Elisa Ferreira passa exame no Parlamento Europeu para ser comissária europeia

  • Vasco Gandra, em Bruxelas
  • 3 Outubro 2019

A comissão do desenvolvimento regional aprovou a nomeação de Elisa Ferreira para comissária responsável pela Coesão e Reformas.

A comissão do Desenvolvimento Regional do Parlamento Europeu aprovou o nome de Elisa Ferreira o próximo executivo comunitário, com a pasta da Coesão e Reformas. A política portuguesa dá assim mais um passo decisivo no processo para integrar a próxima Comissão Europeia que deverá tomar posse a 1 de novembro.

O presidente e os coordenadores (representantes dos grupos políticos) da comissão parlamentar competente para avaliar a prestação de Elisa Ferreira na audição que ontem passou, reuniram esta manhã à porta fechada.

“Fizemos a avaliação de maneira minuciosa, tanto das respostas escritas como da audição, e por unanimidade dos membros presentes decidimos dar uma opinião muito positiva”, afirmou o presidente da comissão parlamentar de Desenvolvimento Regional, no final da reunião dos representantes dos grupos políticos da comissão responsável pela avaliação de Elisa Ferreira. Ainda que a deputada do grupo de direita nacionalista Identidade e Democracia saiu da sala e não participou no voto.

Younous Omarjee sublinhou que o entendimento dos coordenadores (representantes dos grupos políticos) da comissão parlamentar é que Elisa Ferreira será uma comissária com peso dentro da futura Comissão. “Pensamos que a comissária tem capacidade para ser uma comissária forte e é isso que queremos. Não uma comissária dominada pela administração, mas uma comissária que domina a administração e uma comissária com peso no seio do colégio. E sentimos que partilhava a nossa ambição para que a política de coesão assuma o seu lugar nas políticas europeias”.

“Notámos com satisfação que dará o seu apoio ao Parlamento Europeu nas negociações orçamentais [do quadro financeiro plurianual 2021-2027]”, afirmou. Os eurodeputados já aprovaram a sua posição sobre o orçamento plurianual e rejeitam cortes na política de coesão.

“Notámos que fará um trabalho importante na ligação das reformas e da coesão e sobre a governação económica, tendo sempre presente o princípio da coesão. Vimos também que estava atenta à necessária transição para uma economia neutra em carbono e que dá apoio a soluções para que as regiões sejam acompanhadas e o custo social atenuado, e que o que os princípios da coesão governem a chave de distribuição” do futuro fundo de transição justa.

Na sua audição de ontem, a comissária indigitada garantiu que a criação do novo Fundo para uma Transição Justa será uma “tarefa imediata”, prometendo uma proposta nos primeiros 100 dias do seu mandato.

Omarjee disse que a audição que Elisa Ferreira passou ontem foi de “qualidade muito elevada” pelas questões formuladas e pelas respostas “muito completas”.

O presidente da comissão parlamentar de Desenvolvimento Regional deixou um recado a Elisa Ferreira. “Estaremos atentos em relação aos compromissos, orientações e ambições” assumidos pela comissária portuguesa, para que sejam cumpridos, lembrando que o Parlamento Europeu não deixará de fazer ouvir a sua voz em função das decisões sobre política regional que a Comissão adotar. “O Parlamento far-se-á respeitar”.

Os coordenadores vão agora transmitir uma carta com a sua recomendação positiva às instâncias parlamentares competentes em que declaram que a candidata possui as competências necessárias para integrar o colégio de comissários e desempenhar as suas funções.

A Conferência dos Presidentes do Parlamento Europeu fará depois a apreciação e tornando oficial a decisão a 17 de outubro. O executivo comunitário no seu todo — a presidente Ursula von der Leyen, Elisa Ferreira e restantes comissários que “passaram” o seu exame parlamentar –, ainda terão que ser sujeitos a um voto de aprovação do Parlamento Europeu, o que deverá acontecer no plenário de 23 de outubro, em Estrasburgo.

Elisa Ferreira, de 63 anos, tornar-se-á assim a primeira mulher portuguesa a integrar o executivo comunitário desde a adesão de Portugal à então comunidade europeia, em 1986.

(Notícia atualizada às 12h25 com novas declarações)

O ECO recusou os subsídios do Estado. Contribua e apoie o jornalismo económico independente

O ECO decidiu rejeitar o apoio público do Estado aos media, porque discorda do modelo de subsidiação seguido, mesmo tendo em conta que servirá para pagar antecipadamente publicidade do Estado. Pelo modelo, e não pelo valor em causa, cerca de 19 mil euros. O ECO propôs outros caminhos, nunca aceitou o modelo proposto e rejeitou-o formalmente no dia seguinte à publicação do diploma que formalizou o apoio em Diário da República. Quando um Governo financia um jornal, é a independência jornalística que fica ameaçada.

Admitimos o apoio do Estado aos media em situações excecionais como a que vivemos, mas com modelos de incentivo que transfiram para o mercado, para os leitores e para os investidores comerciais ou de capital a decisão sobre que meios devem ser apoiados. A escolha seria deles, em função das suas preferências.

A nossa decisão é de princípio. Estamos apenas a ser coerentes com o nosso Manifesto Editorial, e com os nossos leitores. Somos jornalistas e continuaremos a fazer o nosso trabalho, de forma independente, a escrutinar o governo, este ou outro qualquer, e os poderes políticos e económicos. A questionar todos os dias, e nestes dias mais do que nunca, a ação governativa e a ação da oposição, as decisões de empresas e de sindicatos, o plano de recuperação da economia ou os atrasos nos pagamentos do lay-off ou das linhas de crédito, porque as perguntas nunca foram tão importantes como são agora. Porque vamos viver uma recessão sem precedentes, com consequências económicas e sociais profundas, porque os períodos de emergência são terreno fértil para abusos de quem tem o poder.

Queremos, por isso, depender apenas de si, caro leitor. E é por isso que o desafio a contribuir. Já sabe que o ECO não aceita subsídios públicos, mas não estamos imunes a uma situação de crise que se reflete na nossa receita. Por isso, o seu contributo é mais relevante neste momento.

De que forma pode contribuir para a sustentabilidade do ECO? Na homepage do ECO, em desktop, tem um botão de acesso à página de contribuições no canto superior direito. Se aceder ao site em mobile, abra a 'bolacha' e tem acesso imediato ao botão 'Contribua'. Ou no fim de cada notícia tem uma caixa com os passos a seguir. Contribuições de 5€, 10€, 20€ ou 50€ ou um valor à sua escolha a partir de 100 euros. É seguro, é simples e é rápido. A sua contribuição é bem-vinda.

António Costa
Publisher do ECO

5€
10€
20€
50€

Comentários ({{ total }})

Elisa Ferreira passa exame no Parlamento Europeu para ser comissária europeia

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião