Acabou a greve. Motoristas de matérias perigosas decidem voltar à estrada

Reunidos em plenário, os motoristas de matérias perigosas decidiram este domingo levantar a paralisação, mas admitem greve às horas extraordinárias caso a Antram se mostre intransigente.

Os trabalhadores afetos ao Sindicato dos Motoristas de Matérias Perigosas (SNMMP), reunidos em plenário, decidiram este domingo levantar a greve iniciada a 12 de agosto, por tempo indeterminado, em defesa do acordo assinado em maio com a Associação das Empresas de Transportes de Mercadorias (Antram). Está assim aberta a porta para uma primeira reunião entre motoristas e patrões, com a mediação do ministro das Infraestruturas e Habitação conforme confirmado entre domingo por fonte do governo.

“Tendo em conta que estão reunidas as condições para podermos negociar com a ANTRAM e com o Governo, foi deliberado aqui no nosso plenário desconvocar a greve”, afirmou Pedro Pardal Henriques, porta-voz do sindicato, em declarações transmitidas pelas televisões.

Ainda que os motoristas tenham voltado a gritar “Nem um passo atrás!” no final do encontro, de acordo com a informação transmitida pela Rádio Renascença, Pedro Pardal Henriques e Francisco São Bento, presidente do SNMMP, acabaram por anunciar o fim do protesto.

Os motoristas deixam, no entanto, o aviso: se a Antram se mostrar “intransigente” na reunião da próxima terça-feira, a direção continua mandatada para decidir sobre outras formas de luta, incluindo o recurso à greve às horas extraordinárias, fins de semana e feriados, anunciou Francisco São Bento à saída do plenário e após a leitura da moção aprovada no encontro.

No ponto 2 da referida moção, São Bento leu: “Caso a ANTRAM demonstre uma postura intransigente na reunião, mandatar o SNMMP a tomar todas as ações adequadas à defesa dos motoristas de matérias perigosas, incluindo o recurso à medida mais penalizante, nomeadamente a convocação de greves às horas extraordinárias, fins de semana e feriados.”

A associação das empresas de transportes de mercadorias (Antram) já se disponibilizou para integrar o processo de mediação pedido pelos motoristas à Direção-Geral do Emprego e das Relações de Trabalho, afirmando ser convicção da “associação que um processo de mediação, realizado em clima de paz, poderá conduzir à solução do problema”. Ao ECO, André Matias, porta-voz da associação patronal reafirmou na noite de sábado: “A mediação está aceite assim que desconvoquem a greve”.

As reivindicações centram-se agora num aumento do subsídio de operações, que foi fixado no acordo coletivo nos 125 euros no caso das matérias perigosas, reclamando um aumento de 40%, o equivalente a cerca de 50 euros por mês. Mas ao final de uma maratona negocial de 10 horas, a Antram veio responder que não é possível atender às exigências dos trabalhadores. “O aumento que o sindicato quer, além de incomportável, é discriminatório face aos colegas associados da Fectrans e do SIMM”, afirmou André Matias.

O SNMMP deixa, assim, cair a exigência de progressões salariais para 2021 e 2022, exigência que levou os trabalhadores a estarem em greve nos últimos sete dias, sem que a paralisação se tenha traduzido em verdadeiros transtornos para os portugueses.

O ministério da Infraestruturas já veio confirmar a reunião marcada para terça-feira, que deverá sentar Pedro Nunos Santos com os representantes dos motoristas e dos patrões. E António Costa, primeiro-ministro, veio congratular-se com a decisão tomada em plenário neste domingo.

 

(Notícia atualizada às 21H08 com reação do primeiro-ministro.)

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