Aula de empreendedorismo com António Mexia: “Estamos no meio de uma revolução”

O presidente da EDP esteve reunido com startups a trocar conselhos, experiências e opiniões. Estar rodeado de pessoas, ouvir, debater e ser claro foram algumas das indicações dadas por Mexia.

O que faz o presidente da EDP reunido com startups num final de tarde? Poderia ser uma aula de empreendedorismo com o líder da maior elétrica nacional, mas António Mexia diz ter “muito mais para aprender do que para ensinar”. Troca de experiências, conselhos e “previsões” para o futuro. E uma certeza: o mundo das energias renováveis está a atravessar uma “revolução”. Uma hora de conversa foi suficiente para várias mensagens aos jovens empreendedores.

“Estamos no meio de uma revolução. Organizem-se e tentem estar do lado dos vencedores”, disse António Mexia esta segunda-feira, no LACS, reunido com nove startups com as quais a EDP está a desenvolver projetos-piloto. “Precisamos de nos focar, de diversificar o risco e de ter várias opções, ser disruptivos, porque isto vai ser realmente mudado”, continuou, relembrando os tempos em que era o “único não-guru”.

António Mexia, presidente da EDP

Sobre esta revolução, em que a própria EDP se organizou para estar do lado dos vencedores, Mexia explicou que, há cerca de seis anos, a empresa rapidamente apercebeu-se que tinha de se diferenciar das restantes, porque “não ia ganhar pela escala”. “Percebemos que as renováveis iam evoluir. Nem nós nessa altura imaginávamos quão rápida seria a evolução e quão significativos seriam os custos, mas percebemos que a coisa ia mudar”.

“O mundo mudou”, afirmou o CEO da elétrica nacional, explicando que “estamos no meio de uma revolução que vem da descarbonização, descentralização e digitalização”. As utilities mudaram mais nos últimos dez anos do que nos 50 anos anteriores, referiu. E é através destas inovações que as empresas veem resultados nas contas: “Cerca de 40% do EBITDA [lucros antes de impostos] da EDP hoje não existia há 12 anos. Os nossos negócios são conseguidos através das inovações, nomeadamente das renováveis”.

Receita: ter “os olhos abertos”

E no futuro “vai mudar tudo porque vamos ter mais dados e a mistura de complexidade será maior”. Para isso, disse Mexia, é preciso conhecer “pessoas como estas [startups] que trazem coisas muito diferentes”. O CEO da EDP reuniu-se esta segunda-feira com nove startups no âmbito do Free Electrons, um programa organizado por gigantes elétricas dos quatro cantos do mundo. Neste encontro, que funcionou como uma espécie de aula de empreendedorismo, o objetivo era trocar ideias e conselhos.

“Estou aqui mais para aprender do que para ensinar”, respondeu António Mexia aos jornalistas. “Cada uma destas startups está numa área específica e nós temos de ser um agregador disto tudo. Obviamente que eles têm muito mais a receber de nós — aquilo que investimos –, mas o que procuramos é a capacidade de alguém ver alguma coisa que nós não estivéssemos a ver”, explicou. “Elas [startups] estão à procura de apoio e de conseguir um poiso onde possam apoiar a vara para saltar e nós estamos a ver se não temos ângulos mortos”.

António Mexia com startups

Mas os “alunos” ficaram bem impressionados com as lições e conselhos de António Mexia. E que o diga Luís Oliveira, da Save2Compete, uma startup nacional que nasceu a partir de um grupo de trabalho dentro da própria EDP. “É um ótimo professor, na medida em que basta ver o percurso que a EDP teve nos últimos dez anos, em que se tornou num dos maiores players mundiais na área da energia renovável”, disse aos jornalistas. “Isso só pode ser inspirador para uma pessoa que está a começar agora e a ter um percurso de singrar na transição energética”.

No final do encontro, a pergunta para um milhão de euros chegou: que conselhos tinha o CEO da EDP para estes jovens empreendedores? “Ter sempre noção de que o mundo amanhã vai ser extraordinariamente diferente e estar preparado para isso. Trazer pessoas para a nossa volta, ouvir, debater e ter a campainha aberta de fio a pavio. Ser transparente, dizer ao que vimos e sermos claros. Ter total abertura com os parceiros tradicionais e não tradicionais. Basicamente a receita é ter os olhos abertos“, rematou.

O Free Electrons recebeu nesta edição 481 candidaturas oriundas de 60 países, a maioria dos Estados Unidos. Entre as 21 startups nacionais que concorreram, duas estão entre as 15 finalistas — a Save2Compete e a Enging. A final acontece esta quinta-feira, em Lisboa, com o pitch final das startups finalistas, e a vencedora vai receber um prémio de 200 mil dólares (181 mil euros).

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