Medidas da UE contra fake news são insuficientes

  • Lusa
  • 7 Setembro 2019

Quando há líderes de países na União Europeia a dar gás a notícias falsas, analistas ouvidos pela Lusa dizem que as medidas não chegam e que a UE tem de fazer mais para combater a desinformação.

As medidas voluntárias que a União Europeia (UE) adotou para combater as notícias falsas, como a autorregulação, são “insuficientes” numa altura em que alguns líderes políticos espalham desinformação, observam analistas ouvidos pela agência Lusa, defendendo leis comunitárias mais “severas”.

Nós, hoje em dia, temos notícias falsas cada vez mais profundas e elas estão a desenvolver-se a um ritmo e qualidade tais que se torna difícil detetar o que é real ou não”, alertou, em declarações à agência Lusa o diretor estratégico do centro de reflexão Friends of Europe, Dharmendra Kanani.

Fazendo um balanço das medidas em curso na UE para combater a desinformação – algumas das quais entraram em vigor para impedir que este tipo de conteúdos afetasse as eleições europeias de maio –, o analista considerou que “o código de conduta e as outras medidas adotadas em termos de autorregulação foram implementadas um pouco tarde porque o problema já estava à porta e não foi possível acompanhar o seu ritmo”.

Por isso, acrescentou, “este assunto deve uma das 10 maiores prioridades” para a nova Comissão, que entra em funções em novembro, liderada pela alemã Ursula von der Leyen.

“Não nos podemos esquecer que, atualmente, temos líderes na UE que propagam ativamente as suas próprias notícias falsas”, destacou Dharmendra Kanani.

Aludindo a “vulnerabilidades da agenda interna” da UE introduzidas por responsáveis políticos de países como o Reino Unido, Polónia, Hungria e Itália, o analista notou que “eles não vão tentar tanto quanto deviam [combater este fenómeno] porque, na verdade, beneficiam das notícias falsas”.

“Penso que o que necessitamos é de uma abordagem muito diferente em termos de governança e de regulação”, vincou Dharmendra Kanani, sugerindo a criação de “um regulador europeu para a proteção digital focado nas notícias falsas e na desinformação”, que inclua “engenheiros informáticos, plataformas ‘online’ e consumidores”.

Em causa deveria estar, a seu ver, “uma instituição europeia independente”, um “regulador que fosse capaz de pesquisar, investigar, pôr em prática códigos de conduta para práticas maliciosas e que fosse especialmente severo, também tendo os recursos para atacar esta questão”, especificou o responsável.

“Se não [tiver esses recursos], acaba por ser suave e não consegue acompanhar” a evolução, adiantou o especialista à Lusa.

Posição semelhante manifestou o analista do centro de reflexão European Policy Centre Paul Butcher, para quem “o esforço que as plataformas ‘online’ fizeram para combater [as ‘fake news’], na base do código de conduta, não foi suficiente”, já que “algumas medidas se revelaram contraproducentes” e “difíceis de aplicar”.

“Penso que a atual abordagem não é suficiente e, por isso, terá de ser adotada regulamentação adicional”, vincou o especialista, defendendo “regulação mais forte para as plataformas ‘online’, que pode incluir sanções”.

Para Paul Butcher, o novo executivo comunitário deverá, então, “introduzir legislação adequada, mais severa para as empresas das redes sociais fazerem mais”.

O combate à desinformação e às ‘fake news’ tem estado no topo da agenda da Comissão Europeia e do Conselho da UE.

Foi, por isso, criado no final do ano passado um Plano de Ação Conjunto que contém medidas como a criação de um sistema de alerta rápido para sinalizar campanhas de desinformação em tempo real, que entrou em vigor em março deste ano.

Criado foi ainda um instrumento de autorregulação para combater a desinformação ‘online’, um código de conduta subscrito por grandes plataformas digitais, como Google, Facebook e Twitter, que se comprometeram a aplicá-lo, adotando medidas como a monitorização para evitar estes tipo de conteúdos nas suas páginas.

