Açores emitem 223,5 milhões de euros com juro de 1,006%

Governo regional vai usar 163,5 milhões do total colocado para refinanciar dívida antiga e os restantes 60 milhões para financiar projetos de investimento.

Os Açores foram, pela primeira vez, ao mercado de dívida. O Governo regional colocou 223,5 milhões de euros, numa operação que vai permitir refinanciar dívida e fazer novos investimentos. O juro pedido pelos investidores para comprarem obrigações açorianas a 10 anos situou-se em 1,006%.

“Consegue-se aferir o sucesso desta operação a dois níveis. Por um lado, ao nível da procura que o mercado internacional demonstrou pela dívida da Região e, por outro lado, pelo custo a suportar”, afirmou Vasco Cordeiro, presidente do Governo regional.

A procura pelas obrigações excedeu em mais de 50% a oferta, ou seja, atingiu os 344 milhões de euros. Já a taxa de juro foi acima da yield das obrigações da República a dez anos. Na semana passada, o Tesouro português também colocou dívida com esta maturidade e pagou o juro mais baixo de sempre (0,51%). Em mercado secundário, estes títulos negoceiam esta terça-feira em 0,55%.

“Há uma leitura global que se pode fazer do sucesso desta operação. O interesse dos mercados internacionais pelas obrigações da Região é revelador da credibilidade das suas contas públicas e da capacidade que a Região demonstra ter para honrar os seus compromissos financeiros”, acrescentou.

163,5 milhões vão refinanciar dívida antiga

Do total emitido, 163,5 milhões vão ser usados em refinanciamentos e os restantes 60 milhões para financiar projetos de investimento. Cordeiro acrescentou que a operação permitirá à região uma “redução substancial” dos encargos financeiros, representando uma poupança superior a dois milhões de euros por ano de refinanciamento.

O Beka Finance e o Credit Agricole CIB foram os bancos envolvidos na operação de colocação das obrigações junto de investidores institucionais, que irão negociar na Euronext Lisbon. A operação foi influenciada pela avaliação das agências de rating.

A Fitch iniciou recentemente a cobertura da dívida da região Autónoma dos Açores, colocando-a em grau de investimento. A notação de longo prazo é “BBB-“, um degrau abaixo ao da República, e com um outlook estável. A DBRS deu uma classificação semelhante: de “BBB” (low) com perspetiva estável (um nível acima de lixo e um abaixo da República).

Por outro lado, a Moody’s ainda vê os Açores como investimento especulativo. O rating está em “Ba1” com perspetiva está “refletindo o elevado endividamento direto e indireto e os desafios orçamentais para fazer face aos atuais défices financeiros”, como explicou a agência em abril.

O défice da Administração Regional dos Açores agravou-se em 74,1 milhões de euros no total do ano passado, para 126 milhões, em parte devido a uma garantia dada à SATA no valor de 76 milhões de euros. Já a dívida pública aumentou para 1.859 milhões de euros, face aos 1.690,4 milhões de euros no ano anterior. Em sentido contrário, na Madeira, o saldo orçamental teve excedente e a dívida diminuiu.

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