Em vésperas de greve, Ministério das Finanças autoriza contratações na CP

  • ECO
  • 17 Maio 2019

O Governo anunciou esta sexta-feira que foi autorizada a contratação de trabalhadores para a área comercial da CP, uma das razões invocadas pelos revisores para a greve de segunda e terça-feira.

O Ministério das Finanças deu autorização à CP para contratar trabalhadores para a área comercial e outras áreas ao final do mês de junho, tendo em vista a redução dos gastos com horas suplementares e a substituição de trabalhadores que saíram da empresa. Esta é uma das razões invocadas pelo Sindicato Ferroviário da Revisão Comercial Itinerante para a greve de dois dias marcada para o início da próxima semana.

O anúncio foi feito esta sexta-feira num comunicado conjunto pelo Ministério das Finanças e o pelo Ministério das Infraestruturas. Os dois ministérios dizem ainda que, em paralelo, iniciaram-se em abril as negociações para um novo acordo de empresa e regulamento de carreiras da empresa.

“Este compromisso com a qualidade do serviço público será reforçado através da estabilização dos recursos humanos necessários à atividade, nomeadamente com a autorização imediata da contratação de trabalhadores da área comercial e de outras áreas necessárias à operação da CP até ao final do mês de junho, que permita reduzir o número de horas suplementares hoje realizadas, acomodar as saídas definitivas de trabalhadores e promover a segurança e a qualidade do trabalho”, diz o governo.

No final do mês passado, o ministro das Infraestruturas e Habitação disse que consideraria “uma derrota pessoal” caso não conseguisse que o Governo passe a ver as necessidades da CP e da EMEF como prioritárias, em termos de investimento em material circulante e de reforço dos quadros de pessoal.

“A CP tem um pedido para a contratação de 88 trabalhadores, nas mais diversas categorias, e até agora só foram autorizadas 14. A EMEF tem um pedido para contratar 57 trabalhadores e a estes não foram dadas respostas”, disse Pedro Nuno Santos, numa audição no Parlamento, realizada 30 de abril.

O anúncio surge poucos dias antes de os revisores da CP entrarem em greve. Segunda e terça-feira os revisores estarão em greve precisamente por que entende que o Governo não cumpriu os acordos feitos com o sindicato, que visavam o recrutamento de 88 trabalhadores para área comercial.

A outra promessa que o SFRCI diz ter falhado é “a negociação do acordo coletivo de trabalho, que tem 20 anos, e que deveria ter sido finalizado até 30 de setembro”.

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