Emissão de obrigações da SIC arranca hoje. Dez perguntas e respostas sobre a oferta

Os investidores de retalho podem a partir desta segundo-feira adquirir títulos de dívida da estação de televisão que procura 30 milhões de euros de financiamento, dispondo-se a pagar um juro de 4,5%.

A SIC entra todos os dias pelos televisores dos portugueses e, partir de agora, pode entrar também pelas poupanças. A estação de Paço de Arcos, detida pela Impresa, começa esta segunda-feira a financiar-se junto de pequenos investidores e pretende obter 30 milhões de euros através de uma emissão de obrigações com uma taxa de juro de 4,5% por títulos de dívida que têm maturidade a três anos. O ECO compilou em dez perguntas e respostas os aspetos mais importantes da operação.

1- Quando é possível subscrever?

A oferta pública de subscrição das Obrigações SIC 2019-2022, que é dirigida ao público em geral, começa esta segunda-feira, 17 de junho, e decorre até ao dia 4 de julho de 2019. As instituições financeiras organizadoras e coordenadoras são o Caixa Banco de Investimento e o Novo Banco, mas outros bancos e corretoras deverão também disponibilizar a opção de subscreverem estes títulos aos seus clientes.

2- O que está a ser oferecido?

Esta é uma oferta pública de distribuição de obrigações na modalidade de subscrição em Portugal e destina-se a investidores indeterminados, ou seja, ao público em geral, “tendo especificamente como destinatários pessoas singulares ou coletivas residentes ou com estabelecimento em Portugal”, como explica o prospeto. No total, serão um milhão de obrigações, com o valor nominal unitário de 30 euros, sendo que o investimento mínimo é de 50 obrigações, ou seja, 1.500 euros.

3- Quais as condições da oferta?

Estas obrigações para o retalho que estão a ser emitidas pela SIC atingem a maturidade a 11 de julho de 2022 (três anos). A partir do investimento mínimo, de 1.500 euros, o montante das ordens deve ser expresso em múltiplos de 30 euros (uma obrigação). Em contrapartida, o investidor receberá um juro bruto anual de 4,5%, mas os ganhos não são garantidos.

“À subscrição das Obrigações SIC 2019-2022 estarão associadas outras despesas [como impostos] e comissões, pelo que cada potencial investidor poderá, em qualquer momento prévio à subscrição, solicitar ao intermediário financeiro junto do qual pretende transmitir a sua ordem a simulação dos custos”, lembra a SIC no prospeto, acrescentando que investidores que subscrevam apenas 50 títulos poderão não ter rendibilidade positiva.

4- Como funciona o pagamento do juro e o reembolso?

A taxa de 4,50% é anual e os juros vencem semestral. Os pagamentos são feitos a 10 de janeiro e a 10 de julho de cada ano, exceto o último pagamento de juros, que terá lugar na data de reembolso, ou seja, a 11 de julho de 2022.

5- A remuneração é atrativa?

“É uma taxa de juro ajustada à operação”, diz João Farrajota, gestor de conta da corretora XTB. “A SIC é uma empresa que, apesar de ser líder de audiências neste momento, após anos e anos atrás da TVI, tem um problema com os seus resultados financeiros pois apresentam constantemente prejuízos, assim como a Impresa, grupo que detém a SIC”, lembra o gestor sobre a empresa que recentemente usou o valor da venda de terrenos ao Novo Banco para abater dívida.

Pedro Amorim, analista de mercados da Infinox, estima que o risco da empresa para o prazo resultaria numa taxa de juro entre 2,5% e 3%. “Este lançamento a ‘prémio’ deve-se ao facto de em 2017 o grupo Impresa falhou uma emissão de dívida e para evitar que a situação se repita foi aconselhado aumentar a atratividade”, diz Amorim, explicando ainda que esta oferta ocorre na mesma altura que a emissão de dívida da TAP e “emitir a uma taxa de juro mais baixa no mesmo período de emissão de uma outra empresa, neste caso a TAP, iria perder atratividade dos investidores a retalho”.

