Espanhóis da Estrella Galicia controlam 49% da Fábrica de Cervejas Portuense

  • Lusa
  • 23 Setembro 2019

Segundo o comunicado da Craft Stars of the World, o grupo passou a deter 49% da portuguesa Fábrica de Cervejas Portuense, num aumento de capital destinado a “acelerar a expansão” da empresa.

A Craft Stars of the World (CSW), do grupo espanhol Hijos de Rivera, dono da marca Estrella Galicia, passou a deter 49% da portuguesa Fábrica de Cervejas Portuense, num aumento de capital destinado a “acelerar a expansão” da empresa.

“Depois de em 2017 ter investido e passado a deter 32% da empresa líder do setor artesanal irlandês – Carlow Brewing, produtora da marca O’Hara’s -, a CSW aposta agora no mercado cervejeiro português com um investimento na Fábrica de Cervejas Portuense e na marca Cerveja Nortada, líder do movimento artesanal nacional”, lê-se num comunicado divulgado esta segunda-feira pelas empresas.

Segundo adianta, “a CSW passa a deter 49% da empresa portuguesa numa operação de aumento de capital que visa auxiliar e acelerar o processo de crescimento e expansão, abrindo ainda a porta à criação de sinergias com vista à internacionalização da marca”.

“O ano 2019 foi marcante para a Nortada, ano em que a estratégia de expansão geográfica e alargamento da distribuição para todo o território nacional permitiu que a marca superasse os 600 mil litros estimados em 2019, tendo já superado as vendas do ano de 2018”, refere.

Citado no comunicado, o presidente executivo da Fábrica de Cervejas Portuense recorda que esta e a Cerveja Nortada “foram criadas para impulsionar o setor cervejeiro em Portugal”, apontando que o “‘feedback’ excelente do mercado” traduz uma “procura cada vez maior” dos produtos da empresa.

Nós vemos o investimento da CSW como uma importante alavanca para potenciar o crescimento da nossa marca, assim como da capacidade para satisfazer este crescente aumento de procura”, sustenta Pedro Mota, salientando que “o mercado da cerveja está em franco crescimento e os produtores artesanais têm sido um importante motor de ascensão”.

Ainda assim, Pedro Mota admite que “ainda há um grande caminho a percorrer e, tal como aconteceu em mercados mais maduros, as marcas artesanais têm que trabalhar em conjunto para educar os consumidores sobre a cultura cervejeira e, assim, mudar os hábitos de consumo”.

Já o presidente executivo da CSW, Ignacio Rivera, descreve a Nortada como “um aliado ‘craft’ [artesanal] perfeito” para reforçar a estratégia internacional do grupo, salientando que ambos partilham as mesmas “cultura” e “paixão por cerveja”.

Segundo o comunicado, este investimento “encaixa de forma muito natural na estratégia da companhia, já que a Estrella Galicia nasceu em 1906 da mente de um empreendedor artesão com uma clara vocação cervejeira”.

João Talone, acionista de referência da Fábrica de Cervejas Portuense, que conduziu o acordo com Ignacio Rivera, considera o grupo Hijos de Rivera como “o parceiro ideal para a Nortada”.

“Permite juntar à irreverência e flexibilidade de uma ‘startup’ a experiência de uma grande empresa e de uma família cervejeira que nos abre um novo ciclo de crescimento e consolidação em Portugal e no estrangeiro”, sustenta, citado no comunicado.

A Cerveja Nortada produz atualmente sete estilos de cerveja na sua gama permanente, em barril e em garrafa, que são vendidos em mais de 1.000 pontos de venda do canal HoReCa (hotelaria, restauração e cafetaria) e em várias cadeias da grande distribuição. Paralelamente, a marca tem apostado numa “dinâmica de lançamentos frequentes, com a criação regular de cervejas de edição limitada”.

Toda a Cerveja Nortada é feita em pleno centro histórico da cidade do Porto, em instalações que também funcionam como espaço de restauração onde o público pode experimentar as cervejas da marca enquanto observa a sua produção.

O ECO recusou os subsídios do Estado. Contribua e apoie o jornalismo económico independente

O ECO decidiu rejeitar o apoio público do Estado aos media, porque discorda do modelo de subsidiação seguido, mesmo tendo em conta que servirá para pagar antecipadamente publicidade do Estado. Pelo modelo, e não pelo valor em causa, cerca de 19 mil euros. O ECO propôs outros caminhos, nunca aceitou o modelo proposto e rejeitou-o formalmente no dia seguinte à publicação do diploma que formalizou o apoio em Diário da República. Quando um Governo financia um jornal, é a independência jornalística que fica ameaçada.

Admitimos o apoio do Estado aos media em situações excecionais como a que vivemos, mas com modelos de incentivo que transfiram para o mercado, para os leitores e para os investidores comerciais ou de capital a decisão sobre que meios devem ser apoiados. A escolha seria deles, em função das suas preferências.

A nossa decisão é de princípio. Estamos apenas a ser coerentes com o nosso Manifesto Editorial, e com os nossos leitores. Somos jornalistas e continuaremos a fazer o nosso trabalho, de forma independente, a escrutinar o governo, este ou outro qualquer, e os poderes políticos e económicos. A questionar todos os dias, e nestes dias mais do que nunca, a ação governativa e a ação da oposição, as decisões de empresas e de sindicatos, o plano de recuperação da economia ou os atrasos nos pagamentos do lay-off ou das linhas de crédito, porque as perguntas nunca foram tão importantes como são agora. Porque vamos viver uma recessão sem precedentes, com consequências económicas e sociais profundas, porque os períodos de emergência são terreno fértil para abusos de quem tem o poder.

Queremos, por isso, depender apenas de si, caro leitor. E é por isso que o desafio a contribuir. Já sabe que o ECO não aceita subsídios públicos, mas não estamos imunes a uma situação de crise que se reflete na nossa receita. Por isso, o seu contributo é mais relevante neste momento.

De que forma pode contribuir para a sustentabilidade do ECO? Na homepage do ECO, em desktop, tem um botão de acesso à página de contribuições no canto superior direito. Se aceder ao site em mobile, abra a 'bolacha' e tem acesso imediato ao botão 'Contribua'. Ou no fim de cada notícia tem uma caixa com os passos a seguir. Contribuições de 5€, 10€, 20€ ou 50€ ou um valor à sua escolha a partir de 100 euros. É seguro, é simples e é rápido. A sua contribuição é bem-vinda.

António Costa
Publisher do ECO

5€
10€
20€
50€

Comentários ({{ total }})

Espanhóis da Estrella Galicia controlam 49% da Fábrica de Cervejas Portuense

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião