BE questiona “como é possível” BdP “nunca ter visto nada” de concertação entre bancos

  • Lusa
  • 11 Setembro 2019

Os bloquistas questionam ainda "como é possível" a Caixa Geral de Depósitos "ter entrado num esquema destes de assalto do país".

A coordenadora do BE questionou esta quarta-feira “como é possível” o Banco de Portugal (BdP) “nunca ter visto nada” e a Caixa Geral de Depósitos ter entrado na concertação de informação sensível no crédito à habitação.

“Perguntamos como é que é possível a supervisão [BdP] nunca ter visto nada e a Caixa Geral de Depósitos ter entrado num esquema destes de assalto do país”, disse Catarina Martins, em Beja, numa sessão de apresentação dos candidatos do BE por este círculo às eleições legislativas de 6 de outubro.

A Autoridade da Concorrência anunciou na segunda-feira que condenou 14 bancos ao pagamento de coimas no valor global de 225 milhões de euros por prática concertada de informação sensível no crédito ao longo de mais de 10 anos, entre 2002 e 2013.

“Neste esquema, cada banco facultava aos demais, informação sensível sobre as suas ofertas comerciais, indicando, por exemplo, os ‘spreads’ ‘ [margem de lucro do banco] a aplicar num futuro próximo no crédito à habitação ou os valores do crédito concedido no mês anterior, dados que, de outro modo, não seriam acessíveis aos concorrentes”, informou o regulador da concorrência.

A Caixa Geral de Depósitos é o banco condenado à coima mais elevada, de 82 milhões de euros, seguindo-se o BCP, condenado a pagar 60 milhões de euros.

“É de tal forma a impunidade da banca que, depois de uma crise financeira que nos fizeram pagar tantas e tantas vezes os desmandos, ficámos agora a saber que [14 bancos] andaram a fazer um conluio durante uma década para cobrar mais nos créditos ao consumo, à habitação e às empresas”, afirmou.

Segundo Catarina Martins, “além do que receberam a mais dos contribuintes, do Orçamento do Estado, [os bancos] ainda andaram a assaltar os seus clientes com um conluio que incluiu toda a gente, até o banco público [Caixa Geral de Depósitos]”.

“Quando vemos que está tudo errado, a solução é mudar as regras”, considerou, defendendo que o país não pode “mais ter uma supervisão bancária que é um banqueiro entre banqueiros” e “um banco público que se comporta como as piores práticas dos bancos privados”.

“Precisamos, sim, de ter uma supervisão nova, forte, que defenda o país e o interesse de quem aqui vive, e precisamos de ter uma banca pública com critérios claros de interesse público, de investimento na economia, de defesa do emprego, de defesa de Portugal”, sublinhou. Catarina Martins vincou que é preciso mais investimentos em várias áreas em Portugal, como a saúde e as acessibilidades, mas “tantas vezes” dizem que não pode ser.

“Temos recursos, sim, o que temos de nos perguntar é para onde é que eles vão e nós achamos que o sistema financeiro já recebeu demais, está na altura de investir nas pessoas, no país”, argumentou, garantindo: “No BE, não nos esquecemos nunca dos 25 mil milhões de euros, dados do Banco de Portugal, que foram entregues ao sistema financeiro, aos bancos, que continuam a sangrar a nossa economia”.

Para a coordenadora do Bloco, há que garantir que os “17 mil milhões de euros” que “estão ainda nos bancos todos” e “não foram pagos” são “transformados em capital público nesses bancos”. “Quem paga manda e se [Estado e contribuintes] pagamos os bancos, temos de ter o controlo público”, acrescentou.

Acertar as contas é isto: uma supervisão do sistema financeiro que seja eficaz, o controlo público em todos os bancos que têm dinheiro do Estado, e uma Caixa Geral de Depósitos e uma estratégia para a banca pública que sejam transparentes e em nome da economia e do emprego”, insistiu Catarina Martins, concluindo: “Se acertarmos as contas, não faltará no que é necessário”.