Além do juro, a SIC foi também buscar outros trunfos para aumentar a atratividade: Cristina Ferreira, que tem puxado pelas audiências da estação de Paço de Arcos, é uma das quatro caras que vão ser utilizadas na campanha da emissão de dívida. “Assista ao seu sucesso na SIC” é o mote.

6- Qual é o objetivo da SIC com esta emissão?

Esta é a primeira emissão de dívida da SIC ou de qualquer outra empresa de media em Portugal. O objetivo é diversificar as fontes de financiamento e a alargar a maturidade média da dívida, segundo explicou a empresa no prospeto. Caso seja totalmente subscrita, serão retirados aos 30 milhões de euros um máximo de 1,38 milhões em comissões e outros custos.

Numa altura de crescimento das audiências para a estação de televisão de Paço de Arcos, a operação enquadra-se no “plano de tesouraria e reforço rigoroso da estrutura financeira” que a dona da SIC tem em marcha, como sublinhou o CEO da Impresa, Francisco Pedro Balsemão que, em declarações ao ECO.

7- Quais os principais riscos?

No prospeto da operação, a SIC aponta um conjunto de riscos associados ao tipo de títulos que está a comercializar, mas também a muitos outros que têm a ver especificamente com o emitente e que podem ter um “efeito negativo nas suas atividades, na evolução dos negócios, nos resultados operacionais, na situação financeira, nos proveitos, no património e na liquidez, nas perspetivas futuras do emitente e/ou do acionista único ou na sua capacidade para atingirem os respetivos objetivos”.

Entre esses riscos encontram-se tanto o Edifício Impresa, onde estão os estúdios da SIC, a guerra de audiências, mas também a capacidade de reter estrelas, que podem ter impacto nas receitas publicitárias. E vê ainda outros riscos relacionados com a mudança de hábitos de consumo de televisão, nomeadamente o streaming. A lista completa de riscos pode ser conhecida aqui.

8- Até quando se pode cancelar a subscrição?

Os investidores podem alterar ou revogar ordens de subscrição, através de comunicação ao intermediário financeiro que a recebeu, em qualquer momento até às 15h00 do dia 2 de julho. A partir desse limite, as ordens de subscrição não poderão ser alteradas e tornam-se irrevogáveis.

9- O que acontece se a procura superar a oferta?

A meta são 30 milhões de euros, mas o valor pode ficar acima deste montante e a oferta pode ser aumentada pela SIC até ao dia 28 de junho. Se mesmo assim o montante máximo não chegar para cobrir todas as ordens, então vão a rateio com três critérios, sendo o primeiro a atribuição de 3.000 euros (ou menos, se o investidor colocar uma ordem inferior). Se o total não chegar para todos os pedidos, irão receber os investidores que tiveram colocado as ordens primeiro.

O segundo critério de rateio é atribuição do montante restante de acordo com a data de colocação e o terceiro é a atribuição sucessiva de mais 30 euros por investidor até ser atingida a totalidade. Se, pelo contrário, a oferta não atingir o montante máximo, a SIC emite o valor das ordens pedidas, mas não cancela a operação. Mas este não é o cenário esperado pelos analistas.

Amorim aponta o “mau timing” da emissão devido à concorrência da TAP, mas prevê que a procura supere a oferta devido à publicidade que a SIC está a fazer nos próprios meios e às “fracas alternativas” de poupanças. Farrajota acrescenta que a “instabilidade no mercado com guerra comercial entre os EUA e a China e a desaceleração geral da economia global”, poderá “provocar uma procura por parte dos investidores de ativos mais estáveis, como obrigações”.

10- Quando é conhecido o resultado da operação?

Os resultados — e quantas obrigações foram atribuídas a cada investidor — serão conhecidos a 5 de julho. O pagamento das obrigações que forem atribuídas será feito no dia 10 de julho de 2019, data em que também terá lugar a liquidação e também a admissão à negociação na bolsa de Lisboa dos novos títulos. No entanto, os intermediários financeiros podem exigir aos clientes o provisionamento das respetivas contas no momento da transmissão da ordem de subscrição pelo correspondente montante.

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