Crédito ao consumo é responsável por nove em cada dez sobreendividados

Número de famílias em incumprimento com créditos subiu no primeiro trimestre do ano, o que é explicado na totalidade pelo crédito ao consumo. Há 14.562 novas situações de incumprimento nesse segmento.

Após níveis historicamente baixos no final do ano passado, os números do incumprimento voltaram a agravar-se no arranque de 2019. No primeiro trimestre do ano subiu o número de famílias a falhar o pagamento das prestações dos empréstimos. Na base dessa evolução está o crédito ao consumo que naquele período viu as situações de incumprimento crescerem ao ritmo mais acelerado dos últimos sete anos. No final de março, essa finalidade de crédito era responsável por nove em cada dez situações de sobreendividamento.

As estatísticas trimestrais da Central de Responsabilidades de Crédito (CRC) divulgadas pelo Banco de Portugal, nesta terça-feira, mostram que, no final de março, 459.864 famílias estavam em falta com o pagamento das prestações. Tal significa a entrada de 13.794 novas famílias para o espetro do incumprimento no crédito.

Essa realidade é explicada na totalidade pelo crédito ao consumo, já que no que diz respeito aos empréstimos para a compra de casa as situações de incumprimento mantiveram a tendência de quebra.

Quando confrontadas com dificuldade em cumprir os compromissos com créditos, falhar o pagamento da prestação da casa é tradicionalmente o último recurso para a generalidade das famílias.

Incumpridores no crédito ao consumo sobem no 1.º trimestre

Fonte: Banco de Portugal

Nos três primeiros meses deste ano, 2.577 agregados deixaram de estar na lista de incumpridores no crédito à habitação do Banco de Portugal, com o número total a baixar para 85.664. Ou seja, o patamar mais baixo do histórico da entidade liderada por Carlos Costa, cujo início remonta ao primeiro trimestre do ano.

Já no caso do crédito ao consumo, a lista de devedores em falta com o cumprimento das prestações foi engrossada por 14.562 novas situações identificadas pelo Banco de Portugal. Trata-se de um aumento de 3,65% face ao final de 2018, o crescimento percentual mais acentuado desde o mesmo trimestre de 2012. No final de março, o número de incumpridores no crédito ao consumo ascendia assim a 413.773. Daí resulta que essa finalidade de crédito fosse responsável por nove em cada dez das situações de sobreendividamento identificadas no final de março.

Esse conjunto de famílias estão em falta no pagamento de 1.953 milhões de euros, montante que corresponde a 7,4% face aos 26.364 milhões de euros em crédito ao consumo disponibilizados pelos bancos. Corresponde ainda a quase metade do total do malparado nas mãos das famílias que ascende a 4.066 milhões de euros.

O acréscimo do número de situações de incumprimento no consumo acontece num contexto em que a concessão de empréstimos com esse fim está em níveis máximos. Apesar de no primeiro trimestre deste ano se observar uma quebra muito ligeira na concessão de empréstimos com esse fim, a realidade dos anos mais recentes é bastante contrastante.

Tal foi particularmente verdadeiro em 2018, ano em que os bancos disponibilizaram 4.660 milhões de euros em créditos com esse fim. Ou seja, 10% acima do verificado no ano anterior e o montante mais elevado em 14 anos. Seria necessário recuar até 2004 para ver um montante de crédito a consumo mais elevado.

Esse crescimento acontece num contexto de recuperação económica em que as famílias revelam maior apetência para assumir compromissos financeiros junto da banca.

As própria instituições financeiras estão a apostar em força na disponibilização de empréstimos às famílias, e em concreto para consumo, situação que é visível nos respetivos sites. Ilustrativo disso mesmo é a recente aposta que têm feito na concessão de crédito automóvel, com campanhas bastante visíveis nas respetivas plataformas online.

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