IP alerta que Governo está a impedir melhorias na segurança da ferrovia

  • ECO
  • 22 Maio 2019

Falta de recursos da Infraestruturas de Portugal impede a gestora da rede ferroviária de executar todos os trabalhos de manutenção recomendáveis para assegurar a total fiabilidade das linhas férreas.

A empresa responsável pela gestão da rede ferroviária portuguesa assume não ter meios para fazer manutenções profundas à infraestrutura que gere, por falta de autorização em contratar ou reforçar meios. A admissão da Infraestruturas de Portugal (IP) surge anexa a um relatório de investigação sobre um descarrilamento na Linha do Douro, ocorrido em janeiro de 2017, de acordo com o Público. Segundo a empresa, qualquer trabalho extraordinário a que seja obrigada, traduz-se em falhas em outras atividades de monitorização da segurança da ferrovia.

“Qualquer alteração ao roteiro de manutenção em vigor, para deteção de fissuras não detetáveis por inspeção visual, resultará diretamente numa maior afetação de recursos humanos internos que, face ao atual quadro técnico insuficiente, agravado pelas restrições de contratação de recursos humanos impostas pela Tutela, se traduzirá num desfoque de outras atividades mais relevantes para a segurança do sistema”, refere a IP no anexo, conforme cita o diário.

A referência a trabalhos extra como deteção de fissuras não é feita por acaso, já que na análise ao descarrilamento de janeiro de 2017, o Gabinete de Prevenção e de Investigação de Acidentes Aéreos e Ferroviários salienta que uma das causas para o incidente foi precisamente “a existência de fissuras” num aparelho de mudança de via (agulha), recomendando então um maior aprofundamento das operações de manutenção das agulhas à IP, o tipo de operações que, respondeu a Infraestruturas de Portugal, a ser feito levará a “desfoque” de outras atividades de segurança, por falta de meios.

Apesar do alerta que deixa no anexo ao relatório, a IP sublinha que atualmente o “sistema não apresenta um risco significativo que obrigue à revisão imediata dos procedimentos de inspeção atuais”, salientando, todavia, que uma revisão desse género terá de “ser acompanhada do respetivo reforço de meios e recursos, cuja autorização não depende da IP”.

Quanto à investigação ao descarrilamento, avança o Público, esta concluiu que o mesmo foi provocado por falhas humanas, organizacionais e técnicas.

Quanto vale uma notícia? Contribua para o jornalismo económico independente

Quanto vale uma notícia para si? E várias? O ECO foi citado em meios internacionais como o New York Times e a Reuters por causa da notícia da suspensão de António Mexia e João Manso Neto na EDP, mas também foi o ECO a revelar a demissão de Mário Centeno e o acordo entre o Governo e os privados na TAP. E foi no ECO que leu, em primeira mão, a proposta de plano de recuperação económica de António Costa Silva.

O jornalismo faz-se, em primeiro lugar, de notícias. Isso exige investimento de capital dos acionistas, investimento comercial dos anunciantes, mas também de si, caro leitor. A sua contribuição individual é relevante.

De que forma pode contribuir para a sustentabilidade do ECO? Na homepage do ECO, em desktop, tem um botão de acesso à página de contribuições no canto superior direito. Se aceder ao site em mobile, abra a 'bolacha' e tem acesso imediato ao botão 'Contribua'. Ou no fim de cada notícia tem uma caixa com os passos a seguir. Contribuições de 5€, 10€, 20€ ou 50€ ou um valor à sua escolha a partir de 100 euros. É seguro, é simples e é rápido. A sua contribuição é bem-vinda.

António Costa
Publisher do ECO

5€
10€
20€
50€

Comentários ({{ total }})

IP alerta que Governo está a impedir melhorias na segurança da ferrovia

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião