Acordo do Brexit é “praticamente impossível”, diz Boris Johnson a Merkel

  • ECO
  • 8 Outubro 2019

O telefonema entre os dois líderes aconteceu esta terça-feira, às 8h00. A permanência da Irlanda do Norte na união aduaneira são a principal razão para o impasse nas negociações do Brexit.

O acordo para o Brexit é “praticamente impossível”. Será esta a convicção do primeiro-ministro do Reino Unido, Boris Johnson, num telefone à chanceler alemã Angela Merkel, segundo noticia a Bloomberg (acesso condicionado e conteúdo em inglês). A principal razão para o impasse será a Irlanda do Norte.

A agência avança que Johnson terá dito a Merkel que, caso a União Europeia continue a exigir que a Irlanda do Norte se mantenha na união aduaneira do bloco comunitário, então não será possível chegar a acordo. O telefonema entre os dois líderes aconteceu esta terça-feira, às 8h00.

O primeiro-ministro britânico já tinha mostrado à chanceler alemã as propostas feitas a Bruxelas, mas uma fonte próxima contou à BBC (acesso livre e conteúdo em inglês) que a líder considerou “amplamente improvável” que os termos fossem aceites devido à Irlanda do Norte. O Labour chamou a esta posição “uma tentativa cínica de sabotar as negociações”, acrescenta a BBC.

O colapso eminente das negociações para a saída do Reino Unido da União Europa e consequente adiamento da data está a penalizar a libra, que se deprecia 0,71% contra o euro, em 1,11.

“O novo plano parece ser, depois de um novo adiamento na data de saída, realizar eleições, para as quais Boris Johnson irá fazer uma campanha com base na promessa de um Brexit imediato. Assim sendo, não surpreende a falta de dinâmica da libra. Só com novas eleições, talvez até um novo referendo, será possível desatar o ‘nó’ do Brexit. Até que tal aconteça, a libra continuará a negociar a valores próximos dos atuais”, explica a corretora ActivTrades.

Nos últimos dias, o primeiro-ministro britânico tem estado em contacto telefónico com vários líderes europeus, incluindo o homólogo português, António Costa, para tentar persuadir Bruxelas a reatar negociações. Falou também com o homólogo finlandês, Antti Rinne, e com o presidente francês, Emmanuel Macron.

O governo britânico propôs na semana passada a criação de uma zona regulatória comum entre a Irlanda do Norte e a vizinha Irlanda para facilitar a circulação de bens agroalimentares e industriais. O plano pressupõe que a Irlanda do Norte sai da união aduaneira europeia e fica a fazer parte de uma união aduaneira britânica quando o Reino Unido sair da UE, após o período de transição, no final de 2020.

O alinhamento com as regras do mercado comum na Irlanda do Norte teria de ser autorizado pelas autoridades autónomas da província britânica a cada quatro anos. A UE manifestou reservas sobre as propostas e pediu mais detalhes, estando previsto um novo encontro entre o enviado de Boris Johnson, David Frost, e o negociador-chefe dos 27, Michel Barnier.

(Notícia atualizada)

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