Sindicatos não cedem. Greve é por tempo indeterminado

No final do plenário sindicatos apelaram aos trabalhadores do país: serviços mínimos são ataque ao direito à greve que devia preocupar "jornalistas, professores e todas as profissões". Mas vão cumprir

Foi ao som das palavras de ordem “nem um passo atrás” que os sindicatos independentes de motoristas anunciaram a decisão do plenário conjunto realizado este sábado. A greve é para avançar e por tempo indeterminado. Quanto tempo durará? Das duas uma: ou o tempo que a Antram demorar a ceder, ou o tempo que os motoristas aguentarem sem salário.

“A greve é para avançar, foi nesse sentido que se realizou o plenário: informámos e ouvimos os associados e a decisão foi unânime. A greve é para avançar e por tempo indeterminado tal como referido no aviso prévio de greve”, anunciou à saída da reunião Jorge Cordeiro, presidente do Sindicato Independente de Motoristas de Mercadorias (SIMM). Mas as duas estruturas garantem: “Os serviços mínimos serão cumpridos.”

“Os associados dos dois sindicatos manifestaram-se e enquanto não houver uma resposta definitiva ao nosso apelo por parte da Antram estaremos em greve”, apontou por seu turno Francisco São Bento, presidente do Sindicato Nacional de Matérias Perigosas (SNMMP). O que os motoristas querem é claro: “Nada abaixo dos tais 900 euros [vencimento base] prometidos pela Antram desde o início das negociações. Só têm que cumprir com o que está em cima da mesa, é exequível”, apontou.

O que divide os motoristas e as empresas, porém, vai além do vencimento base. Além das exigências neste campo, os sindicatos explicaram que também está em causa a chamada ‘cláusula 61’ — que é referente à isenção de horário, e que assegura o pagamento de duas horas extra independentemente de serem feitas, mas que não paga mais do duas quando fazem três ou mais horas, o que é o caso mais comum. A incorporação desta cláusula no vencimento base, o pagamento de todas as horas extraordinárias trabalhadas pelos motoristas e o fim do pagamento de ajudas de custo apenas por quilómetro efetuado — quando muitas vezes ficam ‘presos’ várias horas à espera de carga — são outras das reivindicações na mesa.

Motoristas já articulados com vários outros sindicatos

A posição assumida pelos sindicatos este sábado foi além da simples confirmação da greve. Sentem-se apoiados por “dezenas de sindicatos” com quem se começaram a articular desde que o Governo decretou “serviços máximos”, como os apelaram e quiseram deixar claro que a posição de força do Executivo encontrou uma resistência de força que pode ainda crescer, salientaram.

“A preocupação” com a imposição de mínimos de 50% a 75% “está não só no nosso sindicato como noutros. Estamos em articulação com mais de uma centena de sindicatos nacionais”, revelou Francisco São Bento. “Estes sindicatos viram nos serviços mínimos um ataque à greve de qualquer setor. Deviam rever-se na nossa luta todos os trabalhadores de Portugal, jornalistas, professores, médicos… todas as profissões deviam estar preocupadas com estes serviços mínimos”, apelou.

“Há uma onda de indignação por parte de todas as profissões e seus sindicatos que consideram que há aqui uma cobaia para futuras greves, onde o Governo decretará como quiser”, disse ainda.

Mas mesmo perante a imposição de serviços mínimos tão elevados, os sindicatos garantiram que estes irão ser “cumpridos escrupulosamente”. Contudo, há que ter em conta a forma de cálculo desses mesmos mínimos, lembraram. “São definidos em termos homólogos, tal como está na Lei, logo serão cumpridos em percentagem dos trabalhadores que estavam ao serviço no mesmo período do ano passado”, explicou o líder do SNMMP.

Agora, será a percentagem sobre os trabalhadores que estavam ao serviço suficientes para evitar a requisição civil? “Se vai haver um equilíbrio nas opiniões entre Governo e o que está a ser exercido, não sei. Fica ao critério do governo tomar as decisões que achar que deve tomar [requisição civil].”

O plenário de motoristas, que decorreu em Aveiras de Cima, arrancou esta tarde por volta das 16h com os presentes a apontarem para a participação de três ou quatro centenas profissionais de ambos os sindicatos de motoristas — já que não foi possível aos jornalistas recolher sequer imagens da sala.

Da parte da manhã, já o SIMM reuniu em plenário os seus sócios, tendo saído desse encontro a confirmação de que a greve é para avançar, mas também de que os motoristas iriam privilegiar o respeito pela Lei e pelo civismo durante a paralisação, incluindo o cumprimento dos serviços mínimos decretados pelo Executivo.

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