FMI: Reformas laborais não têm de ser desfavoráveis para os trabalhadores

Em Sintra, para o Fórum do Banco Central Europeu, a economista-chefe do FMI defendeu reformas no mercado de trabalho, mas diz que estas não têm de ser más para os trabalhadores.

É um tema sobre o qual o Fundo Monetário Internacional tem insistido para Portugal desde antes da crise financeira, e que permaneceu na agenda mesmo depois de o resgate ter terminado, mas para a economista chefe do Fundo Monetário Internacional (FMI), Gita Gopinath, não deve ser imposto um modelo igual para reformar o mercado de trabalho em todos os países, nem estas reformas têm de ser desfavoráveis para os trabalhadores.

Na primeira vez enquanto economista-chefe do FMI no Fórum organizado pelo Banco Central Europeu em Sintra, a indiana Gita Gopinath pediu reformas estruturais aos países, mas também pediu mais ao nível europeu, fazendo eco de um tema recorrente ao longo dos três dias desta conferência: o BCE não pode fazer tudo sozinho.

A economista-chefe do FMI defendeu que são necessárias reformas ao nível nacional, e que os países que fizeram reformas estruturais ganharam maior capacidade para resistir a crises económicas.

É muito importante que os países façam reformas a nível doméstico. Temos de aumentar resiliência. Os países que fizeram reformas do mercado de trabalho e do produto são mais resilientes a choques”, disse, acrescentando que há dados que sustentam estes resultados.

Sobre o mercado de trabalho, Gita Gopinath disse que as reformas têm de ser modeladas consoante o país e as suas necessidades, e não aplicar uma abordagem igual a todos, até porque há vários modelos que provaram ter resultados, como é o caso do exemplo nórdico. Isto não quer dizer, disse, que estas reformas tenham de ser desfavoráveis para os trabalhadores.

“Não significa uma abordagem igual para todos e desregular os mercados de trabalho, não quer dizer tornar [o mercado de trabalho] menos favorável para os trabalhadores. Há muitos modelos. Existem os modelos nórdicos, que dispõem de uma rede de apoio social muito elevada, e um grande apoio na procura de emprego, mas ao mesmo tempo têm mercados de trabalho muito flexíveis, capazes de fazer a realocação dos recursos”, disse.

A economista-chefe do FMI sublinhou também a importância da criação de um orçamento para Zona Euro que tenha uma função de estabilização económica em caso de um abrandamento significativo, ou mesmo de uma recessão, um cenário que apesar de não iminente, também não estará assim tão longe de vir a acontecer.

“Vivemos num mundo em que as perspetivas económicas continuam a ser precárias. A perspetiva de uma viragem do ciclo, apesar de não iminente, também não está assim tão colocada de parte”, disse.

É por essa razão que defende a necessidade de haver esse orçamento da zona euro. Sobre o acordo que foi alcançado no Eurogrupo há cerca de uma semana, a economista-chefe do FMI reconheceu “algum progresso”, mas defendeu que “ainda há muito por fazer”.

“A politica monetária não pode resolver tudo”, defendeu. Caso não avancem reformas como a finalização da União Bancária com a criação de um mecanismo de garantia de depósitos comum, um fundo para responder a crises com dinheiro e com capacidade de reação rápida, “o sucesso da União Monetária não será aquele que gostaríamos que fosse”.

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