Ameaça de recessão coloca bolsas europeias em “alta tensão”. Lisboa não escapa

Bolsas europeias deslizaram 2%, enquanto os juros da dívida atingiram mínimos, o petróleo caiu e o ouro atingiu máximos de sete anos, com os investidores a refugiarem-se no "metal amarelo".

Os mercados estiveram sob “alta tensão” nesta quarta-feira. Os fracos dados sobre a economia europeia, que apontam para uma Alemanha à beira da recessão, mas também a desaceleração da produção industrial chinesa não agradaram os investidores. Os principais índices bolsistas europeus sofreram perdas em torno de 2%, rumo que foi acompanhado pelo PSI-20. A evolução do mercado da dívida fez também soar sinais de alarme de recessão, o petróleo derrapou e o ouro ganhou “tração” acima dos 1.500 dólares, renovando máximos de mais de sete anos.

A confiança dos investidores fraquejou após a divulgação nesta quarta-feira dos dados para o produto interno bruto (PIB) na Europa, que põem em causa a evolução das economias do Velho Continente.

O PIB da Zona Euro cresceu escassos 0,2% no segundo trimestre, enquanto a maior economia da região — a Alemanha — registou uma contração de 0,1%, penalizada pela guerra comercial e a fraca procura de produtos dos seus fabricantes.

Nesse contexto, as bolsas europeias foram intensificando as perdas que sofriam desde o início da sessão, com estas a acabarem por rondar os 2%.

O Stoxx 600, índice acionista que agrega as 600 maiores cotadas europeias, desvalorizou 1,8%, com o setor da banca a registar uma quebra de mais de 2,5%. Entre os vários países, destaca-se o recuo de 2,3% do DAX alemão, de 2,2% do francês CAC 40, de 2% do IBEX espanhol, de 2,53% do FTSE MIB de Itália e de 1,7% do FTSE britânico.

A bolsa de Lisboa acompanhou a mesma tendência, com o PSI-20 a perder 1,55%, para os 4.750,68 pontos, pressionado pelo tombo de 4,16% do BCP, para os 19,79 cêntimos, título que te sido muito penalizado, e que hoje seguiu a tendência negativa do setor europeu.

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Entre os 18 títulos do índice bolsista nacional, nenhum conseguiu escapar ao vermelho. Para além do BCP, que comandou as perdas da sessão, a Galp Energia foi outra das cotadas que mais pressão exerceu. As ações da petrolífera tombaram 2,24%, acompanhando a forte desvalorização das cotações do petróleo nos mercados internacionais. Já as da EDP perderam 1,92%, para os 3,321 euros.

“Os números do PIB alemão soaram mal para os mercados europeus que deixaram de lado o impacto positivo limitado da trégua tarifária de Trump”, afirmou Chris Beauchamp, analista-chefe de mercado do IG Group, citado pela Reuters, enquadrando as fortes perdas bolsistas desta sessão.

Dívida, petróleo e ouro soam os alarmes

Os sinais de alerta também refletiram-se no mercado da dívida soberana. A yield da dívida alemã a dez anos atingiu um novo mínimo histórico de -0,62%, com o diferencial face ao prazo de dois anos a atingir apenas 24 pontos base, o valor mais curto desde 2008.

Portugal não foi exceção nesse movimento, com os juros da dívida portuguesa a dez anos a voltarem esta quarta-feira a negociar abaixo dos 0,20%, tendo já tocado um mínimo de 0,18%. A situação na Europa acontece depois de a curva da yield da dívida dos EUA, mas também a britânica terem invertido, evolução que remete para uma subida do risco de recessão global.

Ouro acelera para novo máximo de sete anos

Fonte: Reuters

O receio do fantasma da recessão, que penalize o consumo energético, também é percetível na evolução das cotações do petróleo. O barril de brent perdia 4,05% no mercado londrino para os 58,84 dólares, enquanto o crude transacionado em Nova Iorque caía 4,48%, para os 54,54 dólares por barril.

Os investidores estavam ainda a procurar refúgio no ouro. A cotação do metal precioso valorizava 1,05%, para os 1.517,14 dólares por onça, na fasquia mais elevada desde abril de 2013. A tendência beneficia quem tenha grandes reservas de ouro, como é o caso do Estado português. Só este ano, o ouro nos cofres do Banco de Portugal já valorizou 2,7 mil milhões este ano.

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