Afinal quem é mais Centeno: PS ou PSD?

São todos Centeno, mas PS e PSD disputam quem é mais. António Mendonça Mendes diz que estas é "a herança que fica desta legislatura". Joaquim Sarmento aplaude "conversão" dos partidos.

O secretário de Estado dos Assuntos Fiscais e candidato do Partido Socialista pelo círculo eleitoral de Setúbal, António Mendonça Mendes, defendeu esta terça-feira que “a herança que fica desta legislatura é a importância das contas certas” e que esse é um mérito do atual Governo, num debate em que o porta-voz para as Finanças do PSD, Joaquim Sarmento, aplaudiu a “conversão de todos os partidos com assento parlamentar aos conservadores orçamentais”.

Numa espécie de discussão sobre quem chegou primeiro, o Centeno de António Costa ou de Rui Rio, PS e PSD disputaram esta terça-feira o mantra das contas públicas equilibradas, num debate promovido pela Associação dos Diretores de Empresas (ADP) em Lisboa, que juntou António Mendonça Mendes, Joaquim Miranda Sarmento e Adolfo Mesquita Nunes, o atual coordenador do programa eleitoral do CDS-PP.

António Mendonça Mendes foi o primeiro a levantar o tema, quando reforçou a importância de manter o quadro de equilíbrio das contas públicas que caracterizou a governação do Ministério das Finanças na legislatura que chega ao fim e de construir sobre esse legado.

Também é uma boa notícia sabermos que temos as nossas contas públicas em ordem. Isso agora dá-nos uma enorme responsabilidade, a responsabilidade de não desbaratar os sacrifícios que tantas e tantos fizeram ao longo dos últimos anos, e não desbaratar o trabalho que tantas e tantos fizeram e bem ao longo dos últimos anos”, disse o socialista, que repetiu o mantra das “contas certas”.

A resposta surgiria pouco depois por Joaquim Miranda Sarmento, o atual porta-voz do PSD para as Finanças (e segundo Rui Rio o próximo ministro das Finanças, caso o PSD vença as eleições de 6 de outubro). Joaquim Sarmento aplaudiu — com alguma ironia — a defesa da importância do equilíbrio orçamental por todos os partidos com assento parlamentar neste período inicial de campanha.

“Não posso deixar de saudar aquilo que chamo de a conversão de todos os partidos com assento parlamentar aos conservadores orçamentais. Não há hoje um partido com assento no Parlamento que não defenda as contas públicas equilibradas. Mesmo os partidos mais encostados à esquerda estão hoje conscientes daquilo que aconteceu no final da década passada e que resultou na intervenção da troika, e querem hoje contas públicas equilibradas”, disse o porta-voz do PSD para as Finanças.

O atual secretário de Estado dos Assuntos Fiscais não deixou o social-democrata sem resposta e disse que “a herança que fica desta legislatura é a importância das contas certas, esse é um mérito deste Governo inquestionavelmente”, em alusão aos resultados conseguidos na redução do défice, e lembrou a descrença na viabilidade da solução governativa encontrada em 2015.

António Mendonça Mendes disse que o PS não vai “participar num leilão de propostas” em período eleitoral, acusando o PSD e o CDS-PP de o estarem a fazer, apesar de serem partidos que apelam à responsabilidade orçamental. “O que queremos é continuar a acrescentar valor ao país”, disse.

A disputa não terminou aqui, com Joaquim Sarmento a lembrar que a redução do défice conseguida na anterior legislatura foi superior à conseguida agora e numa conjuntura mais difícil, e que os socialistas terão conseguido alcançar este resultado graças às medidas tomadas pelo Governo de Pedro Passos Coelho e pela ação do Banco Central Europeu.

CDS insiste na redução da carga fiscal

O centrista Adolfo Mesquita Nunes não deixou passar a oportunidade de ter presente o secretário de Estado dos Assuntos Fiscais neste painel e apresentou as suas propostas para a redução da carga fiscal, nomeadamente a redução da taxa de IRC dos atuais 21% para 12,5%, a taxa praticada na Irlanda (a segunda mais baixa da União Europeia).

António Mendonça Mendes questionou como seria paga essa redução e disse que esta medida acabaria com o equilíbrio das contas públicas logo no primeiro ano. “E depois do primeiro ano como se pagava essa redução?”, questionou.

Mas o ex-deputado do CDS retorquiu, usando a argumentação do Governo para questionar quando seria altura de baixar a carga fiscal.

“Primeiro não se pode baixar impostos porque há défice. Agora que não há défice, não se pode baixar impostos porquê?”, questionou, ficando sem resposta.

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