Juro da dívida abaixo de Espanha, mas bolsa de Lisboa não acompanha o sentimento positivo

Juros das obrigações caem e estão abaixo dos de Espanha. O spread face à Alemanha aproxima-se de mínimos históricos. Mas na bolsa, o sentimento é o contrário: há perdas nas ações portuguesas.

A dívida pública portuguesa está cada vez mais apetecível para os investidores. O juro das obrigações do Tesouro (OT) a dez anos continuam a cair, aproximando-se cada vez mais do benchmark alemão, demonstrando a confiança dos mercados no país. Em sentido contrário, a bolsa de Lisboa não resiste às investidas de Donald Trump na guerra comercial.

Ainda sem Governo formado, a reação dos mercados às eleições legislativas deste domingo está a ser positiva. A yield da dívida a dez anos mantém, esta terça-feira, a tendência de queda da última sessão e negoceia nos 0,113%, em mercado secundário.

Depois de esta taxa ter estado duas vezes de forma temporária abaixo da pedida pelos investidores a Espanha, tem sido esta a tendência ao longo de toda a sessão. O juro da dívida espanhola a dez anos negoceia nos 0,13%.

Já em comparação com o benchmark europeu, as Bunds alemãs com o mesmo prazo, a diferença é cada vez menor. O spread que sinaliza o risco do país situa-se em apenas 69 pontos base, em mínimos de três meses e a escassos pontos dos mínimos históricos tocados em julho (65 pontos base).

Juro das OT a dez anos em mínimos de um mês

Fonte: Reuters

O otimismo face à dívida portuguesa segue-se à revisão em alta do rating da República pela DBRS e da vitória do PS nas eleições legislativas de domingo mesmo que sem maioria absoluta. “Qualquer um dos dois cenários mais prováveis (acordo do PS com BE ou governo minoritário) acabará por significar uma continuidade da estabilidade económica dos últimos anos, marcados por um crescimento económico robusto e pelo cumprimento das metas de Bruxelas (défice de 0,4% em 2018), não obstante a gradual reversão das medidas da austeridade”, avalia o Bankinter.

Mas se a dívida mostra confiança, o mesmo não acontece com a bolsa. Após a última sessão e o início desta terem sido de ganhos, o índice de referência nacional PSI-20 não resistiu à pressão internacional. Menos de três depois da abertura, segue a cair 0,6%, em linha com as perdas nas principais praças europeias.

Washington anunciou que vai restringir os negócios com várias empresas chinesas que desenvolvem sistemas de reconhecimento facial e outras tecnologias de inteligência artificial, e que estão alegadamente associadas à repressão contra grupos minoritários muçulmanos na China. A nova investida de Donald Trump está a penalizar as bolsas e Lisboa não escapa.

Bolsa de Lisboa em terreno negativo

A Pharol afunda 2,80% para 0,1040 euros por ação, mas são os setores do papel, banca e energia que mais penalizam o índice. A Altri cai 2,41% para 5,26 euros, a Semapa perde 0,35% e a Navigator cede 0,13%.

O BCP — que normalmente beneficia da quebra nos juros da dívida — perde mais de 2% depois de o governador do Banco de Portugal ter feito alertas sobre a pressão dos baixos juros do Banco Central Europeu nas margens financeiras da banca.

A Galp, que comunicou esta manhã ao mercado um aumento da produção de petróleo em 21% no terceiro trimestre do ano acompanhado de uma desaceleração na refinação e distribuição, bem como do gás, perde 1,43% para 13,47 euros. Já a EDP e a EDP Renováveis recuam 0,96% e 0,20%, respetivamente.

A contrariar a tendência, a Mota-Engil avança 0,7% graças a um novo contrato para recolher resíduos no Brasil. Igualmente, a REN sobe 0,57% após o upgrade na avaliação feita pela RBC. A Jerónimo Martins, que foi alvo de uma revisão em alta do preço-alvo das ações pelo Barclays, ganha 0,43%.

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