Uma carta aos nossos leitores

Vivemos tempos indescritíveis, sem paralelo, e isso é, em si mesmo, uma expressão do que se exige hoje aos jornalistas que têm um papel essencial a informar os leitores. Se os médicos são a primeira frente de batalha, os que recebem aqueles que são contaminados por este vírus, os jornalistas, o jornalismo é o outro lado, o que tem de contribuir para que menos pessoas precisem desses médicos. É esse um dos papéis que nos é exigido, sem quarentenas, mas à distância, com o mesmo rigor de sempre.

Aqui, no ECO, estamos a trabalhar 24 horas vezes 24 horas para garantir que os nossos leitores têm acesso a informação credível, rigorosa, tempestiva, útil à decisão. Para garantir que os milhares de novos leitores que, nas duas últimas semanas, visitaram o ECO escolham por cá ficar. Estamos em regime de teletrabalho, claro, mas com muita comunicação, talvez mais do que nunca nestes pouco mais de três anos de história.

  • Acompanhamos a cobertura da atualidade, porque tudo é economia.
  • Escrevemos Reportagens e Especiais sobre os planos económicos e as consequências desta crise para empresas e trabalhadores.
  • Abrimos um consultório de perguntas e respostas sobre as mudanças na lei, em parceria com escritórios de advogados. Contamos histórias sobre as empresas que estão a mudar de negócio para ajudar o país
  • Escrutinamos o que o Governo está a fazer, exigimos respostas, saímos da cadeira (onde quer que ele esteja) ou usamos os ecrãs das plataformas que nos permitem questionar à distância.

O que queremos fazer? O que dissemos que faríamos no nosso manifesto editorial

  • O ECO é um jornal económico online para os empresários e gestores, para investidores, para os trabalhadores que defendem as empresas como centros de criação de riqueza, para os estudantes que estão a chegar ao mercado de trabalho, para os novos líderes.

No momento em que uma pandemia se transforma numa crise económica sem precedentes, provavelmente desde a segunda guerra mundial, a função do ECO e dos seus jornalistas é ainda mais crítica. E num mundo de redes sociais e de cadeias de mensagens falsas – não são fake news, porque não são news --, a responsabilidade dos jornalistas é imensa. Não a recusaremos.

No entanto, o jornalismo não é imune à crise económica em que, na verdade, o setor já estava. A comunicação social já vive há anos afetada por várias crises – pela mudança de hábitos de consumo, pela transformação digital, também por erros próprios que importa não esconder. Agora, somar-se-ão outros fatores de pressão que põem em causa a capacidade do jornalismo de fazer o seu papel. Os leitores parecem ter redescoberto que as notícias existem nos jornais, as redes sociais são outra coisa, têm outra função, não (nos) substituem. Mas os meios vão conseguir estar à altura dessa redescoberta?

É por isso que precisamos de si, caro leitor. Que nos visite. Que partilhe as nossas notícias, que comente, que sugira, que critique quando for caso disso. O ECO tem (ainda) um modelo de acesso livre, não gratuito porque o jornalismo custa dinheiro, investimento, e alguém o paga. No nosso caso, são desde logo os acionistas que, desde o primeiro dia, acreditaram no projeto que lhes foi apresentado. E acreditaram e acreditam na função do jornalismo independente. E os parceiros anunciantes que também acreditam no ECO, na sua credibilidade. As equipas do ECO, a editorial, a comercial, os novos negócios, a de desenvolvimento digital e multimédia estão a fazer a sua parte. Mas vamos precisar também de si, caro leitor, para garantir que o ECO é económica e financeiramente sustentável e independente, condições para continuar a fazer jornalismo de qualidade.

Em breve, passaremos ao modelo ‘freemium’, isto é, com notícias de acesso livre e outras exclusivas para assinantes. Comprometemo-nos a partilhar, logo que possível, os termos e as condições desta evolução, da carta de compromisso que lhe vamos apresentar. Esta é uma carta de apresentação, o convite para ser assinante do ECO vai seguir nas próximas semanas. Precisamos de si.

António Costa

Publisher do ECO

Comentários ({{ total }})

BE questiona “como é possível” BdP “nunca ter visto nada” de concertação entre bancos

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião