Banco de Portugal contra retenção de juros dos depósitos pela CGD

A CGD decidiu deixar de pagar juros nas pequenas poupanças. Retornos abaixo de um euro não vão ser pagos aos clientes, decisão que não agrada ao supervisor da banca.

A Caixa Geral de Depósitos (CGD) decidiu deixar de pagar juros nas pequenas poupanças. Sempre que o depósito render menos de um euro, o banco público retém esse valor, prática que desagrada ao Banco de Portugal. Carlos Costa já fez saber o descontentamento à administração de Paulo Macedo, sabe o ECO.

“O Banco de Portugal já transmitiu à CGD a sua posição relativamente à política de pagamento de juros de depósitos a prazo recentemente anunciada por esta instituição de crédito”, afirmou fonte oficial do supervisor. O ECO tentou contactar a CGD, mas ainda não conseguiu obter uma reação.

O banco estatal decidiu, na semana passada, alterar a forma como vai remunerar a poupança dos seus clientes. “A partir de 1 de agosto de 2019, será alterada a regra de pagamento de juros nos depósitos a prazo e depósitos poupança, pelo que não serão pagos juros sempre que o valor ilíquido dos juros calculados seja inferior a um euro”, informou o banco liderado por Paulo Macedo numa carta enviada aos clientes.

"Banco de Portugal já transmitiu à CGD a sua posição relativamente à política de pagamento de juros de depósitos a prazo recentemente anunciada por esta instituição de crédito.”

Banco de Portugal

Fonte oficial

Esta decisão faz com que as poupanças mais pequenas deixem de ser remuneradas, até porque ao mesmo tempo o banco decidiu cortar as taxas praticadas. Tendo em conta as poupanças que viram as taxas revistas em baixa, só os clientes que tenham um valor acima dos 6.667 euros receberão os juros, isto caso a política não seja revertida.

Recorde-se que a decisão da CGD mereceu a crítica da Deco. “Não é correto o que a Caixa está a fazer. Isto significa que todos os depósitos com prazo de um ano e abaixo de 6.670 euros não vão render qualquer juro, penalizando os pequenos aforradores. É por isso é que é imoral. O banco público devia incentivar as poupanças”, afirmou ao ECO o economista da Deco António Ribeiro.

Mais recentemente, também o Bloco de Esquerda se insurgiu contra a prática anunciada da CGD. A deputada bloquista Mariana Mortágua considerou que a decisão de não pagar juros quando o valor ilíquido é inferior a um euro “não é mais do que uma comissão encapotada que penaliza as poupanças mais baixas” e que “contraria os desígnios de um banco público”.

(Notícia em atualização)

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