Pela 1.ª vez, toda a dívida alemã está com juros negativos. Portugal tem yield negativa até aos sete anos

Juros das dívidas soberanas da Zona Euro caem em reação às novas taxas alfandegárias que os EUA irão aplicar às importações chinesas. Ações a afundar estão a impulsionar o apetite por obrigações.

Os investidores procuram refúgio na dívida alemã, num dia em que as ações afundam devido ao impacto das novas investidas de Donald Trump na guerra comercial. A curva de yield das Bunds alemãs está negativa até aos 30 anos, enquanto outros países estão a seguir a tendência. No caso de Portugal, os juros das obrigações do Tesouro a sete anos voltaram a tocar terreno negativo.

O presidente norte-americano anunciou, através do Twitter, que vai impor taxas alfandegárias suplementares de 10% sobre um total de 300 mil milhões de dólares de importações oriundas da China, a partir de 1 de setembro.

Com esta decisão, as alfândegas norte-americanas passam a cobrar taxas sobre todos os produtos oriundos da China. Decisão já mereceu críticas de Pequim, mas também a preocupação mundial. Receios de que este clima de tensão tenha um forte impacto no crescimento da economia mundial estão a castigar as ações e o petróleo. Em sentido contrário, está a aumentar a procura por dívida.

O juro da dívida da Alemanha a 30 anos ficou, primeira vez, negativa nesta sexta-feira, tendo tocado -0,002%. Nunca a Alemanha tinha ficado com as taxas de todas as maturidades da sua dívida abaixo de zero.

A yield das obrigações portuguesas a dez anos segue a tendência, afundando para 0,285%, valor já muito próximo do mínimo histórico de 0,278% a que negociou a 3 de julho. Aproxima-se também do juro pedido pelos investidores para trocarem dívida espanhola com a mesma maturidade, que atingiu esta sexta-feira os 0,23%.

Toda a dívida pública portuguesa até aos seis continua em terreno negativo, sendo que os títulos a sete anos tocaram durante a manhã também esse patamar — nos -0,009% –, o que não acontecia desde o mês passado.

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