Draghi penaliza bolsas e dívida europeias. Nem o novo pacote de estímulos salva

O outlook para a economia delineado pelo presidente do Banco Central Europeu é negativo, o que justifica ter aberto a porta a novos estímulos a partir de setembro. Mas não entusiasmou os mercados.

O pessimismo do presidente do Banco Central Europeu (BCE) para a economia da Zona Euro lançou medo nos mercados europeus. Após uma reação positiva ao anúncio de novos estímulos monetários, o foco transitou para o outlook económico: as ações tombaram e os juros das dívidas começaram a subir.

“O outlook económico está cada vez pior”, disse Mario Draghi em conferência de imprensa, explicando que o Conselho de Governadores concordou de forma unânime que há mais riscos e que uma recuperação económica no segundo semestre do ano “é cada vez menos provável”. Neste cenário, abriu a porta a cortes de juros, relançamento da compra de dívida e garantiu que todos os instrumentos estão em cima da mesa.

A Alemanha é uma das principais preocupações devido à desaceleração da atividade fabril no país e este foi tema de conversa na conferência de imprensa. O índice alemão DAX começou a cair e acabou por fechar a sessão com uma desvalorização de 1,1%. Também o Stoxx 600 perdeu 0,5%, o parisiense CAC 40 recuou 0,4% e o madrileno IBEX 35 cedeu 0,3%, penalizado também pela incapacidade de formar Governo em Espanha.

Galp escapa ao vermelho e Impresa dispara

Lisboa não foi exceção. O PSI-20 caiu 0,43% para 5.180,80 pontos. O retalho esteve entre as maiores perdas, com a Sonae a tombar 1,42% para 0,86 euros e a Jerónimo Martins a ceder 0,61% para 14,74 euros.

Destacou-se ainda a Navigator — que reportou após a última sessão uma queda de 20,5% nos lucros para 94,9 milhões no primeiro semestre — desvalorizou 1,10%. O BCP, que poderá beneficiar de um amortecedor do BCE para reduzir o impacto de um corte nos juros para a banca, deslizou 0,04% para 0,26 euros.

Na energia, o sentimento foi misto. A meio da apresentação de resultados das empresas do grupo EDP, a casa-mãe perdeu 0,15% e a eólica perdeu 0,54%. Em sentido contrário, a Galp Energia foi uma das quatro cotadas que fechou a sessão no verde, tendo ganho 0,07% para 14,18 euros.

Fora do PSI-20, a estrela foi a Impresa. O grupo de media revelou, esta quarta-feira, uma subida nos lucros do semestre, para 3,5 milhões de euros. Os títulos da dona da SIC fecharam a sessão a valer 26,40 cêntimos, após um ganho de 6,88%.

Juros das dívidas não resistem

Fora do mercado acionista, Draghi também teve um forte impacto. O Conselho de Governadores do BCE anunciou ter dado “instruções aos comités relevantes do Eurossistema para avaliarem opções”, incluindo “opções para o tamanho e composição de potenciais novas compras líquidas de ativos”.

Após três anos de compra líquida de dívida pública e privada da Zona Euro, o BCE passou o programa de aquisição de ativos para uma nova fase, no final de 2018. Desde o início do ano que têm decorrido apenas reinvestimentos dos montantes que atingem as maturidades. Agora, poderá voltar atrás e voltar à fase de compra líquida de títulos, a estratégia que permitiu a países como Portugal financiaram-se a baixos custos.

O anúncio levou as yields a afundarem. No caso de Portugal, o juro das obrigações a dez anos chegou a tocar os 0,333% enquanto Draghi falava, mas acabou por recuperar até os 0,438%. Espanha e Itália tiveram a mesma reação, enquanto a Alemanha (refúgio dos investidores em tempos de desaceleração económica) teve o sentido contrário. A yields das Bunds alemãs a dez anos caíram para -0,36%.

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