Cofina garante manter linha editorial da TVI

"O novo Grupo contará ainda com os melhores profissionais, seja nas áreas de televisão, rádio, imprensa e produção", promete a Cofina que espera luz verde a ERC para avançar com o negócio.

A Cofina chegou a acordo com a Prisa para comprar a totalidade das ações que detém na Media Capital e promete manter a linha editorial da estação de Queluz, uma garantia que pode ajudar a Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC) a dar luz verde à operação — um passo essencial para o sucesso da OPA. A operação, avaliada no total de 255 milhões de euros, envolve uma Oferta Pública de Aquisição (OPA) de cerca de 180 milhões de euros e a dívida da própria Media Capital, de cerca de 75 milhões de euros. Este negócio que, segundo a empresa de Paulo Fernandes, se encaixa numa “tendência global para a consolidação do setor dos media“, pretende garantir a “existência de um grupo de media independente”.

“O projeto da Cofina passa por manter as linhas editoriais dos diferentes meios de comunicação social que detém e que passará a deter, bem como todos os profissionais que estejam dispostos a colaborar neste novo projeto”, explica a empresa em comunicado enviado às redações. “Esta aquisição garante a existência de um grupo de media independente e capaz de reforçar o papel que os media têm enquanto pilar essencial à vida de uma sociedade democrática”, acrescenta a mesma nota.

“O novo Grupo contará ainda com os melhores profissionais, seja nas áreas de televisão, rádio, imprensa e produção, garantindo a criação de condições de desenvolvimento pessoal e profissional, de forma sustentável”, sublinha a mesma nota. Recorde-se que quando começaram a sair as primeiras notícias de que a Cofina pretendia lançar uma OPA à Media Capital se disse que a dona do Correio da Manhã impunha o despedimento de jornalistas como Judite de Sousa e José Alberto Carvalho. Duas informações que as fontes contactadas pelo ECO desmentiram categoricamente.

Os planos futuros da Cofina para a Media Capital passam também por “intensificar a criação de conteúdos de perfil exportador, tendo em vista a transposição para a legislação nacional da designada ‘diretiva Netflix'”.

A Cofina pretende criar um grupo “financeiramente forte”, isto apesar de com este negócio estar a assumir uma dívida de 75 milhões de euros da Media Capital. O objetivo é criar uma “plataforma mais competitiva capaz de assegurar aos portugueses uma oferta diversificada de conteúdos de informação e de entretenimento, através da imprensa escrita, televisão e rádio, seja offline ou online”, refere o mesmo comunicado.

A luta é pela “eficiência”, mas também pela liderança das audiências que presentemente é detida pela Sic. A Cofina quer ser “capaz de gerar eficiências e com foco contínuo na liderança dos segmentos em que opera, assegurando a sustentabilidade dos conteúdos de língua portuguesa”, diz o comunicado.

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