Um Tesla, um iPhone e um frigorífico. Quanto custa carregar cada um deles na UE? E em Portugal?

As famílias portuguesas são aquelas que fazem o maior esforço para pagar a fatura da luz. Carregar um Tesla para andar durante um ano custa 450 euros, enquanto na Finlândia não passa dos 219 euros.

Dinamarca, Alemanha e Bélgica são os países com a energia mais cara na Europa. Mas Portugal lidera quando a análise é feita tendo em conta o esforço necessário para pagar a conta da luz. E isso traduz-se em custos elevados com a energia para carregar desde os equipamentos mais básicos até aos carros elétricos.

De acordo com os valores compilados pelo Eurostat, no final do ano passado os portugueses gastavam 22,90 euros por cada 100 kWh de eletricidade consumida, o que representa um aumento de 2,8% relativamente ao final de 2017. Isto quando, em média, na União Europeia, os preços da eletricidade rondam os 21,10 euros por cada 100 kWh.

Mas, na prática, em que se traduzem estes valores elevados na despesa anual das famílias com objetos do dia a dia, seja um smartphone ou um simples frigorífico? Ou mesmo com um carro elétrico como um Tesla?

O ECO foi fazer as contas para dar-lhe a conhecer em quantos euros (em termos de PPC) se traduzem os kWh da bateria de um Model S P100D, o topo de gama da marca norte-americana.

Comecemos por este exemplo:

Um condutor português que possua este mesmo automóvel e que, por ano, faça um total de cerca de 10.000 quilómetros, vai poupar na fatura com gasolina ou gasóleo, mas manter a bateria carregada do carro elétrico vai custar-lhe, anualmente, cerca de 451 euros (assumindo apenas o custo do kWh).

Próximos dos valores portugueses estão os alemães, que gastam perto de 448 euros para percorrer os tais 10.000 quilómetros por ano no Model S da fabricante de automóveis elétricos liderada por Elon Musk.

Tomando o mesmo exemplo, carregar este mesmo carro numa garagem na Finlândia ou no Luxemburgo é, significativamente, mais barato. As famílias finlandesas gastam, por ano, cerca de 219 euros e as famílias luxemburguesas despendem perto de 221 euros. Comparando a Finlândia com Portugal, os portugueses pagam mais 232 euros do que os finlandeses. E isto quando a média da União Europeia ronda os 338 euros.

Vejamos agora o segundo exemplo: um frigorífico combinado, de categoria A++ e três anos de idade, com um consumo médio de 250 kWh por ano. Numa casa portuguesa, este eletrodoméstico passa uma fatura de luz anual que ronda os 70 euros. Já numa casa finlandesa, as famílias precisam de, aproximadamente, 34 euros para mantê-lo ligado todo o ano.

Para ter uma ideia dos preços em mais alguns Estados-membros da UE, aqui ao lado, os espanhóis gastam cerca de 68 euros por ano só para a energia do frigorífico, enquanto os franceses perto 41 euros e os italianos cerca de 55 euros. Já a média da União Europeia situa-se nos 52,75 euros.

No caso do iPhone — talvez o exemplo que vai deixá-lo mais impressionado — imaginemos uma pessoa que tem um iPhone 7 e que carrega o aparelho diariamente. Ao final de 365 dias, o português gastou 75 cêntimos com a eletricidade consumida para o carregamento do telemóvel. Parece, por si só, um valor realmente baixo, mas recorde-se que estamos a falar do país da UE onde a eletricidade, em termos de paridade do poder de compra, é mais cara.

Portanto, se olharmos para o valor que os finlandeses gastam neste mesmo cenário, percebemos que é menos de metade do montante português (36 cêntimos). Na União Europeia, a média do peço da eletricidade para manter o smartphone ligado ronda os 56 cêntimos.

Uma boa parte da explicação para este custo extra suportado pelas famílias portuguesas com equipamentos do dia a dia, ou mesmo com os automóveis elétricos, está na fiscalidade. Portugal não só tem o custo de eletricidade mais elevado da UE, como é, também, um dos países onde os impostos mais pesam na fatura da eletricidade.

Mais de metade da conta da luz portuguesa (55%) diz respeito a impostos e taxas, situação que, diz o ministro do Ambiente, Matos Fernandes, é “uma preocupação do Governo”. Apenas os consumidores dinamarqueses têm uma carga fiscal superior à portuguesa. Por outro lado, em Malta, o peso dos impostos é de apenas 6% no preço da eletricidade.

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