Os novos gadgets da floresta

  • ECO + REN
  • 27 Junho 2019

A gestão da floresta é cada vez mais baseada em novos equipamentos e com mais tecnologia incorporada para poder aumentar a rentabilidade dos produtos florestais.

Os espaços florestais em Portugal ocupam 67% do território nacional, dando emprego direto a cerca de 115 mil pessoas. A atividade económica ligada à fileira florestal representa cerca de 2% do PIB português e tem sofrido o impacto da inovação e de novas tecnologias.

A mecanização pode aumentar a rentabilização dos produtos florestais porque reduz os custos de produção. Mas, se não for bem executada, “pode contribuir ainda mais para o aumento dos custos e para a degradação do ecossistema florestal”, salienta Pedro Serra Ramos, gestor da empresa ForestFin-Florestas e Afins e presidente da ANEFA (Associação Nacional de Empresas Florestais, Agrícolas e do Ambiente). “A necessidade de produzir mais associada à falta de mão-de-obra justifica a importância da mecanização para a gestão da floresta”, reforça Daniel Santos, diretor comercial da Floponor.

A mecanização da floresta tem como principais vantagens a redução de mão-de-obra, a incorporação de mão-de-obra especializada e a melhoria das condições de segurança. Mas “o trabalho florestal é um trabalho muito duro e como tal para que haja rentabilidade na sua execução só poderá ser realizado com equipamentos apropriados”, refere Rogério Carvalho, gerente da Unitractores, com sede em Vila Nova de Poiares. “A redução do risco de acidente, a melhoria das condições de segurança e de trabalho dos operadores constitui desde logo uma clara vantagem da mecanização”, elenca Serra Ramos.

São condições essenciais para atrair pessoas para trabalhar na floresta porque “a mão-de-obra é cada vez mais escassa”, defende Rogério Carvalho. “A mecanização e a necessidade de incorporar mão-de-obra especializada, com a exigência de menos esforço físico e a utilização de novas tecnologias, poderá ajudar a atrair população mais jovem”, diz Pedro Serra Ramos.

O trator de floresta

Com esta mudança, o “trator para trabalhos na floresta deixou de ser um trator agrícola adaptado para passar a ser um trator florestal, já que vem de fábrica equipado para operar na floresta”, sublinha Rogério Carvalho, e tem em conta a segurança do operador, as condições de trabalho, como o posto de trabalho reversível, e a proteção especial dos equipamentos. “Estes equipamentos mais recentes têm vindo a ser incorporados com os mais recentes avanços tecnológicos como seja a tecnologia gps, o auxílio de câmaras de vídeo, entre outras”, aduz Daniel Santos.

Rogério Carvalho considera que houve uma grande evolução na tecnologia para os trabalhos na floresta. Nas limpezas de mato, “em que os destroçadores deixaram de ser uma mera alfaia para passarem a ser a alfaia de determinadas máquinas, algumas já só dedicadas a essa operação”. Têm equipamentos “que com uma passagem destroem e incorporam toda a vegetação no solo mesmo em zonas de grande declive”.

Depois dos incêndios de 2017 houve uma maior mediatização das ações de silvicultura preventiva e “um aumento considerável da procura de serviços de silvicultura preventiva, que também coincidiu com um momento positivo da economia nacional e consequente baixa taxa de desemprego”, assinala Daniel Santos.

Neste contexto, as empresas prestadoras deste tipo de serviços tiveram de realizar avultados investimentos na aquisição de equipamentos que lhes permitissem aumentar a capacidade de trabalho, com menor recurso a mão-de-obra e sem aumentar o preço dos serviços. Mas houve empresas como a REN que, para “minimizar o constrangimento identificado” adquiriu cinco destroçadores florestais de grande capacidade, colocados ao serviço dos seus principais prestadores de serviços, explica ” Daniel Santos. Foi o caso da Floponor.

Uma máquina destas equivale a 60 homens a trabalhar. Elas têm um destroçador florestal à frente e são muito mais eficientes. Outra das vantagens é que ela faz uma pequena movimentação do solo e, portanto, retarda o surgimento da vegetação”, explica João Gaspar, responsável da área de Património da REN.

Aproveitamento da biomassa

Nas limpezas de mato, a tecnologia avançou em duas frentes principais. Por um lado, a destruição da vegetação com incorporação no solo, através de destroçadores de martelos associados a tratores ou máquinas com maior potência, o chamado “equipamento dedicado”. Por outro lado, a recolha de vegetação com aspiração para produção de biomassa. Esta, segundo Pedro Serra Ramos, é “de difícil aplicação em Portugal devido às condições de orografia dos nossos terrenos”. Refere as máquinas robotizadas em que a operação de desmatação e incorporação no solo é realizada à distância por telecomando, para operar em zonas de grandes declives e/ou com obstáculos.

O aproveitamento da biomassa também se refletiu em novos equipamentos que, “no terreno, permitem a recolha e estilhaçamento da biomassa de imediato, podendo transportar a mesma para local de acesso aos camiões”, diz Rogério Carvalho.

Pedro Serra Ramos antevê que o aproveitamento dos resíduos de exploração para biomassa e de espécies como o pinheiro bravo, para serem rentáveis, levará a uma alteração dos modelos de exploração florestal, “com a passagem de um modelo por toros para a exploração de árvore inteira”.

Arborização difícil

Os ganhos em termos de produtividade com a mecanização são grandes, “mas variam de área para área de trabalho”. “A mecanização implica investimento, e o investimento só é possível se houver trabalho”, refere Rogério Carvalho, exemplificando com a arborização que foi uma das áreas que menos evoluiu em termos de mecanização. Pedro Serra Ramos adianta ainda que, nesta área, “apostou-se no arranque de cepos e começa agora a avançar o desenvolvimento de plantadores mecânicos. Todavia, dadas as nossas condições de terreno, não é fácil a mecanização das operações de plantação”.

Rogério Carvalho alerta ainda para o facto de haver tendência “para procurar soluções em países que têm pouco a ver com as características da nossa propriedade e depois a sua rentabilidade, enquanto solução, é baixa”. Pedro Serra Ramos concorda que “existe uma tendência para tentar adequar os equipamentos, usados no norte da Europa, a Portugal e ao sul da Europa. Ora, as condições do terreno são muito diferentes e o setor não comporta os preços desses equipamentos em termos de valorização dos produtos florestais”.

O responsável da Unitractores explica que esta evolução tecnológica e melhoria da qualidade atinge equipamentos como gruas, guinchos, reboques florestais, “sem que tal se tenha refletido numa grande diferença de preço”, acentua o gestor da empresa que se dedica a máquinas florestais, na área da rechega há mais de trinta anos e, mais recentemente, na área da biomassa e das limpezas.

 

 

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