Tours, cervejas, gelados. Há negócios que florescem à boleia do turismo no verão

Apesar de verão pedir uma pausa no trabalho, há negócios que não vão de férias. Para algumas empresas, nos meses de maior calor concentra-se mais de metade do volume do ano.

O verão é, por excelência, altura de férias, que faz encher as praias e esplanadas portuguesas. Mas há negócios que não vão de férias. Antes pelo contrário, até são impulsionados pelo turismo nestes meses mais quentes. Desde gelados, bebidas e até empresas de aluguer de carro, as vendas nestes negócios sobem em conjunto com os termómetros.

Em frente ao Mercado da Ribeira, em Lisboa, alinham-se vários tuk-tuks, à espera dos próximos clientes, uma visão replicada por vários cantos da cidade. Estes triciclos motorizados são “mais maleáveis do que os autocarros” e “adaptam-se às especificidades dos turistas”, explica, ao ECO, Miguel Neves, condutor de tuk-tuk.

Apesar disto, há tours definidas, nomeadamente à zona histórica, à volta do Castelo de São Jorge e Alfama, ao Chiado e a Belém. “Relativamente às outras estações é notório um aumento de procura no verão“, aponta Miguel. Para o motorista, o melhor indicador de que o dia de trabalho foi bem-sucedido são as horas.

No inverno posso fazer uma ou duas horas, e no verão posso fazer seis ou sete”, explica. A grande maioria dos clientes por esta altura são turistas, já que os locais costumam utilizar em épocas diferentes, como nas férias de Natal e Páscoa.

Quem procura roteiros turísticos também pode escolher uma opção sobre quatro rodas. Na Portugal Premium Tours, de maio a outubro é quando fazem 70% do volume do ano, adianta, ao ECO, o diretor-geral, José Pais. Setembro é o mês que brilha no calendário da empresa, sendo que em fevereiro, o mês mais baixo, faturam 17% do valor que obtém em setembro.

Mesmo notando que nos meses de verão o negócio floresce, José Pais aponta que agosto acaba por ser “mais calmo e com menor volume”. Para a Gold Compass, uma empresa de aluguer de viaturas com motorista, que realiza circuitos turísticos e também transfers, neste mês também acabam por sentir que há muitas pessoas que preferem passear a pé.

A tendência nos meses mais quentes continua, no entanto, a ser positiva. “Para nós é excelente a altura do verão”, diz Ricardo Martins, sócio gerente da Gold Compass, ao ECO, nomeadamente a nível do turismo. Apesar de o negócio correr bem durante o ano inteiro, na altura baixa, em janeiro e fevereiro, o número de tours e serviços realizados “baixa na ordem dos 40%”, aponta.

Por esta altura, para além de Lisboa e Porto, nos pedidos para visitas de turistas, a “zona de Sintra tem sido bombardeada”, revela Ricardo Martins. Mais a sul, também Évora e a zona da Arrábida tem sido requisitadas. Grande parte dos clientes estrangeiros da Gold Compass são americanos e brasileiros, mas os chineses e japoneses têm também começado a aderir.

Turistas conduzem pelas estradas de Portugal

Sobra ainda espaço para quem prefere tomar as rédeas do passeio. Pelas praias da Costa Vicentina, por exemplo, os parques de estacionamento estão cheios de carros com o autocolante a identificar que se trata de um carro de aluguer. As empresas de rent-a-car são outro dos negócios que beneficia da chegada do tempo quente.

“Nos meses de época alta que coincidem com os meses de férias dos outros países, nomeadamente da Europa, sentimos um aumento brutal na procura”, diz, ao ECO, Hugo Antão, diretor da Car Rental Company. Em julho, agosto e setembro, a procura “quase duplica em relação aos meses de época baixa”, revela.

A maioria das pessoas que opta por este serviço são famílias que vêm passar as férias a Portugal, aponta Hugo Antão. “Desde o Algarve ao Minho”, passando pelo interior e pela costa alentejana, as pessoas percorrem as estradas portuguesas com um veículo alugado, em média, por oito dias.

A francesa Europcar também nota uma “procura transversal a todo o território, abarcando as cidades de Lisboa e Porto, mas também a Madeira e os Açores, sempre com maior incidência nos aeroportos, com o Algarve a demonstrar claramente uma sazonalidade com um pico no número de clientes no verão“, adianta Nuno Barjona, Head of Marketing and New Mobility da Europcar Portugal, ao ECO.

Relativamente a este ano, já é possível verificar “claramente um aumento de procura neste verão, apesar de ainda haver dados por apurar”. Mesmo assim, já em 2018 houve uma procura mais acentuada nesta estação. Os dados da Europcar em Portugal apontam ainda para um crescimento face ao período homólogo em termos de procura por parte dos turistas, sobretudo alemães, franceses e ingleses.

Esta procura é “transversal a todas as soluções de mobilidade”, sendo que se nota “uma forte adesão ao nosso serviço de scooters e bicicletas”, revela Nuno Barjona. “Têm sido um grande sucesso em termos de procura, registando um pico acentuado durante os meses de julho e agosto em 2018, e em julho de 2019, junto dos turistas”, explica.

As trotinetas que agora povoam as ruas lisboetas também se afiguram uma opção para os turistas. As “condições climatéricas favoráveis” são uma “ótima oportunidade para experimentar esta nova forma de mobilidade”, aponta Luís Pinto, diretor de expansão da Lime em Portugal.

A plataforma de trotinetas, que chegou em outubro e já vê Lisboa como “um dos melhores mercados para a marca a nível global”, onde já ultrapassou a marca do milhão de viagens, espera poder “receber os visitantes que vêm descobrir a cidade” neste verão, revela Luís Pinto.

Com calor? Portugueses impulsionam cervejeiras

Nas esplanadas à beira da praia, ou perto dos pontos de interesse pelo país, juntam-se veraneantes à procura de um refresco. Para os maiores de idade, a escolha muitas vezes recai na cerveja, famosa por se beber “fresquinha”.

Os meses de julho, agosto e setembro “representam cerca de 33% do volume global anual de Cerveja e Sidra“, revela, ao ECO, Nuno Pinto de Magalhães, diretor de Comunicação e Relações Institucionais da Sociedade Central de Cervejas. Esta tendência “resulta de diferentes fatores como as altas temperaturas, o período de férias, o turismo”, aponta.

Mas não são apenas os estrangeiros, já que este tipo de “turismo se verifica atualmente todo o ano”, adianta Pinto de Magalhães. “O verão propriamente dito é mais impactado pelas férias dos portugueses“, explica. O grupo Super Bock corrobora esta tendência.

“O consumo de bebidas refrescantes no mercado nacional, em ambos os canais de comercialização, continua a ser feito maioritariamente pelos portugueses, ao longo de todo o ano”, diz Miguel Araújo, diretor de Comunicação e Relações Institucionais do Super Bock Group.

Mesmo assim, “o atual fluxo turístico também contribui para impulsionar as vendas, nomeadamente no canal horeca [hotéis, restaurantes e cafés] e com particular incidência durante o verão”. Desta forma, esta “continua a ser a época mais importante para a venda das bebidas refrescantes, pois este é um setor que beneficia do bom tempo e do calor”, aponta.

Para além das bebidas refrescantes, muitos optam por gelados nesta altura do ano. A marca Santini admite que o negócio continua a ser sazonal, e nota “um maior aumento do consumo nos meses mais quentes”, aponta fonte oficial ao ECO.

“O início e fim da chamada ‘época alta’ varia muito consoante as temperaturas sentidas, mas de uma forma genérica poderíamos referir o período compreendido entre maio e setembro”, explica a empresa. Apesar de não ter dados concretos relativamente à comparação com os meses de inverno, a Santini aponta para um número: “Poderíamos considerar menos um terço dos clientes”.

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