Uma carta aos nossos leitores

Vivemos tempos indescritíveis, sem paralelo, e isso é, em si mesmo, uma expressão do que se exige hoje aos jornalistas que têm um papel essencial a informar os leitores. Se os médicos são a primeira frente de batalha, os que recebem aqueles que são contaminados por este vírus, os jornalistas, o jornalismo é o outro lado, o que tem de contribuir para que menos pessoas precisem desses médicos. É esse um dos papéis que nos é exigido, sem quarentenas, mas à distância, com o mesmo rigor de sempre.

Aqui, no ECO, estamos a trabalhar 24 horas vezes 24 horas para garantir que os nossos leitores têm acesso a informação credível, rigorosa, tempestiva, útil à decisão. Para garantir que os milhares de novos leitores que, nas duas últimas semanas, visitaram o ECO escolham por cá ficar. Estamos em regime de teletrabalho, claro, mas com muita comunicação, talvez mais do que nunca nestes pouco mais de três anos de história.

  • Acompanhamos a cobertura da atualidade, porque tudo é economia.
  • Escrevemos Reportagens e Especiais sobre os planos económicos e as consequências desta crise para empresas e trabalhadores.
  • Abrimos um consultório de perguntas e respostas sobre as mudanças na lei, em parceria com escritórios de advogados. Contamos histórias sobre as empresas que estão a mudar de negócio para ajudar o país
  • Escrutinamos o que o Governo está a fazer, exigimos respostas, saímos da cadeira (onde quer que ele esteja) ou usamos os ecrãs das plataformas que nos permitem questionar à distância.

O que queremos fazer? O que dissemos que faríamos no nosso manifesto editorial

  • O ECO é um jornal económico online para os empresários e gestores, para investidores, para os trabalhadores que defendem as empresas como centros de criação de riqueza, para os estudantes que estão a chegar ao mercado de trabalho, para os novos líderes.

No momento em que uma pandemia se transforma numa crise económica sem precedentes, provavelmente desde a segunda guerra mundial, a função do ECO e dos seus jornalistas é ainda mais crítica. E num mundo de redes sociais e de cadeias de mensagens falsas – não são fake news, porque não são news --, a responsabilidade dos jornalistas é imensa. Não a recusaremos.

No entanto, o jornalismo não é imune à crise económica em que, na verdade, o setor já estava. A comunicação social já vive há anos afetada por várias crises – pela mudança de hábitos de consumo, pela transformação digital, também por erros próprios que importa não esconder. Agora, somar-se-ão outros fatores de pressão que põem em causa a capacidade do jornalismo de fazer o seu papel. Os leitores parecem ter redescoberto que as notícias existem nos jornais, as redes sociais são outra coisa, têm outra função, não (nos) substituem. Mas os meios vão conseguir estar à altura dessa redescoberta?

É por isso que precisamos de si, caro leitor. Que nos visite. Que partilhe as nossas notícias, que comente, que sugira, que critique quando for caso disso. O ECO tem (ainda) um modelo de acesso livre, não gratuito porque o jornalismo custa dinheiro, investimento, e alguém o paga. No nosso caso, são desde logo os acionistas que, desde o primeiro dia, acreditaram no projeto que lhes foi apresentado. E acreditaram e acreditam na função do jornalismo independente. E os parceiros anunciantes que também acreditam no ECO, na sua credibilidade. As equipas do ECO, a editorial, a comercial, os novos negócios, a de desenvolvimento digital e multimédia estão a fazer a sua parte. Mas vamos precisar também de si, caro leitor, para garantir que o ECO é económica e financeiramente sustentável e independente, condições para continuar a fazer jornalismo de qualidade.

Em breve, passaremos ao modelo ‘freemium’, isto é, com notícias de acesso livre e outras exclusivas para assinantes. Comprometemo-nos a partilhar, logo que possível, os termos e as condições desta evolução, da carta de compromisso que lhe vamos apresentar. Esta é uma carta de apresentação, o convite para ser assinante do ECO vai seguir nas próximas semanas. Precisamos de si.

António Costa

Publisher do ECO

Comentários ({{ total }})

Medidas da UE contra fake news são insuficientes

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião