Prestação da casa dá maior trambolhão em três anos. Fixa novo mínimo

Revisões dos créditos à habitação trazem cortes na taxa de juro entre 1,29% e 2,5%. Contratos com os indexantes com prazos mais dilatados são os mais beneficiados.

Muitas famílias com crédito à habitação vão ter duplas razões para sorrir em outubro. Os empréstimos da casa cujas taxas sejam revistas nesse mês vão ditar não só a prestação mais baixa de sempre, como o maior corte dos últimos três anos.

As revisões de outubro trazem prestações mais baixas para todos os empréstimos da casa independentemente do indexante associado: Euribor a 3, 6 ou 12 meses. As reduções nos encargos mensais vão dos 1,29% aos 2,5%.

Os empréstimos indexados à Euribor a 3 meses vão sentir a menor quebra de encargos, já que também são aqueles cujas taxas são revistas em intervalos de tempo mais curtos. Para esses créditos o corte será de 1,29% face à última revisão efetuada em julho, sendo esta a maior redução desde a revisão de abril de 2016.

Assumindo o cenário de um empréstimo no valor de 100 mil euros, a 30 anos, e com um spread de 1%, as famílias com crédito associado a este indexante veem a prestação descer 3,95 euros, para se fixar nos 302,8 euros ao longo dos próximos três meses.

Evolução da Euribor a 3 meses em 2019

Nos empréstimos indexados à Euribor a 6 meses, a redução será de 2,35%, a maior também desde a revisão feita em abril de 2016. A prestação mensal fixa-se nos 303,86 euros, 7,32 euros abaixo dos 311,18 euros que vigoraram ao longo dos últimos seis meses.

Já as famílias com crédito associado à Euribor a 12 meses vão beneficiar do maior corte de prestação desde a revisão de outubro de 2016: 2,5%. Assumindo o mesmo cenário base, tal repercute-se numa redução de 7,76 euros na prestação da casa que passa a fixar-se nos 306,31 euros ao longo do próximo ano.

Mercado vê juros negativos na casa até 2025

Esses cortes surgem depois de os três indexantes do crédito à habitação terem estabelecido novos mínimos históricos entre o final de agosto e o início de setembro. Esses resultaram da expectativa de que o Banco Central Europeu (BCE) viesse a decidir na reunião de 12 de setembro um novo corte dos juros de referência da Zona Euro.

A entidade liderada por Mario Draghi acabou por não mexer na refi — a taxa de juro de referência –, mas reduziu a taxa de depósito para um novo mínimo histórico de -0,5%. Mas essa redução veio com um bónus para a banca — a sua aplicação por patamares — que ditou a recuperação das Euribor de seguida.

Com a decisão do BCE, as famílias com crédito à habitação ganharam tempo, com o mercado a antecipar que os juros se mantenham em terreno negativo até meados de 2025.

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