Portugal obtém juro mais baixo de sempre para emitir dívida a 11 meses. Taxa foi de -0,395%

Agência liderada por Cristina Casalinho realizou esta quarta-feira um leilão duplo de bilhetes do Tesouro com maturidades em setembro deste ano e maio do próximo. Colocou o montante máximo pretendido.

Portugal voltou ao mercado esta quarta-feira e conseguiu os juros mas baixos de sempre para emitir dívida a 11 meses. A Agência de Gestão da Tesouraria e da Dívida Pública – IGCP colocou esta quarta-feira 1.250 milhões de euros em bilhetes do Tesouro (BT) que vencem dentro de três e 11 meses, o montante máximo pretendido. Conseguiu taxas negativas mais baixas face às emissões anteriores, com a yield a 11 meses a ser a mais baixa do histórico de emissões.

No caso dos títulos com maturidade a 15 de maio de 2020, foram emitidos 1.000 milhões a uma taxa negativa de -0,395%. O valor compara com a taxa de juro negativa de -0,368% registada no último leilão de BT a 11 meses, realizado em abril.

Já no caso das BT a seis meses que vencem a 20 de setembro deste ano, Portugal colocou 250 milhões e conseguiu uma taxa negativa de -0,425%. Na última colocação de bilhetes com esta maturidade, o juro tinha sido de -0,415%.

Histórico das taxas obtidas nas emissões de BT a 3 e 11 meses

Fonte: IGCP e Reuters

O país tem beneficiado de uma redução das taxas pagas pela emissão de nova dívida, graças ao reforço da confiança dos investidores em Portugal e às condições externas favoráveis. Nas emissões que se realizaram na manhã desta quarta-feira, o Tesouro contou ainda com a ajuda de Mario Draghi.

O presidente do Banco Central Europeu (BCE) disse na terça-feira no fórum do banco central que decorreu em Sintra que vai avançar com novos estímulos, a menos que a situação económica melhore de tal forma que entenda que já não é necessário, algo que não se prevê que aconteça no horizonte. E Mario Draghi está disposto a tudo, incluindo a descida dos juros na região, numa altura em que as taxas estão já em mínimos históricos.

As palavras de Draghi fizeram disparar o valor das obrigações do euro, o que levou à queda dos juros no mercados secundário. A taxa das Bunds tocou pela primeira vez os -0,3%, enquanto a dívida de França e da Suécia a dez anos chegou a 0%. A taxa de Portugal recuou até perto dos 0,5%, na última sessão.

O apetite por dívida portuguesa tem sido robusto nas últimas colocações, sendo que no leilão desta quarta-feira, tal foi notório. Na emissão de BT a 11 meses, a procura foi 1,71 vezes superior à oferta (contra 1,64 vezes na última colocação), enquanto nos títulos a três meses, a procura superou a oferta em 3,1 vezes, ligeiramente inferior face às 3,12 vezes no último leilão comparável).

“À semelhança do que aconteceu no leilão de obrigações de Tesouro, Portugal volta a registar uma descida nas taxas dos leilões de dívida de curto prazo, movimento que está em sintonia com o que tem acontecido com toda a dívida soberana europeia”, diz Filipe Silva, diretor de gestão de ativos do Banco Carregosa, relativamente às condições obtidas por Portugal nesta emissão, acrescentando que “a ação do BCE continua a apontar para uma manutenção das taxas de juro negativas por mais tempo, pelo menos até “conseguir” que a inflação volte para o objetivo dos 2%”.

(Notícia atualizada às 11h19 com inclusão do comentário do Banco Carregosa)

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