF do consumidor final que são comunicadas à Autoridade Tributária e Aduaneira (AT).

No ranking dos impostos com despesa fiscal mais elevada seguem-se o IRC (1.117,7 milhões de euros em 2018), o Imposto do Selo (945,3 milhões de euros), o Imposto sobre os Produtos Petrolíferos (485,2 milhões de euros) e o IMI (482,1 milhões de euros).

No caso do Imposto Municipal sobre os Imóveis (IMI), o valor de despesa fiscal estimado para 2018 supera o de 2017 (442,9 milhões de euros), mas é inferior aos verificado em 2015, ano em que foi de 514,4 milhões de euros.

De acordo com o Relatório (que está datado de outubro de 2018) “o decréscimo de 32 milhões de euros no período em causa [2015-2018] deve-se fundamentalmente à redução das isenções tributárias resultantes da extinção de benefícios fiscais temporários relativos ao processo de avaliação geral de prédios urbanos conduzido entre 2012 e 2013, bem como das sucessivas alterações na estimativa normativa dos benefícios fiscais”.

Recorde-se que na sequência daquele processo de avaliação geral dos imóveis foi criada uma cláusula de salvaguarda que evitava que o valor do IMI a pagar pelos contribuintes fosse além de um determinado valor de um ano para outro.

O ECO recusou os subsídios do Estado. Contribua e apoie o jornalismo económico independente

O ECO decidiu rejeitar o apoio público do Estado aos media, porque discorda do modelo de subsidiação seguido, mesmo tendo em conta que servirá para pagar antecipadamente publicidade do Estado. Pelo modelo, e não pelo valor em causa, cerca de 19 mil euros. O ECO propôs outros caminhos, nunca aceitou o modelo proposto e rejeitou-o formalmente no dia seguinte à publicação do diploma que formalizou o apoio em Diário da República. Quando um Governo financia um jornal, é a independência jornalística que fica ameaçada.

Admitimos o apoio do Estado aos media em situações excecionais como a que vivemos, mas com modelos de incentivo que transfiram para o mercado, para os leitores e para os investidores comerciais ou de capital a decisão sobre que meios devem ser apoiados. A escolha seria deles, em função das suas preferências.

A nossa decisão é de princípio. Estamos apenas a ser coerentes com o nosso Manifesto Editorial, e com os nossos leitores. Somos jornalistas e continuaremos a fazer o nosso trabalho, de forma independente, a escrutinar o governo, este ou outro qualquer, e os poderes políticos e económicos. A questionar todos os dias, e nestes dias mais do que nunca, a ação governativa e a ação da oposição, as decisões de empresas e de sindicatos, o plano de recuperação da economia ou os atrasos nos pagamentos do lay-off ou das linhas de crédito, porque as perguntas nunca foram tão importantes como são agora. Porque vamos viver uma recessão sem precedentes, com consequências económicas e sociais profundas, porque os períodos de emergência são terreno fértil para abusos de quem tem o poder.

Queremos, por isso, depender apenas de si, caro leitor. E é por isso que o desafio a contribuir. Já sabe que o ECO não aceita subsídios públicos, mas não estamos imunes a uma situação de crise que se reflete na nossa receita. Por isso, o seu contributo é mais relevante neste momento.

De que forma pode contribuir para a sustentabilidade do ECO? Na homepage do ECO, em desktop, tem um botão de acesso à página de contribuições no canto superior direito. Se aceder ao site em mobile, abra a 'bolacha' e tem acesso imediato ao botão 'Contribua'. Ou no fim de cada notícia tem uma caixa com os passos a seguir. Contribuições de 5€, 10€, 20€ ou 50€ ou um valor à sua escolha a partir de 100 euros. É seguro, é simples e é rápido. A sua contribuição é bem-vinda.

António Costa
Publisher do ECO

5€
10€
20€
50€

Comentários ({{ total }})

Benefícios fiscais concedidos pelo Estado custaram 13,1 mil milhões em 2018

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião