BCP afunda 14% em julho. É o pior mês do banco em bolsa desde o aumento de capital

Banco começou o dia a ganhar, mas já inverteu para terreno negativo. BCE dá pior mês ao BCP desde o anúncio do aumento de capital em janeiro de 2017. PSI-20 também fecha julho em baixa.

Qual é o melhor dia para os acionistas do BCP? Talvez o 31 de julho, porque depois entra um novo mês (por sinal, de férias) e podem assim esquecer o péssimo desempenho das ações do banco nas últimas semanas. Os títulos afundam quase 14% este mês. É o pior registo mensal desde que anunciou um aumento de capital de 1.300 milhões de euros e que deu início a uma nova fase da vida do banco.

A culpa desta queda recai sobretudo no Banco Central Europeu (BCE), cuja intenção de fazer baixar os juros de referência na Zona Euro para valores ainda mais negativos e durante mais tempo do que o previsto está a deixar os bancos europeu apreensivos em relação ao impacto que esta situação vai ter no seu negócio.

Miguel Maya, CEO do BCP, revelou esta segunda-feira um aumento os lucros no primeiro semestre, mas alertou que “há um fator que tem a ver com a evolução das perspetivas da política monetária que teve impacto importante” no atividade do banco e acrescentou que os últimos três meses do ano vão ser “desafiantes”. O BPI, que já não está cotado na bolsa, também admitiu que por causa da ação do BCE poderá rever as suas metas.

BCP em queda livre em julho

Esta quarta-feira, último dia do mês de julho, o BCP até evidenciou algum apetite comprador na primeira hora de negociação. Mas depois inverteu para terreno negativo, levando consigo o PSI-20. As ações do banco cediam há momentos 0,72% para 0,2338 euros, naquela que é a sexta sessão a desvalorizar. Já o principal índice português apresenta-se agora em baixa de 0,23% para 5.018,21 pontos.

São 13 as cotadas que pressionam a praça lisboeta nesta sessão. Outros destaques negativos vêm de outros dois pesos pesados nacionais: a EDP cai 0,54% para 3,29 euros e a Jerónimo Martins recua 0,34% para 14,56 euros.

Do lado positivo, salva-se a Galp: as ações avançam 0,72% e travam maiores perdas na bolsa nacional.

Lá por fora há ganhos, mas também estes são comedidos. O CAC 40 de Paris soma ligeiros 0,13%, e o DAX 30 de Frankfurt avança 0,23%. O índice Stoxx 600, referência para a Europa, está em zona flat, sem mostrar grande variação. E o índice da banca europeia Stoxx 600 Banks ganha 0,22%.

Os investidores estão de olhos postos no que vai anunciar a Reserva Federal norte-americana ao final da tarde em Lisboa. Vem aí uma descida de juros na maior economia do mundo, pelo menos é o que esperam os analistas. Será o primeiro corte nas taxas da Fed em dez anos, desde a grande crise financeira.

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